"Sempre fomos livres nas profundezas de nosso coração, totalmente livres, homens e mulheres.
Fomos escravos no mundo externo, mas homens e mulheres livres em nossa alma e espírito."
Maharal de Praga (1525-1609)

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

REFLEXÕES SOBRE O AMOR – parte IV

Na noite do dia 9 de setembro, gastei um bom tempo bom, com um casal de queridos. Queria lhes falar da minha preocupação de que não cometessem os mesmos erros que cometi em relação ao amor, mas fui surpreendido por situação inusitada: apaziguar o amor deles. Jovenzinhos em pé de guerra, por não compreenderem o que sentem, amam-se, mas não entendem ainda esse tão grande amor que os une. E eu no meio do meu mar existencial, tentando entender o que é o amor; diante da vida sofrendo, chorando e esparramada no chão (...), me vi apaziguando esses queridos (...); Deus tem cada uma...

A antítese das afirmações que o Apóstolo Paulo faz desse verso quatro em diante são assustadoras.

“O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.” I Coríntios 13:4 (texto extraído da versão bíblica Almeida Corrigida e Fiel)

Como pode um ser que sofre ainda ser benigno? Como pode um ente que sofre por amar não invejar o “não sofrer” de outras pessoas que lhe cercam? Como pode quem sofre não agir ou julgar irrefletidamente, não ser irresponsável com as consequências de sua dor? Como explicar não usar da soberba moral para justificar esse sofrer? Isso é antitético, esse proceder amalucado de amor está fora do lugar comum.

O sofrimento, esse sentimento que levamos sempre para as questões afetivas, pode também ser oriundo de uma dor moral. No campo dos relacionamentos a dor moral muitas vezes causa mais sofrimento que o sofrimento por amar. Somos animais morais e temos uma cartilha de condutas morais, moralistas e moralizantes. Agimos com leviandade quando, segundo definição do Aurélio, julgamos de forma irrefletida, inconsequente, com uma moralidade exacerbada aquilo que acontece conosco no campo das relações afetivas. Nos julgamos imorais por amar como amamos, nos julgamos inconsequentes por sentir o que sentimos, por quem sentimos. Mas também julgamos por achar que nosso ente amado não nos ama como nós o amamos; é inconsequente julgar o ente amado só por não percebermos o mesmo tipo de amor; é imoral julgar o ente amado só por ele nos amar livremente e talvez, nós, aprisionadamente (...).

É preciso ter sempre em mente que nossa moralidade pode ficar adoecida por ditames sociais, culturais e religiosos, essa exageração moral nos faz sofrer sem que nada se aproveite de concreto desse sofrimento. Sofremos moralmente por não deixarmos de amar quem amamos e como amamos, sofremos inconsequentemente por amar quem achamos que não merece nosso amor. Se é assim, então a moralidade não é amor, nem consequência dele (...).

Rabi Bonder diz em seu livro “A Alma Imoral”:

***
"A experiência humana é marcada pela alternância de estados despertos e de torpor. Construímo-nos a partir dos acampamentos que fazemos e do levantar dos mesmos. Mas o rabi Nahum quer frisar a importância de se “horrorizar”, que é um dos sinais de percepção dos lugares estreitos. Quem não se horroriza perde a capacidade de detectar a estreiteza. Nossa insensibilidade se beneficia daquilo que não rompe, das ditas “boas ações” que não ferem os códigos da moral animal. Cada vez que fazemos o esperado, reforçamos um padrão humano automático de torpor. Existe em nós uma tendência de querer agradar a nós, aos outros e à moral de nossa cultura.

Com isso vamos gradativamente nos perdendo de nós mesmos. E o despertar é a capacidade de perceber situações horríveis em nossas vidas, tanto no plano particular como no social e cultural. Desse horror surge uma nova forma de ser, uma nova forma de “família”, uma nova forma de “propriedade” e uma nova forma de “tradição”. A imutabilidade do ser e da família, da propriedade e da tradição é a proposta desesperada de negar a natureza humana, que é mutante e requer novas formas de “moral”.

Entre uma moral e outra o ser humano volta a se despir e, desperto, se recorda de sua alma. A esse despertar se referia o maguid de Mezeridz: “Um cavalo que se sabe cavalo não o é. Este é o árduo trabalho do ser humano: aprender que não é um cavalo.”

A alma se faz perceptível no despertar e no horror. Em ambos os casos ela se volta para a reconstrução do passado. Para este, por sua vez, ela é sempre imoral e perigosa."
***

Esse exercício comum da moralidade hodierna nos leva ao lugar comum dos sofrimentos sacrificiais. Porém o exercício da imoralidade que rompe as barreiras do útero moral é onde o amor pode ser encontrado como uma nova forma de tradição, como um novo parâmetro, como uma nova forma de ver e viver a vida. Romper com os laços da ordinariedade hodierna não é fácil para ninguém, da mesma forma que ser sofredor e bondoso também não é. E a esta segunda afirmação, Paulo chama de amor.

O amor não é invejoso. O amor não se sente desgostado pela felicidade do ente amado em seus voos livres; o amor não se torna violento desejando possuir a todo custo a liberdade do ente amado; essa inveja da liberdade alheia pode ter se originado na falta de coragem de se lançar num voo livre dos conceitos morais circunstanciais e por vezes desgastantes.

O Apóstolo afirma categoricamente que o amor é o lugar das antíteses: sofrer mas ainda assim ser bondoso; sofrer mas ainda assim não sentir inveja de quem não sofre; sofrer mas não julgar nada nem ninguém – muito menos a si mesmo; sofrer e não se gabar por estar sofrendo de amor.

Aqui, começo entender o que é amor, o que é amar; é o sentimento antitético que denuncia quem ama como um bobo, um leso, um desprovido de amor próprio, um apaixonado inveterado, um “qualquer coisa” por amor. Creio assim, porque sofrer e ser bom, é só pra quem ama.


Nele, que tornou-se imoral, por amor ao imorais.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

REFLEXÕES SOBRE O AMOR – parte III

Nasci dentro de um lar religioso. Meus pais sempre foram ligados à religião, às doutrinas batistas mais especificamente. Cresci ouvindo mama Ruth – de abençoada memória – dizer: “amar se aprende”. Cresci ouvindo isso e tentei aprender durante toda a minha vida, mas acho que não consegui. Não sei como aprender a amar, sei amar, mas não sei aprender como amar (...). Vi dentro de casa fortunas de vida distribuídas em favor dos pobres de amor; assisti o sacrifício pirotécnico do entregar o corpo para ser queimado por amor ao amor que se queria amar. Nunca consegui chegar a esse nível de altruísmo (...). Paulo diz no verso três de sua carta que nem os maiores sacrifícios em prol de outras pessoas se aproveita como prova de amor.

“E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.” I Coríntios 13:3 (texto extraído da versão bíblica Almeida Corrigida e Fiel).

O maior de todos os atos de justiça – tzedakah –, abrir mão da fortuna pessoal em favor de alguém necessitado não é ato de amor, é apenas ato de misericórdia – misericórdia não é amor. Mesmo que em um ato de extremo altruísmo, se morresse da pior maneira possível, afogado ou, como sugere o texto, queimado – e ainda voluntariamente –, tal ato não seria amor, seria somente um mero sacrifício; de nada se aproveitaria. Sendo um simples e reles sacrifício para nada se aproveita, para nada presta, para nada serve. Tal ato não se aproveita pois o ente que ama e se sacrifica deixa de existir para o ser que lhe ama e que precisa de sua companhia, de sua existência. Amor queimado vira cinzas e para nada presta. Dar tudo de si para os outros também não se aproveita como ato de amor, já que descuidou de quem lhe está próximo, descuidou do seu amor – por si e pelo ente amado. AMOR NÃO PRECISA SE SACRIFICAR, AMOR SÓ PRECISA AMAR.

Tenho lido e meditado na sabedoria espiritual contida no livro do Rabino Nilton Bonder, “A Alma Imoral”, nele o Rabino declara:

***
“Sacrificar para quê?

Perguntaram ao rabi Bunam: “O que quer dizer com a expressão ‘sacrificar para ídolos’? É impensável que alguém realmente venha a fazer sacrifícios para algo que entenda como um ídolo!” O rabino respondeu: “Vou lhe dar um exemplo. Quando uma pessoa religiosa ou um justo se senta à mesa junto com outras pessoas e tem o desejo de comer um pouco mais, mas se restringe por conta do que os outros podem vir a pensar dele – isto é sacrificar para ídolos!” (Buber, Late Masters, p. 256)
O ENSINAMENTO COMEÇA COM O questionamento da lógica da expressão “sacrificar para ídolos”. Se percebemos que são ídolos, ou seja, vazios e ilusórios e sem qualquer significado real, como é possível fazer “sacrifícios para ídolos”? A resposta do rabi Bunam é de que fazemos isso com mais frequência do que imaginamos em situações em que acreditamos existir qualquer virtude ou ganho possível por conta de condutas ou posturas que representem sacrifícios ao nada. E quantos de nossos esforços e sacrifícios são, na verdade, “oferendas” ao nada? Quem precisa de nossas restrições ou de nossas abstinências? Por acaso D’us precisa de nossos atos “morais” que visam a ocultar nossa nudez? Por acaso D’us não percebeu de imediato que Adão havia comido da árvore justamente porque se vestiu e quis ocultar sua nudez? Ao vestir-se, fez oferendas ao deus do nada ou ao deus de seu animal moral.

É importante perceber que o deus do animal moral, do corpo, nem sempre é um deus, com “minúscula”. Afinal é de D’us: “Frutificai e multiplicai.” Mas toda atenção é pouca, porque muitas coisas são feitas ou muitas deixam de ser feitas por sacrifícios ao nada. Quantas pessoas poderíamos ter tirado “para dançar” na vida e não o fizemos por ofertar sacrifícios ao nada? Sacrifício ao deus da timidez, ao deus da vergonha, ao deus do medo de ser rechaçado e assim por diante.

Quantas vezes deveríamos ter dito não, em vez de nos desgastarmos para dissimular virtudes que são oferendas idólatras: oferendas ao deus expectativa, ao deus cobrança, ao deus culpa e assim por diante.

Não podemos temer o que outros irão dizer ou pensar. Não devemos temer nossa própria autoimagem, esta sim, um altar de primeira grandeza aos sacrifícios idólatras. Quantas oportunidades não deixamos de aproveitar, pois “não era conveniente” fazer isto ou aquilo? Nossa autoimagem, tal como nossa moral, é um instrumento do corpo que não aceita se ver em “outro” corpo.

O rabi Bunam alerta para o cuidado que se deve ter com abstinências e privações, pois, muito mais que demonstrar respeito à vida, elas cultuam deuses menores. O corpo é o responsável por uma intrincada rede de negociações psíquicas para que possamos nos preservar tal como somos. No entanto, fizeram com que acreditássemos que ele nos tenta constantemente com seus desejos. É a alma que fica inconformada com os sacrifícios vazios do corpo e é ela a responsável pelos atrevimentos, ousadias, riscos e transgressões.”
***

Tal sabedoria espiritual pode ser profunda demais para entendermos, e é por isso que o texto do rabino precisa de meditação. Amar é não sacrificar ao animal moral e moralista; amar não mata, nem morre por amor; amar simplesmente ama, sem nada querer saber, sem nada sacrificar, sem nada para provar.

Ouvi à alguma semanas atrás uma belíssima música que diz assim: “... venha sem pressa, sem nada, não faça nada para impressionar ninguém, ninguém; ouça o silêncio que deixa a alma livre pra poder cantar e amar e só...”. Simples assim, sem sacrifício, sem corpos queimados – a não ser pelas chamas do desejo –, sem doações extenuantes e confusas. Alma livre para cantar e amar, sem tentar impressionar ninguém. Nem o ente amado.

Sacrificar-se ao seu animal moral, por amor ao ídolo vazio, de nada se aproveita. Se amar tem de ser como está, que seja. Que se ame assim, e só.


Nele, que já se sacrificou por amor.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

REFLEXÕES SOBRE O AMOR – parte II

No texto anterior tratei da fisicalidade que não é propriamente expressão do amor. Mas em momento algum falei – ou escrevi – que o exercício da fisicalidade é danoso, ou nefasto, ou pecado. NÃO FALEI ISSO! O corpo é movido pelo balanço prazeroso do dar e receber e não há nada de errado nisso. A religião dogmatizou o encontro físico, jogando culpa sobre os amantes. Ter companhia é algo imprescindível para muitos de nós e não há nada de errado nisso. A questão é poder viver tranquilamente com esse fato. Ter companhia não é necessariamente ter o amor de sua vida lhe acompanhando. Mas não há problema em viver acompanhado de um grande prazer na palma da mão (...). Somos mais religiosos que gostaríamos de ser (...).

O segundo verso do capítulo 13 da carta que Paulo escreveu aos coríntios diz:

“E ainda que tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.” I Coríntios 13:2 (texto extraído da versão bíblica Almeida Corrigida e Fiel).

Profecia é ato de crença, não é ato de amor. Conhecer mistérios é ato da religiosidade, ação da misticalidade religiosa, não é ato de amor. Ter conhecimento científico é ato frio da intelectualidade, não é amor. A fé é a maior expressão da devoção religiosa, mas, ainda assim não é amor; mesmo quando é capaz de transportar montes de qualquer lugar, para qualquer lugar, mesmo assim não é amor. Amor não precisa de profecia, nem de conhecimento, nem de ciência, nem de fé, nem de milagres. Todo o conhecimento teológico, todas as práticas religiosas, todos os eventos sócio-espirituais, sem amor são absolutamente nada. Amor só precisa de si mesmo; só precisa de um coração ignorante a tudo que lhe cerca; AMOR NÃO QUER SABER DE NADA, AMOR SÓ QUER SER AMOR.

Nós pastores, líderes religiosos muito pecamos por achar que conhecemos o amor e às vezes julgamos nossos amigos, nossos alunos, nossos admiradores, nossas ovelhas com nossa arrogância. Nós que nos achamos detentores de um saberzinho qualquer, muitas vezes determinamos o que é o amor. Outrossim o sistema social enfermo pelo materialismo, nos leva ao lugar comum do desamor ou do amor pronto, dos sentimentos pré-definidos e dos sofrimentos pré-determinados. O sistema social que nos ensinou o que é o amor, também não é verdadeiro. Então o que fazer? Se os sacerdotes não sabem explicar o que é o amor – e invariavelmente caem no lugar comum: “Deus é amor” (...) –, e o sistema social também define o amor como o sentimento que sempre está dentro de uma zona de sofrimento desgraçadamente desconfortante, o que fazer?

Sou igual a você que está lendo este artigo; tenho minhas dores, minhas dúvidas, minhas paixões, meus dissabores, minhas questões não resolvidas. Sou tão frágil e por vezes inseguro, igual a qualquer pessoa que não carrega o título de pastor. Como já disse antes deixei a religiosidade de lado e tento não mais me abraçar com ela. Precisei mergulhar nas minhas dúvidas quanto ao amor para descobrir que não sei o que é amor.

Hoje não entendo o amor como um ato sofrido que me leva às lágrimas todas as vezes que lembro do ente amado; não entendo o amor como aquela saudade lancinante que corta a alma, feito lâmina afiada; não entendo mais o amor como o lamento questionante pela impossibilidade temporal ou duradoura de se estar com o ser amante. Não acho que o amor é isso, ou a união disso tudo.

Mas também não acho que o amor é ato inconsequente, abandonativo, desprovido de qualquer senso de responsabilidade em busca do ser amado; amor para mim não é pular do pináculo do templo só porque acredito haver uma profecia que diz que anjos me segurariam na queda. E se não segurarem? Se a profecia não existir? Eu me esborracharia no chão.

Amor não é essa vida de felicidade extrema nem de sofrimento extenuante. Amor, amar, para mim é o caminho do meio, o caminho de ouro como diz Maimonides. O caminho do meio é o caminho que leva ao equilíbrio, que carrega consigo um pouco de tudo que pode ornamentar esse fabuloso sentimento, que mais se parece com um ente espiritual que um sentimento humano.

Amor, quando adornado pela profecia que diz: “ame sem medo, porque amar faz bem...”, carrega em si a vida sem angústia, sem as correntes morais de uma religiosidade enferma;

Amor, quando vem carregado de mistérios não conhecidos, é embelezado pela surpresa que só conhece quem se entrega ao maior de todos os sentimentos e ama; quem se deixa surpreender pelo desconhecido de amar é mais feliz... muito mais feliz; uma felicidade tão incompreensível que as vezes é inaceitável;

Amor, quando se queda à ciência de que nada sabe, e por isso é incapaz de controlar as consequências desse sentimento arrebatador, ergue-se como que das cinzas, olhando a vida sempre com bons olhos, tendo sempre dentro do peito um bom coração bom;

Amor, quando envolto na confiança – fé – de que nada acontece sem a autorização do ETERNO DEUS, somente assim é capaz de transportar montanhas de ressentimentos, monturos de mágoas, aterros de rancor, de dentro de si e do ente que ama, para o mar do esquecimento;

Quando amar se torna prática de vida, ele deixa de doer, deixa de ser angustia e passa a ser refrigério, deixa de ser nada e passa a ser tudo.

Não se deixe levar pelo incômodo que esses artigos sobre o amor podem gerar em você, espere até o fim do texto de Paulo. Iremos aprender muito, eu e você sobre o que é o amor.

Que a Paz que vem do filho amado, o Messias Jesus, seja o juiz dos nossos corações.


Nele, que nos ama incondicionalmente.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

REFLEXÕES SOBRE O AMOR – parte I

Muito se fala sobre o amor, esse sentimento que move montanhas de pessoas na direção de um mar de outras pessoas. Amantes e amados se misturam em uma confusão de conceitos e sentimentos, que muitas vezes nada tem a ver com o verdadeiro amor, ou os verdadeiros sentimentos que compõe o amor descrito pelo apóstolo Paulo, em sua carta aos coríntios. Apresentarei um particular entendimento sobre o amor, com base no texto referido.

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.” I Coríntios 13:1 (texto extraído da versão bíblica Almeida Corrigida e Fiel).

A fala é o esforço conjunto e harmônico da emoção e da inteligência. O ato de falar é um ato físico. Essa fisicalidade humanamente lúcida, ou sobrenaturalmente inteligente, nada representa diante de atos físicos de desamor. Toda a inteligência sem amor é somente barulho. Não se ama falando, se ama fazendo silêncio; Não se ama gritando, se ama falando baixinho; não se ama xingando quem ameaça nosso sentimento, se ama crendo que se ama, não importa o que digam. Amor não depende do que falam, muito menos de quem fala. AMOR NÃO PRECISA DE EXPLICAÇÃO. AMOR AMA.

A fala humana ou a fala angelical nada tem de amor em si, isso porque o amor não é expressão da inteligência, nem expressão da emoção, nem expressão do físico. Amor é o sentimento para além do entendimento emocional e físico que estamos acostumados a receber e dar.

A fisicalidade do sentimento se torna envolvimento sexual – prazeroso ou não –, só isso. Sua química contagiante e viciante nos faz pensar que amamos, quando na verdade apenas sentimos falta do outro corpo que nos falta, que nos completa as lacunas físicas.

A inteligência do sentimento nos faz racionalizar a falta que o corpo nos faz e acaba nos enganando os sentidos, perturbando nossas emoções; ficamos frágeis (...), perturbados, confusos. A razão – inteligência – nos diz que amamos porque sentimos falta do corpo, da presença, do toque, da química. Nossa emoção se confunde nesse turbilhão de sensações físico-mentais.

Mas o amor só nasce quando a matéria física – a fala – que nasceu do esforço da emoção e da inteligência, se junta a esses geradores de vida dando novamente a luz ao ente espiritual que somos – ou que devemos ser – segundo a determinação do ETERNO.

Amor não é sentimento bilateral, amor é sentimento unilateral. É via de mão única. Quem ama, ama, não precisa ser amado. Ama e pronto. Não precisa de companhia, nem de comprovações, nem de falas que atestem que é amado. Amor simplesmente ama. Simples assim.

Preste atenção: se você precisa que alguém prove que lhe ama, com palavras, com atos ou com sentimentos – ficando sempre com você, perto de você (...), saiba que essa pessoa pode até lhe amar, mas você não a ama.

Lembre-se: o amor ao outro, inicia com o amor próprio.


Pense nisso. Não fale, não queira ouvir. Ame.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

NÃO DEIXEI DE SER PASTOR, SÓ DEIXEI DE SER RELIGIOSO.

Algumas pessoas que leram o texto anterior, em que digo não ser mais religioso – ou evangélico, e sim, gente, não entenderam. Então vou explicar.

Estou vivo por isso – por ser pastor, fiz disso minha missão de vida, ser anunciante de boas notícias. Nunca seria pastor se não fosse gente. Se fosse um religioso, seria qualquer coisa, menos pastor. É assim que entendo, é assim que vivo.

Fazendo um gancho com outro texto; sei quem sou e não é a religião que me significa; ser gente sim, isso me significa o ser. Cabeludo ou não, sou o mesmo que sempre fui, meu coração é o mesmo, meus sonhos os mesmos. E foi assumindo quem realmente sou, que o ETERNO, bendito seja ELE, me devolveu ao centro da vida, realinhou meu eixo. Isso, por eu ter escolhido ser gente e não um religioso.

Sendo gente, sou frágil; sou igual a todos, não há diferença; minhas dores são iguais as de todos, meus dissabores também; talvez a diferença entre eu e você que me lê, é que eu não tenho dúvidas de quem sou.


Sou gente, gente filho de DEUS.

PREFIRO SER GENTE

Por hábito, por paixão, por necessidade – ou por qualquer outro motivo que você encontre – eu gosto de escrever o que me vêm ao coração. Na maioria das vezes escrevo sem endereço certo. Escrevo para fazer pessoas refletirem, escrevo como forma de reflexão; escrevo. Pouquíssimas vezes meus textos têm endereço certo; normalmente quando isso ocorre eu nomino o endereçado – para que tudo fique claro.

Já tem uns dias que não escrevo. Isso se dá pelo momento que estou passando: mudanças graves, profundas, verdadeiras e definitivas em minha vida. É assim que sou (...), apesar de exteriormente estar muito parecido com meu pai, internamente sou também, minha mãe. Para ambos o “ficar só” é combustível (...), vivo isso desde que me conheço (...), preciso desses momentos de “ficar desacompanhado” – mas nunca sozinho, jamais ficarei sozinho de novo (...).

Hoje cedo, checando os meios de comunicações sociais, li um texto compartilhado pelo mano Beto Beline. Fiz um comentário que gerou em mim a vontade de escrever de novo. Por isso, essas linhas.

Prefiro ser gente.

Em um mundo que se completa a cada dia, de uma satânica impessoalidade, de uma diabólica despreocupação com o outro, de um completo descompromisso com o desenvolver independente do outro, estamos deixando de ser gente. Estamos deixando as preocupações, pois elas nos amargam a alma; estamos deixando de nos envolver com a dor alheia, pois elas nos doem mais – e já nos basta nossa dor (...), estamos vivendo de cabeça baixa, sem olhar ninguém nos olhos. Estranho isso.

Ter vivido no interior, me fez aprender a valorizar o “olho no olho”, o visitar dos amigos, o “jogar conversa fora...” aqui em Manaus, tenho poucos que compartilham isso (...). Mas essa impessoalidade é crônica, uma epidemia que se alastra de forma galopante, assustadoramente rápida. Essa doença está nos transformando em zumbis; estamos deixando de ser gente.

Estamos morrendo de medo do que pode nos acontecer, temos medo dos que chegam perto de nós, estamos apavorados com as fatalidades. Isso tudo – e mais algumas coisas – nos afastam dos contatos com as pessoas e acabamos nos isolando, nos tornando menos gente a cada dia.

Estar desacompanhado não é deixar de ter contato com pessoas. O convívio com as “gentes” deve nos alimentar, a inter-relação deve nos mover a construção de um mundo menos impessoal.

Nasci em um lar evangélico, me criei num ambiente evangélico, cresci e me desenvolvi nesse meio. Vem dele minhas mais profundas dores, mas também, é dele que vem meu mais profundo e sincero amor. Amor por pessoas, amor pela vida, amor por Deus, amor por tudo que me faz bem. Simples assim.
Mas deixei de ser evangélico, não por causa das dores que me causou, mas porque descobri que nenhuma religião me torna o que devo ser. Deixei a religião porque ela não me significa o ser gente. Deixei a religião por ver – diariamente – que ela é a promovedora das guerras, dos desamores, das diferenças, de tudo que nos afasta um do outro.

Deixei de ser religioso, para sempre. Prefiro ser gente, eternamente,
Mais uma vez: Simples assim.


Boa semana.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

SEJA QUEM VOCÊ É, MAS SEJA DE VERDADE. SÓ ASSIM PODEMOS CONVERSAR.



Por mais íntimos que sejamos, casados, amantes, próximos, juntos, cúmplices, namorados, gêmeos, amigos, irmãos, pais, mães, filhos, filhas, companheiros, sócios, parceiros; por mais grudados um no outro que possamos ser, mesmo assim somos únicos. Nosso outro não é quem somos. Esse outro de nós pode até sentir o que sentimos a milhares de quilômetros; pode até ouvir o murmúrio de nossa alma, estando nós em outro lugar – não importa o fuso horário; pode até mesmo ver como estamos, com os olhos da intimidade. Mas ele não é quem somos. Se for há algo de errado.

A sabedoria judaica diz que: “Se você é você porque eu sou eu, e eu sou eu porque você é você; então nem você é você, e nem eu sou eu. Mas se você é você, porque você é você, e eu sou eu porque eu sou eu; então você é você e eu sou eu, e nós podemos conversar.”.

A conversa, ato de um falar e o outro invariavelmente ouvir; é condição vital para podermos viver. Sem conversar tendemos ao desequilíbrio, mental, emocional e até físico. Conversar não é somente falar; conversar é poder falar quem somos de verdade. Falamos quem somos e somos o que seremos.

***

Os mentirosos não conversam, eles afirmam. A mentira é a afirmação pura e simples, é o veredito inquestionável, a certeza absoluta; isso é a mentira. Ao contrário da verdade que é completamente maleável, não invasiva, nem controladora, nem assertiva, a verdade permite a contradição – o dizer contrário a si. A verdade não tem medo do contraditório, porque ela é quem é, não precisa provar-se para ninguém. A mentira já não é assim.

A mentira aprisiona, amarra, impede o voo livre. A certeza prende a si os valores existenciais do outro. Mentira e certeza são a mesma coisa, são cárceres e carcereiros. Ambas são inquiridoras, questionadoras, controladoras, assassinas da liberdade.

A verdade é o contrário. A verdade liberta. Não pergunta, não questiona, não prende ninguém a si, não tenta significar nem valorar ninguém por si mesma. É por isso que Jesus diz que quem liberta é a verdade e não a certeza.

***

Quando sabemos quem somos, podemos ouvir quem o outro é e falar quem somos, tendo a certeza que um “ser” não brigará com o outro “ser”. Serão dois seres conversando por saberem quem são.

É somente dessa forma que a vida pode seguir em paz. Estejamos nós juntos ou separados; mas sempre conversando, porque sabemos quem somos.


Bom dia, seja você quem for.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O TEMPO DAS COISAS PRECISA SER RESPEITADO – (não sei se é o melhor título).

“Há tempo para tudo, o momento certo para toda intenção debaixo do céu – Tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar, tempo de ferir e tempo de curar, tempo de derrubar e tempo de construir, tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear o luto e tempo de dançar, tempo de jogar pedras e tempo de recolher pedras, tempo de abraçar e tempo de afastar, tempo de procurar e tempo de desistir, tempo de guardar e tempo de descartar, tempo de rasgar e tempo de costurar, tempo de silenciar e tempo de falar, tempo de amar e tempo de odiar, tempo de guerra e tempo de paz.” Eclesiastes 3:1 a 8.

O conselho de Salomão é mais profundo que o simples entender o “preto e branco” das coisas da vida. Ele diz em seu poema divino que um tempo não pode invadir outro tempo, para que não haja um estado de desequilíbrio emocional, para que o coração não sofra fisicamente a ponto de querer parar de bater; para que a mente não trave a ponto de ficar louca; para que a alma não sofra a ponto de fazer o corpo adoecer.

O tempo de nascer não pode invadir o tempo de morrer, porque senão ficaremos velhos insuportáveis;
O tempo de plantar não pode ser mais que o tempo de arrancar, porque senão ficaremos sem alimento – ele se estragará agarrado ao chão;
O tempo de ferir não pode ser maior que o tempo de curar, porque senão ficaremos insensíveis à dor – nossa e dos outros;
O tempo de derrubar não pode tolher o tempo de construir, para não ficarmos morando em ruínas o tempo todo;
O tempo de chorar nunca pode ser maior que o tempo de rir, para não nos tornarmos melancólicos compulsivos – viciados em tristeza;
O tempo de prantear o luto, jamais pode ser maior que o tempo de dançar, para não perdermos a alegria de ver o sol nascer de novo nos dizendo: estás vivo. Dance!
O tempo de jogar pedras não pode ser maior que o tempo de recolher pedras, para não nos tornarmos hipócritas observando somente os erros alheios, esquecendo-nos dos nossos;
O tempo de abraçar precisa respeitar o tempo de afastar – de abraçar, para que a vida se estabeleça livre de qualquer laço, mesmo que seja um abraço;
O tempo de procurar acaba quando o tempo de desistir, diz: chega! Não há nada aqui.
O tempo de guardar não pode ser mais que o tempo de descartar, para que nossa vida não se encha de lembranças dolorosas;
O tempo de rasgar a carne para nascer de novo, precisa respeitar o tempo de costurar a carne ferida pelo parto;
O tempo de silenciar é tão importante quanto o tempo de falar. Sem esse equilíbrio nunca poderemos ouvir;
O tempo de amar precisa ser vivido mais intensamente que o tempo de odiar, para que quando o ódio chegue, passe rápido, numa noite;
O tempo de guerra precisa ser vivido com coragem, para que o tempo de paz seja reverenciado.”

Pense no tempo que Deus está lhe dando para viver agora. Não permita que outro tempo entre nele, não deixe que seu tempo de agora seja contaminado pelo tempo de ontem, nem roubado pelo tempo de amanhã.

Viva seu tempo com toda a intensidade que ele merece, pois um tempo contrário sempre virá. Se hoje o tempo é bom, viva-o com toda a intensidade de seu ser, sem medos, sem receios, sem nada que te roube esse tempo.

É por isso que “há tempo para tudo, o momento certo para toda intenção debaixo do céu...”.
Viva o tempo que DEUS lhe dá para viver, agora. Viver fora deste tempo é pecado.

Bom dia.
Boa semana.


Tomado pelo Espírito, silencio diante do tempo que ELE me dá. Bendito seja.

domingo, 3 de agosto de 2014

TRANSFORMANDO A MORTE EM UTENSÍLIO DE VIDA.

O ensino de Jesus parece chegar ao ápice, concentrado em alguns poucos registros dessa profundidade de ensino, no livro de Marcos. No momento anterior, Jesus repreende ao discípulo puro de coração, porque seus sentimentos de preservação, estavam agindo como um “atrapalhador” um Satã. Os sentimentos de preservação de Pedro estavam atrapalhando a ele, Pedro, de entender que para Jesus ser quem era, O Messias, ele, Jesus, precisava PASSAR pela morte. E passar pela morte é exatamente isso, passar por ela, atravessá-la, mergulhar nela e boiar do outro lado, sair dela deixando-a para trás. Não podemos viver se não deixarmos a morte para trás. Esse foi o ensino repreendedor de Jesus ao aluno franco, impetuoso e de coração puro.

Mas antagonicamente, a esse “passar pela morte”, deixando-a para trás, chama o coletivo que o seguia, chama a multidão para perto de si, e diz aparentemente o contrário. É sobre isso que quero tratar com você hoje. Vamos ao texto.

“A seguir, Jesus chamou para junto de si a multidão e os alunos e lhes disse:
‘Se alguém quiser me acompanhar, deverá dizer não a si mesmo, pegar sua estaca de execução e me seguir. Quem desejar salvar a própria vida a destruirá, mas quem a destruir por minha causa e por causa das boas-novas a salvará. De fato, que benefício obterá alguém em ganhar o mundo todo, esquecendo-se, porém, da própria vida? O que uma pessoa daria em troca de sua vida? Se alguém se envergonhar de mim e do que digo nesta geração adúltera e pecaminosa, o Filho do Homem também se envergonhará dessa pessoa quando vier na glória do Pai com os santos anjos’.”
Marcos 8:34 a 38

Dois momentos distintos, porém similares, se mostram antagônicos no texto de Marcos. Primeiro, nos versos 27 a 33, Jesus diz claramente que para é viver é necessário morrer, agora ele diz que para ficar vivo devemos levar a morte conosco. Que coisa.

No primeiro momento Jesus está em particular com Pedro, tendo os outros alunos mais afastados, porém por perto; nesse momento todos os alunos que possivelmente tenham ouvido e comungado do cuidado daquele aluno para com seu mestre, foram repreendidos em Pedro. O sentimento de amor por Jesus não poderia inviabilizar o destino de Jesus. O cuidado com o ente amado não poderia impedi-lo de chegar à morte. No segundo momento, Jesus sai do “quartinho” onde estava com Pedro e o “mata” diante de uma multidão. Suas palavras são fulminantes para todos os que desejam ser salvos, ser santos, ser amados pelo Pai ETERNO. As palavras de Jesus carregam uma verdade quase que assassina, a verdade fatal:
                PARA VIVERMOS PARA SEMPRE, PRECISAMOS CARREGAR A MORTE CONOSCO.

Carregar a morte, ou o que nos mata, não significa morrer, mas saber que muitas coisas que carregamos em nossa vida deverão morrer para dar lugar ao “que nos mata”. Essa foi a sentença dos alunos de Jesus. Quem desejasse viver uma vida de “paz e amor” deveria aceitar a execução divina:
                VIVER CARREGANDO A PRÓPRIA MORTE;

Gosto muito de traduções e interpretações livres, gosto de tudo que é desteologizado. Esse texto em especial, carrega um significado estupendo para mim. “Carregar o que me mata”.

Jesus diz para todos que desejam segui-lo, seguir após ele, serem iguais a ele, serem sucessores dele, que não há outra forma de fazermos isso, a não ser carregando o que nos mata. “Tomar a cruz”, não é beber a morte como se fosse uma porção mágica, ou um antídoto para a eterna juventude ou para a vida eterna, “tomar a cruz” é carregar a morte no tuntum; é fazer dela utensílio indispensável nessa viagem de vida. Eu disse “viagem DE vida” e não “viagem DA vida”.

A preposição DA carrega e si, a estagnação, a finalização, a possibilidade, que parece ter sido pinçada por pessoas que em sua simplicidade e até honestidade no trato das coisas espirituais, se perderam no mergulho desses mistérios. Essas passaram a acreditar que a “viagem DA vida” é a morte. Mas a morte não é boa e então essas pessoas simples, para acalmarem a dor de suas impossibilidades, de seus fracassos – normalmente amorosos – NA vida, passaram a crer que teriam uma “segunda chance” de viver para amarem o que lhes era eterno. Assim surge – em uma explicação simplória – a doutrina da reencarnação, que é tratada por Jesus no capítulo oito de Marcos, quando ele pergunta aos seus alunos quem dizem que eu sou” (...). QUANDO A MORTE SE TORNA A VIAGEM DA VIDA TUDO NELA, NA VIDA, É MORTE. TUDO VIRA SOFRIMENTO, OS MOMENTOS MAIS FELIZES VIRAM PUNIÇÃO, PORQUE ALGUMA IMPOSSIBILIDADE, QUE ÀS VEZES É COMPLETAMENTE TRANSPONÍVEL, VIRA CARMA REENCARNATÓRIO. Aí esse ser sofrido, esse “morto vivo”, diz para si mesmo diante do espelho: “nessa vida não deu, mas na outra eu consigo...”. Que tolice. Com todo o respeito que devo a todos que creem diferente de mim. ISSO É TOLICE. VOCÊ NÃO TERÁ E NUNCA TEVE OUTRA VIDA PARA VIVER O QUE VIVE AGORA!!!!

A Bíblia diz de forma clara em Hebreus capítulo 9, verso 27: ...AOS SERES HUMANOS ESTÁ ORDENADO MORREREM UMA VEZ, VINDO DEPOIS DISSO, O JUÍZO.... Mais claro que isso, impossível.

Se você acredita que as impossibilidades da sua vida, derivam-se de “uma outra” existência passada e que em uma futura existência, você conseguirá realizar tudo que não conseguiu, me responda: POR QUE VOCÊ NÃO LEMBRA DE “ONDE ERROU” PARA PODER “NÃO ERRAR DE NOVO”? Estranha essa amnésia existencial.

Trazer a morte na “viagem DA vida”, é perder a vida por medo de viver. (...)

Porém, nosso entendimento, a meu ver, deve ser de que a morte faz parte da “viagem DE vida”. A preposição “DE” carrega em si, a eternalidade, a infinitude, o imenso leque de possibilidades que a VIDA nos apresenta para VIVERMOS bem e felizes. Simples assim!

Quando carregamos a morte em nossa viagem DE vida, podemos usá-la para “matar” tudo que nos atrapalha de chegar ao objetivo de nossas vidas. Carregando a morte como utensílio NA vida, ela passa a ser nossa amiga na caminhada para a felicidade. Simples assim.

Lembre-se, se só temos uma vida, não vivê-la de forma proveitosa nos porá diante do ETERNO, senhor de toda vida, para prestarmos conta das vezes que morremos em vida, quando deveríamos ter encarado a “dor do parto” para vivermos felizes para sempre, até que a morte, de fato, chegue.

Carregar o que nos mata para cumprir o destino traçado pelo ETERNO é saber que nessa caminhada DE vida, rumo à VIDA ETERNA, teremos dores, aflições, tristezas profundas (...) mas tudo isso, com o gosto adocicado de viver a vida como ela deve ser vivida. Quando carregamos o que nos mata, matamos o que nos maltrata, a morte que carregamos serve de proteção contra as mortes que tentam nos matar. Quando carregamos nossa “própria morte” matamos a possibilidade de que a “morte dos outros” nos mate. Quando carregamos o que nos mata e depositamos “isso tudo” aos PÉS DO SENHOR! – só aos pés d’ELE, bendito seja ELE, tudo se resolve com o mínimo de dor, de angústia, de sofrimento. Não com a ausência deles, mas com a dose exata que podemos suportar.

O que você daria em troca de sua vida? Ela própria? Como você vai viver se não tem mais vida?
Foi por isso que Jesus morreu, para que tivéssemos a possibilidade de VIVER nossa vida de forma abundante, carregando tudo que nos mata, n’Ele.

Deixo você neste domingo, 3 de agosto de 2014, com a dura e doce afirmação de Jesus:

“Se alguém se envergonhar de mim e do que digo nesta geração adúltera e pecaminosa, o Filho do Homem também se envergonhará dessa pessoa quando vier na glória do Pai com os santos anjos’.”

Pense nisso.
Com todo amor e reverência diante do ETERNO, meu Deus; bendito seja Ele.

Uma ótima semana para você.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

NOSSO REI EMANUEL



NOSSO REI EMANUEL
Alexandre Rocha

Grande é o Senhor,
Nosso Eterno Deus
Grande é nosso Pai,
Digno de Louvor

Grande é o Senhor,
Nosso Eterno Rei
Deus de Toda glória,
Soberano Rei dos reis

Toda glória,
Seja dada a Ti
Soberano Deus

Toda a glória
Sejas para sempre

Nosso Rei Emanuel

ESTAMOS CLAMANDO, SENHOR! MISERICÓRDIA.


MISERICÓRDIA, LOUVOR E ADORAÇÃO
Alexandre Rocha

Misericórdia!
Estamos clamando Senhor.
Misericórdia!
Derrama em nós teu favor.

A Tua Bondade Senhor,
Enche de Paz nossa vida.
E com Tua Graça Senhor,
Escutas a nossa oração:
Te adoramos, Senhor,
Rendemos louvor só a Ti;
Te adoramos, Senhor,
Rendemos louvor só a Ti;

Seja onde eu for,
Não importa a dor
Que um dia eu venha a sentir.
Eu Te adoro Senhor

Me rendo, em louvor só a Ti.

NADA ME FALTA...

Ministração no domingo, 27 de julho de 2014.

O SENHOR É MEU PASTOR (Salmo23)
Jorge Rehder e Nelson Bomilcar

O Senhor é o meu Pastor
E nada, nada me faltará.
Nele descansa o meu coração
E nada, nada me abalará.

Ainda que eu ande pelo vale escuro
Ele me protege, me faz seguir seguro.
Guarda minha vida,
Na luta com inimigo,
A vitória é certam Deus é meu amigo.

O Senhor é o meu Pastor
E nada, nada me faltará.
Nele descansa o meu coração
E nada, nada me abalará.

É certo que a bondade
E o amor de Deus
Estão bem junto a mim,
Sempre até o fim.
Até que habitarei na casa do Senhor
Todos os dias eternamente.

O Senhor é o meu Pastor
E nada, nada me faltará.
Nele descansa o meu coração
E nada, nada me abalará.

domingo, 20 de julho de 2014

REVELADOS POR DEUS, INSPIRADOS POR SATANÁS.

Não sei se esse título seria o melhor. Mas é por aqui, e antes de entrar no ensino do texto, propriamente dito, preciso fazer algumas considerações sobre alguns termos que estão contidos nele.

“REVELADOS POR DEUS”. A intenção é dizer que muitas pessoas tem recebido revelações vindas da parte do ETERNO. O termo ‘revelar’ significa, tirar o véu, ‘desvelar’, mostrar o que é. Em meu entendimento, muitos tem sido ‘revelados’ por Deus. Ou seja, o ETERNO, lhes tem mostrado alguns direcionamentos, situações (...), algo de novo, de desconhecido. Lhes tirou o véu dos olhos e eles passaram a ver o que antes lhes era ‘impossível’.

“INSPIRADOS POR SATANÁS”. O termo ‘inspirar’, significa: ‘Infundir sentimento, emoção, estado de espírito; Impressionar muito, despertando em alguém vontade de criar ou realizar algo; Sofrer influência ou seguir o exemplo de alguém, para realizar algo’. É neste sentido que o título desse artigo foi construído.

Revelada minha intenção, vamos ao texto e ao estudo de hoje.

“Jesus e os alunos – discípulos – continuaram percorrendo as cidades de Cesareia de Filipe. No caminho, ele perguntou a eles: ‘Quem as pessoas dizem que eu sou?’. ‘Alguns dizem que você é João, o Imersor’, eles lhe disseram, ‘outros, que é Elias – Eliyahu –, e há quem afirme: um dos profetas’. ‘E vocês’, ele perguntou, ‘quem dizem que eu sou?’. Kefa respondeu: ‘Você é o Machiach – Messias’. Então Jesus os advertiu de que não dissessem nada, a ninguém, a seu respeito. Ele começou a lhes ensinar que o Filho do Homem deveria suportar muitos sofrimentos, ser rejeitado pelos anciãos, principais Sacerdotes e mestres da Torah. Após isso, seria morto, mas, depois de três dias, ressuscitaria. Ele lhes falou claramente sobre o assunto. Pedro o levou para o lado e começou a repreendê-lo. Entretanto, Jesus se virou e, olhando para os alunos – discípulos – repreendeu Pedro: ‘Afaste-se de mim, Satan! Seu raciocínio procede de uma perspectiva humana, e não do ponto de vista de Deus!’.”. Marcos 8:27 a 33.

Ao deparar-se com a explicação da revelação recebida, Pedro parece não ter entendido absolutamente nada. No evangelho de Mateus capítulo 16, verso 17, Jesus diz a Pedro e aos outros alunos que sua afirmação, era na verdade uma revelação, pois não era produto de nada humano, mas sim, de uma intervenção Divina em sua cognição. A afirmação de que Jesus era o Messias, o filho vivo de Deus, não foi entendida por Pedro.

Como já disse em artigo anterior, no jogo da colocação das palavras, o sentido é torcido e distorcido ao bel prazer do tradutor, e eu me incluo entre esses prováveis “distorcedores”. Isso por que minhas livres traduções de alguns textos da Bíblia, não seguem padrões preestabelecidos, seguem meu entendimento espiritual do que leio. Além disso, em meu coração se estabelece a certeza proveniente de uma relação totalmente desprovida de “prés”. Minha relação com o ETERNO não está baseada em liturgias, nem em dogmas, nem doutrinas, nem em religiões, nem em estereótipos quaisquer. Minha relação com o ETERNO, bendito seja ELE, se estabelece dentro de mim, não mais com certezas, mas com verdades. Sei quem sou e estabeleci como meta de Louvor ao Criador, ser o que serei.

Mesmo ao receber a revelação por parte de ADONAY, que Jesus era o que seria: o FILHO VIVO DE ELOHIM, Pedro não entendeu isso, mesmo depois do possível exaustivo ensino do que significava se um FILHO VIVO – como já expliquei minimamente em artigo anterior.

Nesse assustador momento na vida daquele aluno impetuoso e sincero, agir era imprescindível: “... de modo nenhum isso te acontecerá!”. A força do texto em hebraico deixa clara a intenção daquele aluno de impedir a todo custo que seu mestre morresse. Para que você possa entender a força da revolta do aluno, se o episódio tivesse acontecido em nossos dias, o gesto retrucante de Pedro seria acompanhado pela enfática frase: “... nem pelo c%$#@&*, você vai morrer. Eu não vou deixar...”. A repreensão de Pedro a Jesus foi completamente natural, não há nada de diferente, nem nada de estranho, muito menos de demoníaco. O gesto de Pedro foi completamente natural, totalmente humano, movido pela mesma pureza que o capacitou ser o receptor da revelação Divina.

Porém, o efeito do seu ato/gesto, registrado em palavras escritas durante dois mil anos, foi da mesma forma divina, repelido pelo santo professor. Afaste-se de mim, satan!” Quanta dureza, quanta força, quanta frieza vinda da parte de um bondoso professor. Bondoso sim, mas uma pessoa direta e objetiva, sabia o que queria, sabia para onde ia, sabia onde queria chegar.

A religião ocidental, desestudada e desentendida das verdades bíblicas, sobretudo daquelas oriundas da verdades sócio/religiosa/cultural do judaísmo, transformou o adjetivo “satan” em um ente “Satan”. Isso tem feito uma grande confusão, no mundo inteiro. O mundo religioso criou o ser mas o que existe é o termo, que define uma função. “Satan”, entre outras coisas, significa “aquele que impede”. Naquele momento a emoção de Pedro estava tentando impedir que Jesus cumprisse seu objetivo que era morrer para se tornar o FILHO VIVO. Sem morte não poderia haver Messias; sem morte não poderia haver salvador; sem morte não poderia haver salvação. Jesus não chama Pedro de Satan, chama de satan o que produziu nele um sentimento melancólico e inseguro.

Uma última explicação é necessária. O sentimento apaixonado de Pedro por Jesus, só foi repreendido pelo Mestre, porque o afetou, porque mexeu com ele, porque fez com que questionasse a possibilidade de amar mais que morrer.

Aplicando para nossa vida diária. Muitas vezes o ETERNO nos revela um lindo futuro de vida, de bênção, de paz, amor e tranquilidade. Porém, invariavelmente para que essa nova vida eterna venha a existir, morrer é necessário. Porém não queremos que essa “morte” ocorra, nos tornamos Pedro e deixamos que nossos sentimentos de “vida” nos tire a visão de eternidade, e dizemos em nossas preces que não queremos passar pela morte. Mas não existe outra forma de viver eternamente, se não houver uma morte. Pense nisso.

Qual vida lhe foi revelada? Qual vida o ETERNO lhe mostrou que existe depois da curva? Qual vida você viu diante dos seus olhos em um lampejo instantâneo? Linda, né? Se você acredita que essa vida pode existir para você, saiba que antes dela uma morte é necessária. Isso é irremediável.

Viver para sempre é totalmente diferente de viver eternamente. O para sempre tem a ver com estar vivo; por sua vez, viver eternamente tem a ver com os valores íntimos que nos perpetuam a existência, mesmo depois de nossa vida se for. Se pensarmos assim, morreremos mas continuaremos eternos na vida daquele a quem tocamos com nossa vida. Se não for assim, esse “... raciocínio procede de uma perspectiva humana, e não do ponto de vista de Deus!’.”.


Deus lhe abençoe.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

MAIS DE MEIO SÉCULO. COMEÇANDO A TERMINAR A VIAGEM.



Hoje, completo 52 anos de vida. Uma Graça incomensurável do ETERNO. Só eu sei as esquinas que passei até chegar aqui. Não foram poucas (...).

Foram muitas dores, muitos sustos, muitas bênçãos (...), muita coisa mesmo. Nesse caminho, que entra na linha descendente, porém não menos viva, não menos criativa, não menos nova, não menos surpreendente, fui presenteado com quatro lindos filhos. Eles são a minha eternidade, eles carregam em si aquilo que sou. Não são iguais a mim, são melhores. Eles me melhoraram, foram gestados em úteros de duas mulheres que me lapidaram dentro de si, para gerarem os seres melhores que nós – elas e eu – que são nossos filhos.

Nesse voo, que agora aponta para baixo, porém não raso, nem acidental, construí amizades. Umas verdadeiras, outras nem tanto; mas não me arrependo de nenhuma. Todas me fizeram crescer, aprender e entender um pouquinho mais sobre mim mesmo. Nesse planar nas asas da existência, não gasto mais meu tempo brigando por times, por política, por políticos, por doutrinas, por religiões, por certezas (...); tento olhar tudo de cima observando como a vida é cíclica. O que hoje é, amanhã não é mais (...). As lutas pelas vitrines foram deixadas para traz na mesma proporção que eu me escondi em mim. Só não dá para mudar quem sou; sou assim espalhafatoso desde criança... já dizia minha saudosa e querida mama Ruth.

Nesse mergulho que faço sozinho, não por falta de companhia, mas porque só caibo eu no cockpit, tenho aprendido “apreciar a viagem”. Envelhecer sempre foi uma realidade distante, quando eu tinha 18 anos, hoje é um sonho presente. Olho para o espelho e vejo como é bonito ficar velho. Como para mim é gracioso perceber cada ruga nova, ver quantos pelos se fizeram brancos em minha barba, nos últimos meses; e quantos deles se escondem nos desgrenhar dos cabelos. Observar o corpo modificar é em certos momentos hilário, perceber que me sumiram “partes” do corpo; descobrir outras saliências antes escondidas pelas curvas da juventude chega a ser engraçado. A poesia “Sapato Velho”, de Mú Carvalho, Cláudio Nucci e Paulinho Tapajós é verdade para mim. Não sei quantos que depois dos 50 se admitem “sapatos velhos”, porém ainda úteis para “esquentar pés frios”. Me olho, me vejo assim (...).

Nessa caminhada que já passa de meio século, dividindo bênçãos, dores, paixões, rancores, perdão, suspiros, prazeres, desenganos, desapontamentos, certezas, verdades, mentiras, ilusões, fartura, penúria, escassez, bonança, vitórias, derrotas, ajuntamentos, afastamentos, proximidades, separações, perdas e ganhos (...), amei uma vez e nunca mais desamei (...).

Ano passado, 17 de julho de 2013, eu e a esposa Lena, recebemos de presente do amigo Raimundo Barreto, alta do hospital São Lucas junto com um recipiente que continha um dos lados da minha tireoide com um tumor de quase seis centímetros (...). A “festa” de aniversário foi aqui no lar dos primos queridos, Osamir e Helen, onde convalesci (...). Hoje, um ano depois, estou novamente neste lar (...), minhas esquinas não terminaram (...). Sinto falta de muitas pessoas importantes que se foram da minha vida, a maior falta é de mama Ruth, de abençoada memória, que já está com o ETERNO.

Nesses anos, a vida não se tornou mais fácil, mas sim, menos difícil. “Mais fácil” não é o mesmo que “menos difícil”. A primeira refere-se ao relaxamento das tensões existenciais, a segunda diz respeito à capacidade de lidar com essas tensões. Experiência. Paulo o apóstolo dizia que as tensões, as angústias, produziam nele um estado de quase prazer, porque ele sabia que cada nova tensão o faria mais paciente, mais experiente, mais esperançoso; mais confiante na soberania DIVINA. Não sei se tenho tal capacidade, mas tenho tentado enfrentar as esquinas da minha vida com o mínimo de sabedoria.

Hoje meus rompantes são em menor quantidade, mas não menos intensos; meus atrevimentos comedidos, mas não menos ferinos. Me olho e me vejo um barquinho no meio da correnteza, atravessando de “ladinho” para não afundar (...); tenho de deixar os que navegam em mim, na outra margem, em lugar seguro e depois seguir minha viagem.

Hoje completo 52 anos. Tenho quatro filhos e escrevi um livro. Só me falta fincar as raízes de uma árvore na terra e vê-la crescer.

Obrigado a todos que participam dessa caminhada, ontem e hoje. Me perdoem o texto meio “cara amarrada”. Mas não é todo dia que se vive pouco mais de meio século, não tendo e tendo de ter pra dar. “Sabe lá...”.


DERRAME O ETERNO, BENÇÃOS SOBRE TODOS NÓS.

domingo, 13 de julho de 2014

TODO MUNDO QUER VIVER PARA SEMPRE, MAS NINGUÉM QUER MORRER...

... continuando o estudo do trecho de marcos oito. Vamos ao texto.

“Jesus e os alunos – discípulos – continuaram percorrendo as cidades de Cesareia de Filipe. No caminho, ele perguntou a eles: ‘Quem as pessoas dizem que eu sou?’. ‘Alguns dizem que você é João, o Imersor’, eles lhe disseram, ‘outros, que é Elias – Eliyahu –, e há quem afirme: um dos profetas’. ‘E vocês’, ele perguntou, ‘quem dizem que eu sou?’. Kefa respondeu: ‘Você é o Machiach – Messias’. Então Jesus os advertiu de que não dissessem nada, a ninguém, a seu respeito. Ele começou a lhes ensinar que o Filho do Homem deveria suportar muitos sofrimentos, ser rejeitado pelos anciãos, principais Sacerdotes e mestres da Torah. Após isso, seria morto, mas, depois de três dias, ressuscitaria. Ele lhes falou claramente sobre o assunto. Pedro o levou para o lado e começou a repreendê-lo. Entretanto, Jesus se virou e, olhando para os alunos – discípulos – repreendeu Pedro: ‘Afaste-se de mim, Satan! Seu raciocínio procede de uma perspectiva humana, e não do ponto de vista de Deus!’.”.
Marcos 8:27 a 33

Após tipificar o “ser” Filho de Deus como um “filho da humanidade”, um ser sofredor, rejeitado pelo que é, pelo que pensa, pelo que vive, pelo que sente. Essa rejeição vem dos sacerdotes, dos donos da religião, daqueles que se entendem representantes de Deus na terra. Depois disso tudo, depois de lhes fazer entender que ele, Jesus, se tornaria o primogênito do Pai, aquele que primeiro nasceria por meio desse ritual mortal, ele lhes afirmou que ressuscitar e viver para sempre é o prêmio para todos aqueles que tiverem a coragem de aceitar o fato de ele ser o Filho de Deus.

Mas há uma questão interessantemente subliminar aqui: para ressuscitarmos, temos de morrer primeiro. É nesse ponto que entendo algumas variantes do ensino de Jesus para os dias de hoje.

Naquele tempo, naquele dia, o Mestre estava ensinando aos seus alunos que a morte é um ritual de passagem necessário para a vida. Não há outra forma de vivermos uma nova vida sem que a morte realize isto. Para nascer o feto tem de morrer de sua vida de feto para se tornar um “recém nascido”; para se tornar uma mulher a menina tem de morrer por meio do sangramento menstrual; para se tornar um homem o menino tem de abandonar a casa paterna e ser “dono” de sua própria casa. Para viver um grande amor o casal tem de deixar morrer o que lhes impede de realizar o sonho. Não há vida sem que primeiro haja a morte. Essa é a mística que une família e tragédia em um só ato.

Viver para sempre é o que nos espera como seres humanos, a morte é um rito de passagem para essa eternidade. Mas ninguém quer morrer para viver pra sempre, todos queremos eternizar o que é finito, findável, terminável, inconstante (...). Todos, queremos eternizar o que não pode ser eternizado. Só há eternidade por meio da não eternidade; só há infinidade por meio da finitude. É dessa afinidade entre morte e vida que nascem os filhos de Deus, aqueles que viverão para sempre.

Estar vivo não é viver. Estar vivo é não morrer. Pode-se estar vivo sem se estar vivendo, pode-se apenas estar “empurrando a vida com a barriga”, pode-se estar acomodado a um estado de tragédia onde viver é um sonho distante. Enfrentar a tragédia é romper a morte, morrendo para poder viver a vida.

Por outro lado, viver não tem muito haver com estar vivo. Alguém que está morrendo pode viver a vida mais intensamente que alguém que está vivo, mas não aproveita da vida. Só vive quem tem a coragem de enfrentar a morte daquilo que impede que a vida aconteça, seja uma mudança de lugar, uma mudança de companhia, uma mudança de emprego, uma mudança de atitude, (...). Na maioria das vezes as mudanças tem representado a morte para a maioria de nós. “Mudar é preciso, mas não é fácil” e não estou dizendo o contrário.

Posso entender que quando Jesus disse que para que ele viesse a ser quem era, teria de morrer primeiro e ressuscitar depois, entendo que ele estava falando, não somente do fato real de sua morte e ressurreição, como ocorreu, mas também de um ritual de passagem para nossa vida. Quando enfrentamos o que nos mata, morrendo pelo que acreditamos, nosso estado de morte é passageiro, no discurso de Jesus, três dias. Mas em nossa vida, nem todo estado de morte dura apenas três dias, uns podem durar 30 anos ou mais. Porém o importante é que ao enfrentarmos a morte, morrendo, nossa ressurreição é fato. Não há como ressuscitarmos se não enfrentarmos a morte. Não há nova vida sem a morte da velha vida.

Muitas vezes estamos mortos vivendo de lembranças. As lembranças embalam o lúdico, o imaginário, mas são como droga que anestesia da certeza de que precisamos matá-las, deixando-as para podermos realizar a vida. Viver não é fácil e não estou dizendo que é, mas viver a vida é divertido, uma experiência única e eterna. Sofremos por querer eternizar o que não pode ser eternizado. As situações passageiras da vida não podem ser eternizadas, as relações não podem ser eternizadas e Salomão em sua sabedoria nos diz isso no seu lamento eclesiástico:

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar; tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar; tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora; tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar; tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.” Eclesiastes 3:1 a 8.

Somente a vida é eterna, mas ela só acontece por meio da morte. Essa me parece ser a mística da vida que vem da morte. Ainda incompreensível para mim, ainda assustadora, mas completamente aceitável. Essa passou a ser a ordem de Jesus para todos que querem segui-lo: “...pega tua cruz e me segue”, ou em tradução livre: “... pega o que te mata e me segue”.

Todos, queremos viver para sempre, mas nenhum de nós aceita morrer primeiro para que isso ocorra. Viver para sempre é fato inquestionável. Fomos gerados pelo ETERNO e por isso a eternidade nos pertence, resta saber que tipo de vida eterna queremos ter.

Pense nisso, reflita sobre isso, se deixe morrer e viva a vida.


Deus lhe abençoe.

terça-feira, 8 de julho de 2014

A CULPA É DO SISTEMA DE GOVERNO E PRONTO!!

Esse artigo não é contra o PT, é contra os governos em todos os tempos. Nenhum governo federal investiu no esporte. NUNCA INVESTIRAM NOS ATLETAS! O exemplo disso que afirmo foi a situação vergonhosa e constrangedora que a atleta brasileira, CAMPEÃ OLÍMPICA Maurren Maggi, passou esse ano, tendo de vender rifas para que seus admiradores jantassem com ela, para poder bancar os treinos para as olimpíadas de 2016, que possivelmente serão no Brasil. VERGONHA!!

NA política dos governos Sarney, Collor, Fernando Henrique, Lula da Silva e agora Dilma, não há trabalho digno para o esporte no Brasil. Como não há para a música, para a educação para nada que possa trazer dignidade de verdade AOS CIDADÃOS. Somente para os miseráveis que por medo de perderem seus “benefícios” ficam mantendo incompetentes no poder.

Perdemos a oportunidade de vencer a Copa do Mundo de Futebol 2014, em nosso País. Muitos dizem que é melhor perder para tentar tirar o PT do Poder. Isso pode não acontecer. Até porque, em minha opinião, nem Aécio nem Campos tem competência para serem presidentes de um País tão rico e diverso em tudo, como o nosso. Basta ver o que fizeram em seus Estados. Porém creio que temos de mudar o que está ai.

A derrota da seleção brasileira para a Alemanha por 6 a 0 – até agora, enquanto escrevo este texto – não é culpa do PT, nem da presidente do País. É culpa de um sistema político que está destruindo o País. Um sistema socialista torpe, pobre, pequeno e burro. O mundo todo está saindo dessa onda socialista, todos estão vendo o que as ditaduras políticas têm feito em países escravizados pelo clientelismo.

Um alerta que deve ser feito em alta voz. OS PERDÕES DAS DÍVIDAS AOS PAÍSES DITATORIALISTAS; AS CONSTRUÇÕES MILIONÁRIAS DE PORTOS ESTRANGEIROS EM DETRIMENTOS DOS NOSSOS; entre outras coisas que devem – e serão por mim – ser expostas aos amigos da minha lista, aqui no Facebook.


Mas continuo afirmando. A CULPA DE PERDERMOS MAIS UMA COPA DO MUNDO DE FUTEBOL, DESTA VEZ EM NOSSA CASA, É DO SISTEMA POLÍTICO BRASILEIRO.

... SOFRIMENTO SIM! MAS NÃO SÓ ISSO.

Quando escrevi o último artigo sobre o estudo do capítulo de Marcos oito, intitulado “O sofrimento é para os filhos”, pode ter dado a impressão que sou masoquista, ou gosto de sofrer (...), não se trata disso. Acredite.

Mas o fato de estarmos vivendo em uma sociedade muito religiosa, para não dizer fanatizada por conceitos religiosos tortos e torpes, faz com que o choque de conceito se faça necessário. Aos filhos de Deus foi dado sofrer pela implantação do Reino. A glória se é que há, virá depois (...).

Porém entendo que existem evidências bíblicas que mostram a existência da alegria e da felicidade – embora alguns pessimistas digam que não. Essa felicidade, esse estado de alegria, esses momentos de total e puro prazer, são proporcionados pelo próprio ETERNO, bendito seja ELE, quando nos olha e nos cuida totalmente.

O livro dos Salmos é uma verdadeira coletânea desses momentos de felicidade.

O Salmo 1, diz que feliz – bem-aventurado – é aquele que tem seu prazer, seu sentimento de plenitude, seu orgasmo emocional e intelectual, preso ao estudo da Lei divina. Erroneamente a religião estabeleceu preceitos legais, sem saber qual é a Lei de Deus. De forma simplista, mas não simplória, a Lei de Deus é o cuidado com o próximo. Só isso. Meditar sobre esse fato e transformar essa meditação em ação é que traz alegria e felicidade àquele que cumpre tal Lei;

No Salmo 4, versos 7 e 8, a declaração de total dependência do Altíssimo é fundamental para o estado de alegria pacífica: “Puseste alegria no meu coração, mais do que no tempo em que se lhes multiplicaram o trigo e o vinho. Em paz também me deitarei e dormirei, porque só tu, SENHOR, me fazes habitar em segurança.”

No Salmo 9, encontramos no verso 2: “Em ti me alegrarei e saltarei de prazer; cantarei louvores ao teu nome, ó Altíssimo.”. O prazer e a alegria dos que reconhecem o ETERNO como seu provedor é clara e pode ser encontrada no verso 10: “Em ti confiarão os que conhecem o teu nome; porque tu, SENHOR, nunca desamparaste os que te buscam.”;

Eu poderia transcrever grande parte do livro dos Salmos, para justificar e comprovar que a vida de filho de DEUS, não é apenas sofrimento. Porém vou me deter a um trecho do verso 11, do Salmo 16, que diz: “...na tua presença há fartura de alegrias;...”.

Fartura de alegrias é o estado em que vive todo aquele que é filho de Deus. O sofrimento é para os filhos, sim. Pelos motivos já apresentados. Mas a fartura de alegria também é para os mesmos filhos. Como pode ser? Seriam os filhos de Deus masoquistas? Não. Nada disso. Os filhos de Deus sofrem por ver a ignorância que graça em meio a desgraça plantada pelos espertalhões, pelos mercenários, pelos agiotas, pelos corretores do Reino. Esses desgraçados que cobram pelo que lhes foi oferecido de graça é que nos faz sofrer, não porque nos ataquem diretamente, mas porque levam milhares de pessoas para um inferno existencial, onde o dinheiro é o deus.

Sofremos por sermos rejeitados pelos “donos da religião”, pelos que se acham superiores ao próprio Jesus. Sofremos porque poderíamos ajudar, mas essa ajuda nos é proibida, até de ser oferecida. Sofremos porque os reis dos best-sellers inoculam suas heresias na mente de pessoas incapazes de raciocinar e ver que o que lhe está sendo apresentado é tudo mentira. Sofremos porque vemos todos ficarem presos num emaranhado de certezas sem nenhuma verdade. Sofremos porque nossa alma se angustia vendo pessoas queridas como ovelhas sem pastor.

Esclarecido o fato de que aos filhos de Deus cabe o sofrimento, mas também cabem todas as alegrias do mundo, deixo a todos a Paz.

Deus lhes abençoe.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

O SOFRIMENTO É PARA OS FILHOS

Continuando o estudo dos versos 27 a 33 do capítulo oito de Marcos, passo a você um resumido entendimento do que entendo sobre o texto em destaque. Devido estar em trânsito entre Itacoatiara/Manaus/Itacoatiara, estou postando esse artigo agora. Deus ilumine seu entendimento.

“Jesus e os alunos – discípulos – continuaram percorrendo as cidades de Cesareia de Filipe. No caminho, ele perguntou a eles: ‘Quem as pessoas dizem que eu sou?’. ‘Alguns dizem que você é João, o Imersor’, eles lhe disseram, ‘outros, que é Elias – Eliyahu –, e há quem afirme: um dos profetas’. ‘E vocês’, ele perguntou, ‘quem dizem que eu sou?’. Kefa respondeu: ‘Você é o Machiach – Messias’. Então Jesus os advertiu de que não dissessem nada, a ninguém, a seu respeito. Ele começou a lhes ensinar que o Filho do Homem deveria suportar muitos sofrimentos, ser rejeitado pelos anciãos, principais Sacerdotes e mestres da Torah. Após isso, seria morto, mas, depois de três dias, ressuscitaria. Ele lhes falou claramente sobre o assunto. Pedro o levou para o lado e começou a repreendê-lo. Entretanto, Jesus se virou e, olhando para os alunos – discípulos – repreendeu Pedro: ‘Afaste-se de mim, Satan! Seu raciocínio procede de uma perspectiva humana, e não do ponto de vista de Deus!’.”.
Marcos 8:27 a 33

Após pedir aos seus alunos que guardassem seu segredo como uma pérola preciosa, afirmando que esse “guardar segredo” lhes diferenciaria das demais pessoas, não, pelo que tinham por fora, mas pelo que eram por dentro, o Mestre passou a ensiná-los que o ser, fruto desse segredo, ao invés de se tornar alguém desejado pelas pessoas que esperam mudanças, passaria a ser rejeitado por todos.

Mas como pode ser isso? Como alguém que se tornaria o Messias esperado por todos, seria rejeitado? A resposta parece estar na maneira em que o ser humano, principalmente os religiosos veem ou esperam seus “escolhidos”. Nessa parte do ensino de Jesus ele se identifica como o “Filho do Homem”, no hebraico, “ben-hadam”, filho da humanidade – em tradução livre. Esse fruto da humanidade, que havia de “ser” o que “era”, o Messias prometido e esperado por todos, o agente de mudança social e religiosa tão desejado por todas as gerações, seria rejeitado e isso lhe traria muito sofrimento.

A teologia moderna é minimalista e orgânica. Ela trabalha para satisfazer as firulas, os hedonismos, os egoísmos, os selfs adoecidos. Essa teologia adoecida e adoecedora, tem a intenção de formar somente pessoas felizes, sem sofrimento, sem rejeição; ela prega e ensina uma prática de vida de aceitação popular pelo que se tem e não pelo que se é. As teologias modernas – todas elas – são contrárias ao ensino de Jesus. Elas não aceitam a rejeição, o sofrimento, a pobreza, a simplicidade, o pouco. Para essa teologia satânica o sofrimento é castigo de Deus, é ação do mal nas vidas dos sofridos. Pobreza então, nem se fala. Os enlouquecidos pela religião, agora dizem que os gordos estão possuídos pelo diabo. Quanta ignorância (...).

Mas o ensino de Jesus é diametralmente oposto a tudo isso. Ele diz que os filhos de Deus PRECISAM passar por sofrimentos. É o sofrimento que lapida o caráter, é o sofrimento que nos põe diante do espelho, é o sofrimento que nos mostra quem somos de verdade, é o sofrimento que nos presenteia com o prazer. Não há prazer sem dor, sem sofrimento. Entender isso faz uma grande diferença na forma com que tocamos nossa vida.

Jesus nos mostra de forma clara que todo filho de Deus – e naquele discurso, ele em primeiro lugar –, somos rejeitados pelos “donos da religião”. Os anciãos, os velhos que carregam em si toda a tradição do “pode/não pode”, rejeitam os filhos de Deus por acharem que são moderninhos demais para “cargo de ‘messias’”; Os “Principais Sacerdotes”, aqueles que detêm o “poder da palavra”, que pensam guardar em si o conhecimento das verdades espirituais, também rejeitam os filhos de Deus, porque possuem uma teologia simplista demais; os “mestres da torá”, ou “escribas”, “escritores”, também não querem nada com os filhos de Deus por entenderem que suas práticas de vida não merecem sequer registro (...).

Particularmente entendo perfeitamente o que é isso. Sei o que é sofrer por ser rejeitado por ser diferente. Não sei se isso me faz um filho de Deus, mas é muito dolorido ser rejeitado pela forma que penso, pelo que acredito, da forma que acredito, como vivo minha relação com o ETERNO. O livro que escrevi com a intenção de tirar o véu dos olhos das pessoas quanto ao dízimo, está sendo “mau visto” por todos que querem manter o povo debaixo do “cabresto das maldições” (...). Acredito que nossas escolhas por aquilo que entendemos ser verdade, e quando passamos a viver essas verdades sem sequer ter a necessidade de provar para ninguém que o que vivemos é verdade, faz a diferença em nossas vidas. Essa verdade que nos alimenta, é assim porque é mantida em segredo. Continuo falando, escrevendo, ensinando sobre a verdade porque fui designado por Deus para fazê-lo. Só isso.

Fico por aqui, pedindo que você tente achar nessas linhas algo que lhe permita entender um pouco mais os motivos dos sofrimentos que está passando.


Deus lhe abençoe.