"Sempre fomos livres nas profundezas de nosso coração, totalmente livres, homens e mulheres.
Fomos escravos no mundo externo, mas homens e mulheres livres em nossa alma e espírito."
Maharal de Praga (1525-1609)

sábado, 10 de janeiro de 2015

PENSANDO MELHOR... ERA TERRORISMO TAMBÉM.



A Pouco comentei um post do amigo pastor Luiz Sayão, que mostrava a verdadeira razão da “intolerância” religiosa que motivou os ataques na França, nesta semana. Quase todas as ilustrações do jornal aterrorizado e dos cartunistas assassinados, são infames. Uma delas mostra um coito anal entre Maomé e Jesus e entre uma ilustração do Todo Poderoso. INFAME O DESENHO. Desrespeitoso ao extremo, horrenda ilustração, sem qualificação (...). Se eu fosse um fanático também mataria (...). Mas não sou e não mato por religião, por política, por futebol. Posso cometer um crime de lesa para defender a quem amo, minha família, meus amigos chegados, para defender minha própria vida. QUE FIQUE CLARO: NÃO APOIO ATOS TERRORISTAS OCORRIDOS NA FRANÇA OU EM QUALQUER OUTRO LUGAR.

MAS TAMBÉM NÃO APOIO DESENHAR “JESUS” COMENDO O RABO DE “MAOMÉ”. Isso é um desrespeito sem igual.

Identificar o que é LIBERDADE é tarefa de todo ser humano que deseja viver em paz aqui nesse plano terrestre; identificar os elementos da LIBERDADE é da mesma forma primordial. Dois dos ingredientes da LIBERDADE são o LIMITE e a TOLERÂNCIA.

Daqui por diante, sempre que se defrontar com qualquer ato de terrorismo contra a LIBERDADE, gostaria que você se perguntasse:

1) HAVIA LIMITE NO EXERCÍCIO DA LIBERDADE?
2) HAVIA TOLERÂNCIA NO EXERCÍCIO DA LIBERDADE?

Se não existir LIMITE e TOLERÂNCIA no exercício de qualquer LIBERDADE, seja de imprensa ou de expressão, não é liberdade; é outra coisa, menos liberdade.

Liberdade é fruto de SABEDORIA e esta sabedoria só é conquistada quando se tem MEDO DE DEUS. Sem TEMOR a DEUS, não há SABEDORIA. Não há, porque entramos no caminho do “TUDO POSSO...”. Pode não!

NINGUÉM PODE USAR SUA LIBERDADE PARA INVADIR A VIDA DO OUTRO;
NINGUÉM PODE USAR SUA LIBERDADE PARA DESRESPEITAR O OUTRO;
NINGUÉM PODE USAR SUA LIBERDADE PARA ATACAR HONRA, CREDO E PREFERÊNCIAS INDIVIDUAIS DO OUTRO.

Sem LIMITE e TOLERÂNCIARESPEITONÃO HÁ LIBERDADE. HÁ TERRORISMO!

Pensem nisso.

Eu estou pensando e não é pouco.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

LIÇÕES QUE MAMÃE RUTH DEIXOU.
“NÃO PERGUNTE: POR QUE?;
PERGUNTE: PARA QUE”.

Palestra ministrada por Mama Ruth em 27 de novembro de 2010. A última.

Hoje, 1º de janeiro, faz quatro anos que Mama Ruth partiu. Acredito que só quem realmente vive a ausência de um ser tão importante como o SER MÃE, pode saber do que falo, e quiçá, do que sinto. De forma alguma gosto de viver na sofreguidão de uma saudade, mesmo que seja a saudade de mamãe, mas é impossível, dela não lembrar com saudade e com um profundo desejo de que estivesse por perto – em vida – para me ajudar a entender algumas facetas da existência. Não sei se me engano – por vontade própria ou por falta de observação apurada – mas muitos dos que conviveram com mamãe, mesmo os parentes mais próximos, introgetaram certas características de mamãe em seus modus vivendi. Porém minha percepção sobre aquela grande mulher de pequena estatura, de gestos leves porém fortes e enérgicos, de semblante angelical mas estupidamente vibrante, é outra. Nos últimos anos de vida de mamãe passei percebê-la como um córrego de água, que contorna com muita facilidade qualquer obstáculo, para chegar ao seu objetivo. Ela já não perdia tempo com o que julgava ser “perda de tempo”. Certas coisas já não lhe prendiam a atenção. Ela estava livre de tudo e de todos. Tão livre que partiu na hora que não queria partir, mas na hora que o ETERNO nosso DEUS a chamou (...) e ela foi. Foi mas deixou muitos ensinos.

Um dos mais interessantes se resume na frase-título deste artigo. Quando alguns de nós chegávamos para pedir conselhos, Mama Ruth nos dizia: “... não pergunte: por que?; pergunte: para que?”. A sabedoria desse conselho da Dona Ruth, ficou – para mim – no campo da admiração catatônica. Isso porque é difícil saber perguntar “para que. Mas acredito ter encontrado em uma historieta de origem chinesa a explicação para essa máxima tão sábia que Mama Ruth alardeava por onde quer que fosse, para quem quer que lhe perguntasse: “... por que isso me acontece?”. Conta essa parábola que:

“Um homem possuía um belo cavalo cobiçado pelo vilarejo onde morava. Ofereceram-lhe uma boa soma para comprá-lo. Ele não aceitou. Passados alguns dias, o cavalo fugiu de seu cercado e desapareceu. Os vizinhos comentaram com o homem: ‘Teria sido melhor vendê-lo!’ O homem reagiu dizendo: ‘Pode ser que sim, pode ser que não.

Certa noite, o cavalo retornou e, como havia se tornado líder de uma manada selvagem, com ele vieram também duas dezenas de outros cavalos. Os vizinhos comentaram: ‘Você fez bem em não vendê-lo!’ Ao que homem respondeu: ‘Pode ser que sim, pode ser que não.’

Certo dia, o filho deste homem foi montar o dito cavalo. Caiu, fraturou a bacia e ficou por mais de seis meses em repouso absoluto. Os vizinhos comentaram: ‘Teria sido melhor vender o cavalo!’ O homem retrucou: ‘Pode ser que sim, pode ser que não!

Nas semanas seguintes ao acidente do filho, eclodiu uma guerra na região e todos os jovens foram convocados com exceção do filho daquele homem, que estava se restabelecendo de suas fraturas. Dessa guerra sangrenta, poucos retornaram com vida e raros foram os que não tiveram alguma sequela física dos ferimentos. Os vizinhos comentaram: ‘Você fez bem em não vender o cavalo!’ Ao que o homem respondeu: ‘Pode ser que sim, pode ser que não!’

O perguntar: “para que isso me acontece?”, é dirigido não a DEUS, ou ao agente causador do desconforto sofrido, mas a nós mesmos. “Para que?” possui a mesma sabedoria do “pode ser que sim, pode ser que não” que a afirmação do homem da parábola chinesa. Ter a coragem de perguntar “para que?” nos coloca como agentes do acontecido, e não como meros espectadores sôfregos (...). Perguntar “para que?” é saber que temos nossa parcela de participação na tragédia que sofremos. Perguntar “para que?” é saber que “toda moeda tem dois lados”, e se tem, uma hora entenderemos os “por quês” dos acontecimentos que nos causam uma aparente desolação.

Pergunte-se. O que teria acontecido com o filho do fazendeiro chinês, se ele tivesse vendido aquele cavalo na primeira oportunidade que apareceu? Eliminando as tragédias, logo diríamos que o rapaz não teria sofrido aquele acidente que o imobilizou por meses, alojando-o sobre um leito, e com certeza com dores terríveis – para si e para seus pais. Porém, foi exatamente aquela tragédia que evitou que aquele rapaz fosse alistado para a guerra, onde muitos de seus amigos fatalmente perderam a vida. Todo acontecimento em nossa vida precisa ser visto como: “pode ser que sim, pode ser que não”.

Em seu livro “Fronteiras da Inteligência” o rabino Nilton Bonder, comenta da parábola chinesa que:

“Tudo que ele fez com o cavalo foi tomar a decisão de não vendê-lo. A ideia de que existe uma decisão correta que vai, no final da história, mostrar-se a mais vantajosa é parte da ilusão e do desejo de controle.” [1]

Quando assumimos com coragem a pergunta “para que ‘isso’ me acontece?”, estamos na verdade dizendo a nós mesmos: “por que essa tragédia não pode acontecer comigo?”; “por que isso só pode acontecer com os outros?”; “o que me faz tão especial para que eu mesmo não seja capaz de ter provocado esse acontecimento para mim mesmo?”. Quando com honestidade, perguntamos “para que?”, quando com sinceridade, dizemos “pode ser que sim, pode ser que não”, diante dos acontecimentos naturais da existência, assumimos que não somos o centro do universo, reconhecemos que fazemos parte de um grande evento chamado vida.

O rabino Bonder finaliza:

“‘Por que não?’ nos libera do destino traçado por acertos e erros do passado e abre a possibilidade de ser o presente o determinador da experiência. ‘Por que não?’ não é a ausência de propósito, mas é o propósito espiritual – o propósito da penumbra e não o da claridade. Sua vantagem está em nos liberar para lutar pelo presente e pelo futuro, em vez de fazer com que nos percamos no imobilismo de ‘entender’ o passado.”

Acredito que era essa a lição que Mama Ruth queria passar quando nos dizia:
“Não pergunte: por que?; pergunte: para que?”.
“Por que?”
“Para que você entenda que a única pessoa responsável pelo que lhe acontece de bom ou de ruim é você mesmo. Seja livre para aprender, meu irmão, seja livre...”

Pelo menos foi isso que – agora – entendi.


Feliz ano de 2015.

No MESSIAS que nunca pergunta o “por que?” de nenhum dos meus pecados – ELE os sabe; mas simplesmente diz, todos os dias: “teus pecados estão perdoados...”.

Mas, “Para que” o ETERNO nos permite cometer – muitas vezes os mesmos – pecados?
PARA QUE tenhamos a certeza – muitas vezes dolorida – de que nada somos sem o SEU perdão.



LOUVADO SEJA ELE.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

ADEUS 2014. BEM-VINDO 2015 – parte final.



Aos AMIGOS.

“Algumas amizades são puro fingimento, mas um verdadeiro amigo é mais apegado que o irmão”. Provérbios 18:24 – Bíblia Judaica Completa.

Muita gente acha que a amizade é sentimento relacional que rege somente o convívio entre pessoas estranhas, mas não rege a relação entre parentes. Eu nunca havia parado para pensar neste fato até recentemente. Muitos de nós não possuímos amigos aparentados. Nossos amigos verdadeiros estão – quase sempre – fora do relacionamento familiar. Por que?

Creio que a resposta é simples de entender, mas difícil de aceitar. Esse fato dá-se porque as pessoas estranhas ao rol familiar, não nos cobram um código de conduta que o grupo familiar nos exige.

A sociedade celular chamada família tem seu próprio código de conduta, que na maioria das vezes impede que possamos compartilhar nossas intimidades com seus membros. Isso porque, invariavelmente, quando abrimos nosso coração e falamos de nós, há cobranças, reclamações, decepções, julgamentos, (...). Fora do convívio familiar esses comportamentos acusatórios não ocorrem então nos sentimos mais confiantes em contar nossos “segredos” a uma pessoa que – quase sempre – nos ouve sem nada julgar. São esses a quem chamamos de amigos.

Durante o ano de 2014 aprendi muitas coisas. Umas por observação, outras por prática. As lições observadas não marcaram tanto quanto as lições praticadas. Com o rabino Nilton Bonder aprendi que: “conversa é o ato de alguém falar e outro invariavelmente ouvir”. Com o mestre Augusto Cury aprendi que diálogo é o alicerce para uma amizade verdadeira. Mas qual a diferença entre conversar e dialogar?

A conversa se prende ao externo, ao fortuito, as igualdades; já o diálogo só acontece quando um confia no outro e conta-lhe segredos, intimidades por saber que não será julgado pelo que contar. Simples assim. A primeira prática tem a ver com a superficialidade das relações; A segunda tem a ver com o reconhecimento do valor do outro, e do reconhecimento de que não se é diferente daquele que segreda – normalmente coisas “cabeludas”, estranhas ao dito comportamento normal da sociedade.

Essa falta de competência em ser família, tem afastado as pessoas. Familiares têm medo de contar seus segredos, suas falhas, seus dramas, seus traumas, seus erros, seus desassossegos, seus desgostos, suas decepções, suas frustrações, seus desejos (...), a outros familiares, pois sabem que esses irão julgá-los como seres fracassados, pessoas idiotas, (...). E esse “achar isso” vem da observação. Pare e pense. QUANTAS VEZES VOCÊ JULGOU SEM PIEDADE ALGUÉM POR ALGUM ATO FALHO NA FRENTE DE SEUS FAMILIARES? Só que você – como acontece com todo julgador – não imagina que seu parente – seja filho, irmão, pais ou outro aparentado – possa vir a cometer IGUAL ato falho. Esse familiar que presenciou sua reação, registrou e identificou esse comportamento como sendo O SEU COMPORTAMENTO PARA ATOS DAQUELE TIPO; então, quando esse coitado se vê em situação igual, sabe qual será sua reação. AÍ “FICAMOS” CALADOS... POIS SE CONTARMOS O QUE NOS ACONTECE SEREMOS ALVO DAS SUAS REAÇÕES MAIS ESTÚPIDAS (...).

Por que nossos parentes procuram ajuda – confessional – de outras pessoas? Porque somos incapazes de entendê-los e aceitá-los. Somos muito bons em julgar nossos parentes (...). É POR ISSO QUE RARAMENTE EXISTE AMIZADE ENTRE PARENTES.

Aprendi com a literatura judaica, que um dos comportamentos que mais vale lutar para obter é ser um bom amigo. Para ser um bom amigo, necessariamente é preciso ter um bom olhar para com quem está conosco – seja esse “estar”, perto ou distante – ; para ser um bom amigo, há necessidade de ser um bom vizinho – não viver arengando com quem está “ao nosso lado”; para ser um bom amigo é indispensável ter um bom coração. O bom coração nunca julga ou pré-julga, nunca tem pré-condições, pré-conceitos, pré-suposições, nunca pensa que (...).

É MUITO FÁCIL SER AMIGO. BASTA DEIXAR O OUTRO SER QUEM ELE REALMENTE É; BASTA ACEITARMOS NOSSO AMIGO COMO ELE QUER SER.

Um amigo de verdade, pode até viver no céu, mas nunca transforma a vida do outro em um inferno; Um amigo de verdade, pode até ser juiz, mas nunca irá condenar seu amigo por viver diferente da “sua” justiça; Um amigo de verdade, nunca vai deixar seu amigo sozinho só porque ele pensa, age ou fala diferente; Um amigo de verdade nunca vai prender ninguém consigo, mesmo que sinta uma grande falta dele; Um amigo de verdade nunca vai culpar seu amigo pela dor – seja ela oriunda do que for – que sente.

Termino esse último post, parafraseando o apóstolo Paulo:

Mesmo que eu fosse um poliglota, mas não tivesse amigos; tudo que eu falasse, seria como um barulho qualquer, produzido por um pedaço de metal.

Mesmo que eu fosse reconhecido como a mente mais brilhante da ciência, ou o religioso mais piedoso do mundo, a ponto de ganhar o prêmio Nobel; sem amigos não seria ninguém.

Mesmo que eu fosse muito rico, e dividisse minha fortuna com as pessoas necessitadas; ou movido por grande remorso ou compaixão, entregasse meu corpo para experiências científicas a fim de achar a cura para as doenças; sem amigos, nada disso se aproveitaria.

Ser amigo é sofrer com o amigo, é ser bondoso com ele – mesmo que não mereça, é não querer o que ele tem, nem ser desonesto com as intenções para com ele. Ser amigo é nunca se achar melhor, ou “mais” que nosso amigo.

Um amigo de verdade nunca deixa que humilhem, nem humilha. Um amigo de verdade sempre sabe que tudo tem uma razão de ser. Um amigo de verdade nunca duvida da palavra de seu amigo, mesmo que haja suspeita dos fatos não serem tão verossímeis (...).

A amizade verdadeira gosta das coisas simples e claras, mas não fica escarafunchando a vida do amigo, só para saber as “verdades” dele....

Amigo de verdade, sofre com as decepções, mas não abandona o amigo. Não abandona porque sabe que ninguém é perfeito (...), e sabe que tudo passa, até a decepção passa. Isso é ser amigo de verdade.

As pessoas podem falhar conosco, podem até falar mal de nós (...); mas se formos amigos de verdade, tudo vai passar, tudo será jogado fora.

Quando somos amigos de verdade, nem traição, nem brigas, nem decepção, nem união ou separação, nem política, nem religião, nem céu, nem terra, nem inferno, nada nos separa. No fim, tudo passa; só a amizade fica.

Feliz 2015. Obrigado por sua amizade.


No MESSIAS que É O MELHOR AMIGO.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

MINHA VERDADE SOBRE O DÍZIMO



Agora você pode ler o livro Minha Verdade Sobre o Dízimo, que foi lançado em maio de 2014. Basta entrar na página em que os capítulos estão identificados e clicar no capítulo que desejar ler.

Para adquirir o livro: em Manaus, entre em contato com o pastor ALEX MENDES pelo fone (92) 98250-5852. E também disponível na Livraria Cristã.

Em Itacoatiara, você pode encontrar na Livraria Vida e comigo, através dos fones: (92) 99202-4186 (WhatsApp) e 98255-1463.

Boa Leitura.

Feliz Natal.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

ADEUS 2014. BEM-VINDO 2015 – Parte I


Para não escrever um “post gigante”, no dia 31 de dezembro de 2014, resolvi fragmentar o tema em alguns posts “menores” (risos). O primeiro dia de cada ano, a partir de 2011, nunca mais será um dia de expectativas, mas de reflexões. Isso por que foi nesta data, dia 1º., que Mama Ruth partiu. Então fica difícil para mim não refletir no “para que?” ela morreu no primeiro dia do ano – para o resto da minha vida. A resposta mais óbvia é: “para que eu reflita sobre o que há de vir após o dia 1º...”.

Então vamos lá.

Mesmo sabendo com certeza que o ano de 2014 inda não acabou – mesmo que passássemos o restante dos dias dormindo – pois faltam seis dias para seu fim. E que nesses dias que restam milhares pessoas irão nascer ainda em 2014 até as 23h59m do dia 31 de dezembro e outros milhares irão deixar esse plano existencial (...), resolvi escrever sobre essa transição.

O ano de 2014 foi um ano surpreendente para mim. Em todos os aspectos. Iniciei de fato o ministério da “Beit-Alef – Casa de Ensino”; lancei um livro que tenta desmitificar a questão do dizimo; voltei ao mercado de trabalho depois de anos sem atuar na área da comunicação e da propaganda; retomei as atividades políticas como agente político; tive as emoções abaladas por diversos acontecimentos. Reencontrei amigos que a tempos não via e fui reencontrado por outros. Emoções antigas afloraram (...). Foi um ano cheio de questionamentos, cheio de aprendizados, cheio de dúvidas e poucas certezas – GRAÇAS A DEUS. As dúvidas pedem respostas e não certezas; as respostas certas devem gerar outras dúvidas (...) e assim é, e assim é estou terminando o ano de 2014. COM PERGUNTAS, COM DÚVIDAS, SEGURO DE QUEM SOU.

Nesse caminhar – pelo menos até agora – causei muitas dores a pessoas que se preocupam comigo, a pessoas que me amam, que se envolvem com a minha vida, mesmo que eu diga: “não”. Não tem jeito (...). Tenho apenas que administrar o ímpeto de “correr” e a realidade de que nem todos têm “pernas para me acompanhar” como eu gostaria.

Nesse caminhar – pelo menos até agora – fiz uma releitura do valor familiar, de como os filhos são importantes na vida da gente. Pude perceber a diferença de cada um e o lugar que cada um deles ocupa eternamente dentro de mim. Pude ver o quanto sou falho como pai, e o quanto preciso melhorar, aprender (...), mas a presente/constante impossibilidade de exercer tais predicados não me “neura” mais. Pude ver a importância de se ter um cônjuge que não lhe julgue, que não lhe imponha regras, nem lhe cobre comportamentos. Pude perceber a importância de ser cônjuge assim. Nesse processo de percepções das presenças também houve a presença da ausência (...); Nesses emaranhados de sentimentos e percepções íntimas e intimistas não saber o que é amar, me arrasa, põe por terra os conceitos pré-definidos pelas convenções sócio-cultural-religiosas. NÃO SEI NADA SOBRE O AMOR.

Nesse caminhar – pelo menos até agora – fui acusado, atacado, chamado de doido, esquizofrênico, irresponsável, mentiroso, tolo e sonhador (...). Mas também fui reconhecido como gente; como ser humano que deixou de ser “super-herói”, que largou a fantasia de “deus-gente”, de “inerrável”, de exemplo de sucesso, de “o cara”. Passei a ser visto como um simples e reles mortal; sujeito a todos os tipos de tropeços, quedas, devaneios, sandices, tolices, traições – as mais tolas; uma pessoa sujeita a momentos de depressão, de vontade de morrer, de vontade de sumir; passei a ser entendido como um homem que tem limites, um sonhador inveterado sim. E ISSO É MUITO BOM! Deixar os estereótipos que maximizam o ser é abençoante.

Esse turbilhão de coisas que me aconteceram quebraram os meus “gessos”, que definitivamente a PAZ vem da obediência aos comandos do ETERNO: aos “sim”, aos “não”, aos “espere”. Aprendi que DEUS não é “preto” ou “branco”, ele é Infinitos tons de cinza. Entendi que o SENHOR prefere a sombra que a luz ou a escuridão. Percebi que muitas vezes o “correto” está errado e o “errado” pode estar certo. Pude ver que não sou um “cocô” boiando nas águas da vida, estou mais para um aprendiz de marinheiro que passa por tempestades e acorda o MESTRE dos mares para que socorra devido a minha falta de confiança. Tenho visto que muitas vezes os “caminhos curtos” podem ser os mais longos, desgastantes e cansativos, e que os “caminhos longos” podem ser os mais curtos e menos turbulentos.

2014, - pelo menos até agora –, tem me ensinado a “contar meus dias”. Estou envelhecendo e isso é bom. Só preciso achar na velhice a sabedoria que preciso para terminar meus dias em paz, comigo e com os que estão no caminho comigo – os de perto e os de longe, como diz o Carlos Bregatin. Mas não pense que por saber-me chegando ao “velhismo”, que me acho um inútil, um inerte, um velho. Não sou e nunca serei um velho. Como diz meu amigo Sanlai Trindade, sempre serei um adolescente. Minha alma é jovial – sem ser hilário ou gargalhante –, meu ímpeto é rompante, não me dou por vencido – só demoro um pouco mais para desatar os nós –, nunca me dou por vencido. SOU UM SONHADOR INVETERADO.

OBRIGADO A TODOS que: duvidaram de mim, que questionaram minha sanidade, minha integridade, meus compromissos com DEUS, meu ministério, minha capacidade profissional, meus valores, meus temores, meus medos (...). OBRIGADO aos que fizeram o contrário de tudo isso: crendo, aceitando, observando, deixando o tempo trabalhar, apostando em minha capacidade profissional e ministerial (...). OBRIGADO POR ME FAZEREM QUEM SOU HOJE.

Quem sou? SOU GENTE, FILHO DO ETERNO.

Feliz 2015.

NELE, que É para sempre.


(...)

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

POR ORA, É FELIZ NATAL.



Amanhã será 24 de dezembro, véspera de Natal. Muitos de nós – da comunidade Facebook – iremos comemorar e “bebemorar” com muita alegria; na companhia de amigos e/ou parentes. Outros farão sozinhos, em suas moradias, ou na “companhia” de muitos outros solitários (...). Outros porém, menos afortunados, não terão muito à comemorar, talvez por estarem de luto ou em luta (...). Mas não importando o participante, AMANHÃ E DEPOIS DE AMANHÃ SERÁ NATAL.

No NATAL comemora-se tradicionalmente o nascimento de Jesus, aquele que veio ao mundo – ocidental – como o filho de DEUS, como o SALVADOR, como o RESTAURADOR do equilíbrio cósmico entre CÉUS e TERRA. E quase todos, desejamos “... que  Jesus nasça em cada coração...” trazendo paz, amor, prosperidade, etc., etc., etc. (...). Porém, Jesus não pode mais nascer; Ele já nasceu e ainda continua vivo. É o ser humano de mais idade, possui mais de dois mil anos.

Estranho pensar assim, mas é a verdade – pelo menos para mim.

Creio que deveríamos desejar é que O MESSIAS, ou o Espírito Dele, nasça, brote, aflore dentro de cada um de nós. Mas pouco sabemos sobre o Messias. Lembrando das palavras do rabi Nilton Bonder no livro “A Alma Imoral”:

“O Messias é o símbolo, na dimensão da consciência, da determinação evolucionária animal, contida em seu próprio código genético. É preciso errar, infringir, violar e transgredir o status quo para que possa haver uma transcendência desejada pela própria tradição traída. Da mesma forma que a tradição precisa da traição, que a preservação precisa da evolução, que o acerto de hoje dependeu do erro de ontem, o contrário também é verdadeiro. Porque a evolução só é possível quando existe uma manifestação para ser contestada, aviltada.
(...)
O Messias que anuncia sua chegada será sempre mártir, mesmo nas mãos dos transgressores. Isso porque, ao chegar, este se transformará de rei dos transgressores em rei dos tradicionalistas. Os transgressores não querem um senhor tradicional, nem os tradicionalistas um senhor transgressor. O Messias é o sonho, somente representado por todo aquele que é o transgressor adorado, imediatamente devorado, para que este mundo não seja nem apenas da ordem do de temos que fazer nem do que não devemos fazer. Não haverá tradição sem traição, nem traição sem tradição, como não pode haver integridade do animal sem evolução, nem evolução sem integridade do animal.”

Esse é o ESPÍRITO de MESSIAS que deve nascer em nós. Se existe um momento para esse nascimento, o Natal, o “dia do seu nascimento”, é esse dia. Que todos nós possamos transgredir as Leis humanas – inertes, satânicas – impedidoras e diabólicas – acusadoras, que nos afastam do verdadeiro alvo, da verdadeira missão humana, da verdadeira vontade de DEUS para nós, seres humanos: CUIDARMOS UNS DOS OUTROS.

Para mim, o ano de 2014 ainda não acabou, está longe de acabar. Faltam sete dias – uma vida. Tudo de bom e de mal pode acontecer em sete dias, antes desse ano aperriado acabar de vez para nunca mais voltar. Mas dele – de 2014 – falarei no post de fim de ano.

Por ora, FELIZ NATAL. Que o ESPÍRITO de MESSIAS nasça dentro de você, dentro de mim. Para não sermos mais estranhos a nós mesmos; que tenhamos a coragem de ser quem somos para podermos dialogar sem neuras, sem traumas, sem frescuras, sem falsos pudores, sem culpa, sem acusação, sem nada que impeça viver em PAZ.


FELIZ NATAL.


No MESSIAS, que teima em nascer em mim, que insiste em acreditar em mim.

domingo, 21 de dezembro de 2014

ESTÁ CLARO OU VOU TER DE DESENHAR?



Das duas uma, ou não ficou clara a última declaração que fiz quanto à minha liberdade de escolher meus amigos e defender seres humanos, ou quem ainda insiste em tentar me tolher esse direito não leu o dito. Então tornarei a repetir – didaticamente – para que todos que estão em minha lista de amigos, e os que vez por outra entram para dar uma espiadinha nas coisas que posto na minha linha do tempo, entendam.

Primeiro: Sou completamente livre para escolher quem eu desejar ter/fazer como amigo, não importando opção sexual, gênero, credo religioso, etnia, cor de pele, biótipo físico, status social, militância política;

Segundo: Da mesma forma não incrimino, dis-crimino ou re-crimino ninguém, que tenha coragem de ter/fazer amigos, não importando opção sexual, gênero, credo religioso, etnia, cor de pele, biótipo físico, status social, militância política;

Terceiro: Sou totalmente responsável por meus atos, falas – incluam-se meus escritos – e por meu silêncio;

Quarto: Não admito qualquer retaliação por minhas escolhas pessoais.

Quinto: Exijo respeito pelas escolhas que faço principalmente as políticas e religiosas. Cabe a mim, tão somente, concordar ou discordar – respeitosamente – de qualquer comportamento e/ou discurso de ENTE político/público, seja PARTIDO, GOVERNO ou AUTORIDADE;

Sexto: Reconheço claramente a diferença entre uma “PESSOA” e um “ENTE”. Reporto-me às PESSOAS com respeito, aceitando suas escolhas e posições, porque assim desejo que sejam comigo; Quanto aos ENTES, reservo-me o direito constitucional de criticá-los, reprova-los ou aprova-los se assim resolver;

Sétimo: TODO ENTE PÚBLICO MERECE SER JULGADO POR SEUS ATOS, SEJAM ESSES ATOS IGNÓBEIS OU LOUVÁVEIS. SE IGNÓBEIS DEVEM SER CONDENADOS, SE LOUVAVEIS DEVEM SER CONTEMPLADOS.

Oitavo: PESSOAS, para mim – e para Lei, são inocentes até que se prove o contrário; ENTES – públicos – sempre serão avaliados por mim; CRITICADOS quando necessário – ESSE DIREITO É MEU E NÃO ADMITO AMEAÇAS POR CRITICAR ATOS DE GESTÃO DE QUALQUER ENTIDADE.

Nono: SOU LIVRE PARA: PENSAR E FAZER. Arco com as CONSEQUÊNCIAS LEGAIS disso.

Finalizo, por hora essa prosa:

Dez: Se um amigo meu, coberto pelo manto de ENTE público, cometer ato de corrupção, improbidade administrativa, peculato, ou outro ato contra o bem público, quero e exijo que seja PUNIDO enquanto ENTE público, com todas as penas cabíveis. Mas, enquanto PESSOA, sempre será meu amigo, e trabalharei para ajudar na recuperação de sua autoestima e falha de caráter, pois é meu amigo.

***

P.S. (pós-escrito): SER AMIGO NÃO É CEGAR-SE AOS ATOS CRIMINOSOS DAQUELE QUE ESCOLHEMOS COMO AMIGOS; SER AMIGO É RECONHECER AS FALHAS DESSES AMIGOS E INCONDICIONALMENTE ALERTÁ-LOS QUE SEUS ATOS SÃO FALHOS. MAS NUNCA ABANDONÁ-LOS, NEM TAMPOUCO “PAGAR O PATO” POR ELES.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

O “OUTRO LADO” DO TEMPO DAS COISAS.

Em 18 de agosto de 2014, postei uma reflexão sobre o “tempo das coisas”, com base no texto de Eclesiastes, atribuído ao rei Salomão. Ao reler, resolvi acrescentar o “outro lado do tempo”. Afinal, toda moeda tem dois lados, todo caminho tem duas direções (...). Aproveito o momento festivo – Natal, Ano Novo – que já respiramos, quando as emoções tendem a se equilibrar e o “espírito festivo”, nos faz refletir com mais facilidade, para tratar da importância do “tempo de cada coisa” em nossa vida.

O texto de Salomão diz:

“Há tempo para tudo, o momento certo para toda intenção debaixo do céu – Tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar, tempo de ferir e tempo de curar, tempo de derrubar e tempo de construir, tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear o luto e tempo de dançar, tempo de jogar pedras e tempo de recolher pedras, tempo de abraçar e tempo de afastar, tempo de procurar e tempo de desistir, tempo de guardar e tempo de descartar, tempo de rasgar e tempo de costurar, tempo de silenciar e tempo de falar, tempo de amar e tempo de odiar, tempo de guerra e tempo de paz.” Eclesiastes 3:1 a 8.

Minhas reflexões:

“O tempo de nascer não pode invadir o tempo de morrer, porque senão ficaremos velhos insuportáveis;” Mas o tempo de morrer também não pode invadir o tempo de nascer, para não nos tornarmos suicidas crônicos;

“O tempo de plantar não pode ser mais que o tempo de arrancar, porque senão ficaremos sem alimento – ele se estragará agarrado ao chão;” E o tempo de arrancar não pode ser maior que o tempo de plantar, para não nos tornarmos destrutivos;

“O tempo de ferir não pode ser maior que o tempo de curar, porque senão ficaremos insensíveis à dor – nossa e dos outros;” E o tempo de curar não pode ser mais que o tempo de ferir, para não nos sentirmos obesos da ilusão de tudo poder;

“O tempo de derrubar não pode tolher o tempo de construir, para não ficarmos morando em ruínas o tempo todo;” Mas o tempo de construir também não pode nunca ser mais importante que tempo de desconstruir para que sempre possamos ver onde temos de melhorar, construindo moradias melhores;

“O tempo de chorar nunca pode ser maior que o tempo de rir, para não nos tornarmos melancólicos compulsivos – viciados em tristeza;” Mas o tempo de rir precisa dar vez ao tempo de chorar, para não nos tornarmos insensíveis, cínicos e desalmados;

“O tempo de prantear o luto, jamais pode ser maior que o tempo de dançar, para não perdermos a alegria de ver o sol nascer de novo nos dizendo: estás vivo. Dance!” Mas o tempo de dançar não pode invadir o tempo de prantear o luto, a perda, para não nos tornarmos inconvenientes e insensatos, brincantes estúpidos;

“O tempo de jogar pedras não pode ser maior que o tempo de recolher pedras, para não nos tornarmos hipócritas observando somente os erros alheios, esquecendo-nos dos nossos;” E o tempo de recolher as pedras também não pode ser maior que o tempo de jogar pedras, para não nos tornarmos conformistas, “cegos” aos “adultérios”;

“O tempo de abraçar precisa respeitar o tempo de afastar – de abraçar, para que a vida se estabeleça livre de qualquer laço, mesmo que seja um abraço;” O tempo de afastar de abraçar não pode ser maior que o tempo de abraçar, para não ficarmos sem sentimento, sem afeto, sem carinho, frios de alma;

“O tempo de procurar, acaba quando o tempo de desistir diz: chega! Não há nada aqui.” Mas o tempo de desistir não pode vencer o tempo de procurar, para não perdermos nossos sonhos;

“O tempo de guardar não pode ser mais que o tempo de descartar, para que nossa vida não se encha de lembranças dolorosas;” Porém, o tempo de descartar tem de estar equilibrado com o tempo de guardar, sob a pena de nos tornarmos acumuladores compulsivos de sentimentos e comportamentos nocivos;

“O tempo de rasgar a carne para nascer de novo, precisa respeitar o tempo de costurar a carne ferida pelo parto;” E o tempo para costurar a carne precisa ser respeitado, para que o tempo de rasgar de novo seja vivido com a intensidade devida. Caso contrário, morreremos sangrando;

“O tempo de silenciar é tão importante quanto o tempo de falar. Sem esse equilíbrio nunca poderemos ouvir;” E o tempo de falar tem de respeitar o tempo de silenciar para que a conversa se transforme em diálogo e a comunicação se estabeleça em paz;

“O tempo de amar precisa ser vivido mais intensamente que o tempo de odiar, para que quando o ódio chegar, passe rápido, numa noite;” Mas o tempo de odiar precisa ser tão intenso quanto o tempo de amar, para que possamos lapidar o desejo e a necessidade do outro em nós, caso contrário, não teremos coragem de nos livrar do que nos maltrata;

“O tempo de guerra precisa ser vivido com coragem, para que o tempo de paz seja reverenciado.” O tempo de paz não pode invadir o tempo de guerra. Sem guerra não haveria a necessidade da paz. Um tempo precisa saber que existe em função do outro tempo;

***
Que possamos estabelecer o tempo certo para cada sentimento em nós; para cada amor e cada desamor, para cada alegria e cada tristeza, para cada perda e cada vitória (...). Que sejamos sábios em ser misericordiosos e firmes conosco mesmos, antes de ser com os outros. Que possamos descobrir o equilíbrio entre o tempo do “preto” e o tempo do “branco”: o tempo do “cinza”.

No Messias, o Senhor de todos os tempos, que sabe o tempo de todas as coisas, e que nos abençoa com tudo ao seu tempo, no tempo certo.


Bom dia.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O LONGO CAMINHO CURTO X O CURTO CAMINHO LONGO



O RABI IOSHUA, FILHO DO rabi Hanina, disse:

“Certa vez uma criança arrebatou o melhor de mim. Eu viajava e me encontrava diante de uma encruzilhada. Vi então um menino e lhe perguntei qual seria o caminho para a cidade. Ele respondeu: ‘Este é o caminho curto e longo e este, o longo e curto.’ Tomei o curto e longo e logo deparei com obstáculos intransponíveis de jardins e pomares. Ao retornar, reclamei: ‘Meu filho, você não me disse que era o caminho curto?’ O menino então respondeu: ‘Porém lhe disse que era longo!’”

Na trilha da sobrevivência, a “mesmice” muitas vezes é o caminho curto, o mais simples, e que tem os custos mais elevados (longo). Ir pelo caminho mais simples e mais curto é uma lei evolucionista. Certamente os corpos se movem na direção mais imediata e curta. Os galhos buscam a luz e o animal, a água, mas sua inteligência interna, sua alma, está atenta a longas modificações. A tentativa de sobrevivência acontece nos campos de batalha do mundo curto e do mundo longo. As chances de extinção dos que percorrem caminhos curtos que são longos é muito grande. As espécies sobreviventes são aquelas que souberam fazer opções pelo longo caminho curto.

Em nosso dia a dia sabemos muito bem quais são os processos curtos e quais são os longos. Fazemos também nossas opções por padrões que optam pelo curto. Mas nossos mecanismos de detectar se são “curtos longos” ou “longos curtos” existem e sempre estão aí para apontar novos inícios, por exemplo, de relações de trabalho, amor ou amizade.

A coragem está em ouvir o menino das encruzilhadas.

Ele, com certeza, alerta para ambas as possibilidades de caminho. Este menino das encruzilhadas é a alma. Não se assuste com as parábolas que falam de demônios dissimulados nas encruzilhadas. Os demônios das encruzilhadas querem sempre apontar os caminhos mais “curtos”. Ninguém que alerte para o fato de que os “curtos podem ser longos” e os “longos podem ser curtos” é de ordem demoníaca.

Afinal, as encruzilhadas são de grande importância. Não são meras opções de acesso, mas de sobrevivência, e o curto caminho longo pode não levar a lugar algum. Se você estiver diante de uma encruzilhada, lembre-se do menino e preste atenção para não ser seduzido, pelo corpo, por um caminho curto. Lembre-se de que a paz está primeiro com quem vem de longe.

(Texto extraído na íntegra do livro “A Alma Imoral” do Rabino Nilton Bonder.)
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Quantos dos nossos “caminhos curtos” são tão longos que ainda não chegamos ao nosso destino? E quantos dos nossos “caminhos longos” se tornaram tão curtos que nem percebemos que chegaram ao seu fim? A escolha corajosa, como diz o texto do Rabino é não ter medo dos alertas emitidos pelos “meninos das encruzilhadas”.

No Messias, que nunca impede de seguirmos os caminhos que escolhemos, sejam “curtos-longos” ou “longos-curtos” e que sempre estará conosco no caminho, seja ele qual for. Disso eu tenho certeza, porque “...ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum porque TU estás comigo...”.

Boa semana a todos.


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

SACRIFICAR PARA QUÊ?



Perguntaram ao rabi Bunam:
“O que quer dizer com a expressão ‘sacrificar para ídolos’? É impensável que alguém realmente venha a fazer sacrifícios para algo que entenda como um ídolo!”
O rabino respondeu:
“Vou lhe dar um exemplo. Quando uma pessoa religiosa ou um justo se senta à mesa junto com outras pessoas e tem o desejo de comer um pouco mais, mas se restringe por conta do que os outros podem vir a pensar dele – isto é sacrificar para ídolos!”
(Buber, Late Masters, p. 256)

O ENSINAMENTO COMEÇA COM O questionamento da lógica da expressão “sacrificar para ídolos”. Se percebemos que são ídolos, ou seja, vazios e ilusórios e sem qualquer significado real, como é possível fazer “sacrifícios para ídolos”? A resposta do rabi Bunam é de que fazemos isso com mais frequência do que imaginamos em situações em que acreditamos existir qualquer virtude ou ganho possível por conta de condutas ou posturas que representem sacrifícios ao nada. E quantos de nossos esforços e sacrifícios são, na verdade, “oferendas” ao nada? Quem precisa de nossas restrições ou de nossas abstinências? Por acaso D’us precisa de nossos atos “morais” que visam a ocultar nossa nudez? Por acaso D’us não percebeu de imediato que Adão havia comido da árvore justamente porque se vestiu e quis ocultar sua nudez? Ao vestir-se, fez oferendas ao deus do nada ou ao deus de seu animal moral.

É importante perceber que o deus do animal moral, do corpo, nem sempre é um deus com “minúscula”. Afinal é de D’us: “Frutificai e multiplicai.” Mas toda atenção é pouca, porque muitas coisas são feitas ou muitas deixam de ser feitas por sacrifícios ao nada. Quantas pessoas poderíamos ter tirado “para dançar” na vida e não o fizemos por ofertar sacrifícios ao nada? Sacrifício ao deus da timidez, ao deus da vergonha, ao deus do medo de ser rechaçado e assim por diante. Quantas vezes deveríamos ter dito não em vez de nos desgastarmos para dissimular virtudes que são oferendas idólatras: oferendas ao deus expectativa, ao deus cobrança, ao deus culpa e assim por diante.

Não podemos temer o que outros irão dizer ou pensar. Não devemos temer nossa própria autoimagem, esta sim, um altar de primeira grandeza aos sacrifícios idólatras. Quantas oportunidades não deixamos de aproveitar, pois “não era conveniente” fazer isto ou aquilo? Nossa autoimagem, tal como nossa moral, é um instrumento do corpo que não aceita se ver em “outro” corpo.

O rabi Bunam alerta para o cuidado que se deve ter com abstinências e privações, pois, muito mais que demonstrar respeito à vida, elas cultuam deuses menores. O corpo é o responsável por uma intrincada rede de negociações psíquicas para que possamos nos preservar tal como somos. No entanto, fizeram com que acreditássemos que ele nos tenta constantemente com seus desejos. É a alma que fica inconformada com os sacrifícios vazios do corpo e é ela a responsável pelos atrevimentos, ousadias, riscos e transgressões.

Texto extraído na íntegra do livro “A Alma Imoral” do rabino Nilton Bonder.
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Creio ser propícia, neste fim de ano, a reflexão sobre as verdades contidas no texto.


No Messias, que em sua Santa Imoralidade, nunca nos privou do prazer que as AVENTURAS de andar por “outras terras”, nos proporcionam.


Boa restante de semana.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A SUPREMA CONTRADIÇÃO: A diferença que nos iguala.

TALVEZ O MAIS IMPRESSIONANTE em toda a concepção espiritual é que ela só produza um único termo que lhe é singular. Só uma palavra pertence exclusivamente ao campo da espiritualidade, e a grande maioria das pessoas tem dificuldade em compreendê-la, apesar de utilizá-la com frequência. Trata-se da palavra-conceito: sagrado.

No texto bíblico, o Criador se dá ao trabalho de identificar essa palavra com a tarefa maior da espiritualidade: “Sejam sagrados, porque eu, seu Criador, sou Sagrado.” O que seria “ser sagrado” ? A raiz da palavra - KaDoSH - em hebraico arcaico significa “colocar à parte” ou “separar”.

A própria qualidade da Criação, como descrita no texto bíblico, é a de separação. Segundo este, o poder transformador e criador está no ato de separar e de diferenciar. Separam-se céus da terra, luz das trevas, mares dos continentes, animais uns dos outros e o ser humano dos animais. A diferença não só cria, como parece preservar a própria vida, uma vez que sabemos hoje ser a biodiversidade essencial para o equilíbrio e a conservação do meio ambiente. E não parece se tratar apenas de diferenças coletivas ou de espécies. A própria diferença entre os indivíduos é marca de saúde, como desvenda hoje a genética.

A reprodução de seres iguais empobrece a tal ponto a vida, que a coloca em risco. A diversidade entre os seres vivos produz a cada procriação um ato de criação de um diferente.

A possibilidade hoje de criar-se geneticamente seres iguais uns aos outros nos coloca diante da criação de seres sem espírito. Isso porque a qualidade maior desta faculdade invisível é a própria diferença, ou a possibilidade de ser sagrado. Ter um espírito é conter um pedaço de um infinito quebra-cabeça, no qual a condição de ser parte do todo é conter uma diferença que se encaixa em todas as outras diferenças.

A característica maior dessa diferença é que ela agrega, em vez de desagregar. É ela que nos faz pertencer ao conjunto.

Produz-se novamente uma santa contradição pela qual para fazer parte temos de ser diferentes. Ou melhor, o que nos une não é a igualdade, mas justamente a diferença. É nela que está o Criador em nós; é ela a diferença que é a semelhança entre todos nós e também entre nós e o Criador. Essa diferença seria em si o elemento transcendente em cada um de nós. A marca de nossa singularidade seria em si o espírito soprado em cada um de nós, como se fôssemos, individualmente, todos, como Adão. Em vez de insuflados com um vento-alma, seríamos insuflados com a diferença.

Estaria assim plantado em nós o sagrado. Somos colocados à parte, feitos diferentes, para podermos existir e nos identificar com tudo o que é solitário em sua diferença. Nossa melancolia por não encontrar um par só se dissolve no encontro com um outro verdadeiramente diferente que é, portanto, como nós.

A espiritualidade seria, dessa forma, o constante mimetismo desta condição, com a função de aplacar nosso desconforto por nossa sensação de separação e solidão. Transcender seria realizar rituais ou viver momentos que nos relembrassem ou colocassem em contato com esse sentimento de proximidade, mas sempre pela diferença. A igualdade nos afasta, nos desumaniza, ou melhor, nos extirpa o espírito.

Sagrar ou fazer sagrado significa tornar distinto. Separar um dia especial dos outros dias, como faz o Criador com o sábado, é ensinar ao ser humano o segredo de não ficar sozinho neste universo. Diferencie e você vai encontrar uma santa paz, um encontro com uma essência que é a sua. Esse artifício para estabelecer encontro é a ideia básica por trás do antigo Templo, em Jerusalém, e que é, provavelmente, a matriz de todos os templos que já existiram, que hoje existem e que existirão no futuro. Como em uma cena de ficção científica, as criaturas descobriram uma forma de conexão com seu Criador. Simples de se engendrar, mas difícil de se compreender. O Templo de Jerusalém criou conceitos de diferença, de sagrado. Havia um país diferente dos outros, nele uma cidade diferente das outras, e nela um monte diferente dos outros.

Nesse monte, havia um lugar, um templo, onde dentro dele havia um lugar que era diferente dos outros lugares, e que se chamava o “sagrado dos sagrados”. Tomavam conta desse templo sacerdotes que eram pessoas de uma tribo que era diferenciada das outras tribos, e entre essa tribo pessoas específicas de uma família que era diferente de outras famílias dessa tribo. E nele se celebravam dias que eram diferentes de outros dias. O espaço diferente, no tempo diferente, no ser humano diferente, é a antena parabólica que viabiliza um contato com o universo profundo e difuso.

Esta é a dificuldade maior das tradições espirituais. Por um lado, expressar eticamente que os seres humanos são iguais e, ao mesmo tempo, realçar sua diferença, para que possam ser verdadeiramente iguais. Razão pela qual as religiões ora se perdem no conceito de que são diferentes e matam; ora se perdem na ideia de que são iguais e perdem a potência espiritual.

Há uma história sobre um menino que costumava se esconder em um bosque todos os dias, depois das aulas. Certa vez, seu pai lhe perguntou o que ele fazia escondido no bosque todos os dias. “Eu... eu converso com Deus”, disse o menino. “Mas, meu filho”, reagiu o pai, “por acaso você não sabe que Deus está em todos os lugares? Você não precisa ir até o bosque para falar com Deus. Ele e o mesmo, se você conversar com ele aqui em casa ou no bosque!” “É óbvio que Deus é o mesmo, meu pai”, respondeu o menino serenamente, “mas eu não sou o mesmo!”

Buscamos a diferença em tradições e templos, não porque Deus é diferente, mas porque somos diferentes. E só nessa diferença é que o espírito momentaneamente se torna real para nós. A partir desses instantes passageiros, nos tornamos transcendentes e nos irmanamos em diferença com tudo o que é diferente. A sutileza entre sagrar e segregar é a sintonia fina que distingue a espiritualidade inteligente da ignorância espiritual.

A periculosidade das manifestações espirituais é sempre esta. Como não permitir que o ato deliberado de “colocar à parte” ou “separar” em rituais produza segregação, em vez de sagrado. A segregação não é uma diferença que produz comunhão. Ao contrário, é a celebração do ego, e não do espírito.

Talvez pudéssemos dizer que o espírito é o que é diferente em nós e que nos iguala. O ego, por sua vez, é aquilo que é igual em todos nós, e que nos diferencia.

A verdade é que a espiritualidade fala de coisas que não se manifestam, mas que estão por trás de toda manifestação. A inteligência está não só em reconhecer esta sutileza, mas em modificar as matrizes de entendimento e funcionamento de nossas vidas. Diz respeito a permitir-nos delegar maior poder a nossos sensos, para que nos conduzam não necessariamente ao sucesso ou ao triunfo, mas ao bem-estar. A paz está em sermos tão profundamente diferentes - aquietando nosso fogo interno, por honrar nossos potenciais que são distintos - e, ao mesmo tempo, sermos tão profundamente iguais - aquietando nossa consciência.

Essa integração é santa. É santa porque nos coloca à parte, se não no universo absoluto, então, no universo que conhecemos. O grande objetivo de toda a inteligência, como dissemos anteriormente, é o encontro. Não temos qualquer outro uso para a inteligência além do de reencontrar o caminho que nos leva de volta ao “jardim” do qual nos originamos.

Lá atrás, quando, fazendo uso da árvore da sabedoria, saímos em um derradeiro passeio, descobrimos o exílio. Nosso único instrumento de sobrevivência se tornou essa sabedoria pela qual nos perdemos de casa. Mas isto é um engano. Nossos instrumentos são dois: a sabedoria com a qual partimos e o profundo desejo de retorno e reencontro. Sem o último, o primeiro nos leva mais longe. Um longe que parece conquista, mas que na realidade nos faz mais perdidos.

Como na história que citamos anteriormente do homem perdido na floresta. Quando ele finalmente encontra a luz de uma lamparina, descobre que é a lamparina de um cego que, como ele, estava perdido. Frustrado, ele acha que ali não existe nenhum ganho real, nada que possa lhe dar mais esperança nesse encontro. Triste engano. O cego não precisa ver a saída, para o cego, a sensação de floresta e de estar perdido em uma imensidão não existe.

A luz de sua lanterna, totalmente desnecessária para ele, é fundamental para que o outro o veja. A função dessa luz é atrair aqueles que têm dificuldade em não ver e ensinar-lhes uma paz que sua visão não lhes permite. Seu “enxergar” lhes traz o desespero da imensidão e do desconhecimento da saída. Juntos, eles têm mais recursos, ou talvez todos os recursos. Aquele que não enxerga produz luzes para quem enxerga, para que conheçam a paz da cegueira.

No uso do enxergar para promover encontros com o que não enxerga está o nosso grande recurso. Porque o galo não vê, mas sabe distinguir. Porque o escuro é a angústia e a redenção. E a proposta do cego é boa. Acenda lamparinas para que os outros possam nos encontrar, mas não faça uso delas para encontrar a saída. A saída só se apresenta aos olhos que se acostumam com o escuro. Porque aqueles que estão acostumados com a penumbra não têm problemas em discernir as formas que existem no escuro.

E a floresta se faz casa; e o exílio termina no encontro dos exilados. E quem com lamparina continua buscando a saída, nada disso vê.”
Nilton Bonder, Códigos da Inteligência, A Suprema Contradição: A diferença que nos iguala. (Grifos meus.)

***

Num próximo texto tratarei de uma aplicação atual para essa diferença necessária na vida de todos nós.

No Messias que nos diferencia, mas não nos discrimina.


Boa semana a todos.

domingo, 16 de novembro de 2014

O MAIOR DE TODOS OS PECADOS

Mesmo empreendendo tremendo esforço para livrar-me da religião e seus efeitos nocivos, ainda estou contaminado (...). Como esponja que ficou imersa em vinagre durante tempos, sair do vinagre não significa estar descontaminado; creio ser necessário um tempo maior dentro de uma fonte de água corrente para que a descontaminação ocorra (...). Espero estar limpo desse vinagre religioso até o dia da minha morte.

Décadas atrás ministrei um estudo intitulado “Um fenômeno chamado pecado” (...); ele me deu o “tom teológico” das minhas crenças. (...) Tenho sido incomodado pelo mesmo tema: “pecado”. Por diversas questões, tentar entender-me diante de tal fenômeno se tornou mais que importante, porém não tanto ao ponto de desenvolver uma neurose – acho que passei do ponto da loucura. Pelo menos espero.

Essa turbulência íntima quanto ao tema; buscar saber onde termina o passado, onde está o momento presente e ainda tentar estabelecer um “lugar” para o futuro, me fez relembrar a elucidativa explicação sobre o oitavo mandamento – “Não roubarás” – feita pelo Rabino Nilton Bonder. Diz ele:

“Permitirás voto ao passado e não veto. Não podemos roubar do passado pois já tem posse irrevogável. Não podemos roubar do futuro pois não possui nada. O único alvo de roubo é o presente. Tanto a autoridade do passado como as demandas do futuro têm direito a voto. Dar-lhes o poder de veto, no entanto, é roubar do presente o que lhe é mais fundamental – ser o determinante do caminho. A legitimidade maior da Halachá – da interpretação da lei – provém do critério de se é ou não produto do presente.” (Nilton Bonder; Bernardo Sorj – Judaísmo para o Século XXI, pg.:111)

Reestudando a questão a fim de me entender como ser humano, um homo sapiens, como define Augusto Cury, passei a reler e rever o que o “vinagre” em mim impregnado diz (...); mas também o que dizem seres humanos descontaminados da religiosidade (...). Claro que JESUS é o maior expoente, a clara-evidência de que há total possibilidade de se viver uma vida contida em DEUS, mas “descontida” da religião. Porém para minha tristeza, não encontrei – pelo menos até agora – nenhum ente envolvido pela religião, sóbrio e lúcido o bastante para mostrar-me como, e o que seria o maior de todos os pecados (...). JESUS então é o caminho.

(...)

Depois de ler meus últimos textos, você pode ter sido levado a questionar minhas convicções espirituais, minhas crenças, minha confiança em DEUS, o ministério que me foi confiado (...). Se você é uma pessoa envolvida comigo de alguma forma, também pode estar sendo – ou ter sido – levada a agir da mesma forma. Para seu conforto, saiba que eu também me questionei. Fazendo isso cometi contra mim mesmo o maior de todos os pecados, julguei-me menor e maior do que realmente sou, coloquei sobre mim o julgo de ser mais pecador e menos digno (...), cometi o maior de todos os pecados. Isso me fez refletir sobre o dito de JESUS, escrito no início do capítulo sete do evangelho de Mateus: “Não julgueis para que não sejais julgados...”.

O maior de todos os pecados do mundo é o julgamento. É tão nocivo quanto é furtivo. Nocivo porque determina vereditos sobre a vida das pessoas que nos cercam, nos isentando delas, nos diferenciando delas, nos afastando delas. Quando julgamos alguém – e não temos capacidade para isso – julgamos a pessoa e não seus atos. Não ponderamos nada sobre os motivos que levaram aquela pessoa – alvo do nosso julgamento – cometer o que cometeu. Simplesmente julgamos. Abrimos nossa boca e falamos o que não pensamos; é, falamos sem pensar, falamos porque somos desprovidos de temor a DEUS e por consequência, desprovidos de SABEDORIA – já que temer a DEUS é o princípio dela, como diz Salomão em Provérbios. Quando agimos assim nos aprisionamos no emaranhado das nossas palavras, nos efeitos danosos que essas palavras sem senso produzem nos outros e em nós. Uma verdadeira areia movediça.

Não sei se pior ou no mesmo estado assombroso, está o autojulgamento. Na maioria das vezes julgamos os outros como nos julgamos, olhamos para nós pelas frestas das paredes que levantamos e nos vemos piores ou melhores do que realmente somos; algumas vezes criamos um sistema de juízo de valor contra nós; agimos sem a menor misericórdia contra nós mesmos a ponto de perdermos totalmente o senso de justiça. Outras vezes nos inocentamos sem nenhum pudor, comportamento tão sem senso quanto à prática da autopunição. Temos perdido o poder de observação. Esse poder de observar atos e não pessoas; de punir pessoas e não entender atitudes desajustadas; de agir como juízes do futuro e não como simples observadores, nos têm transformado em seres sem sentimento. Isso mesmo, estamos perdendo o sentimento.

Perto de sua morte, os alunos de Jesus lhe perguntaram como seriam as coisas no “fim do mundo”, quais seriam os “sinais”, para que eles pudessem identificar aquele momento. Jesus disse que a falta de amor seria a tônica do momento. Mas como podemos identificar a “ausência de amor” se não sabemos entender ou praticar a “presença do amor”?

O maior de todos os mandamentos é um “iô-iô”; vai e volta. No caminho de ida: amar a Deus, amar ao outro, amar a si mesmo. No caminho de volta: amar a si, amar ao outro, amar a Deus. Entre DEUS e nós, existe “o outro”, “o próximo”. Tanto na ida quanto na volta existe alguém no meio do caminho – e não é uma pedra, é uma pessoa igualzinha a nós. Para amarmos a DEUS temos que invariavelmente amar a nós mesmos, e esse amor a nós mesmos tem de necessariamente ser refletido pelo sentimento igual ao outro, ao próximo. Porém a referência para esse “auto-amor” é o amor pelo outro. Não é perder a identidade ou abrir mão de tudo por causa do outro, mas é saber que o outro tem os mesmos sentimentos que temos, e que em “determinados” momentos precisamos vivenciar o mesmo sentimento se estivéssemos no lugar dele. Creio que se exercitássemos isso, se praticássemos isso, seriamos menos juízes e mais réus.

O maior de todos os pecados é julgar os outros e a nós mesmo sem sequer pensar um tiquinho. Quando emitimos um juízo de valor contra alguém, fazemos isso por nos julgar melhores que aquele a quem julgamos. Quando falamos contra alguém, nos julgamos “mais” em algum aspecto. Cometemos dois grandes pecados: contra nós, por nos julgar melhores e contra os outros por lhes julgar menores que nós.

Estou meditando e refletindo – mergulhando – há alguns meses no capítulo sete de Mateus, no capítulo oito de João e no capítulo 3 de Gênesis. Meus conceitos sobre o tema têm sido destruídos dentro da PALAVRA. Não sei como vou “boiar” desse novo mergulho; mas não serei mais o mesmo.

Convido você a ler os mesmos textos sem os óculos da religião íntima e pré-concebida para ver o que encontra de diferente do que já sabe até agora.


Graça do ETERNO sobre você.

domingo, 26 de outubro de 2014

A CULPA NÃO É DAS ESTRELAS



Há tempos não tenho sentido vontade de escrever (...), mas hoje acordei com este Salmo fluindo do coração, escapando pelos lábios (...) e resolvi tentar dividir o que sinto.

“Tem misericórdia de mim, ó Deus, porque o homem procura devorar-me; pelejando todo dia, me oprime.
Os meus inimigos procuram devorar-me todo dia; pois são muitos os que pelejam contra mim, ó Altíssimo.Em qualquer tempo em que eu temer, confiarei em ti.Em Deus louvarei a sua palavra, em Deus pus a minha confiança; não temerei o que me possa fazer a carne.Todos os dias torcem as minhas palavras; todos os seus pensamentos são contra mim para o mal.Ajuntam-se, escondem-se, marcam os meus passos, como aguardando a minha alma.Porventura escaparão eles por meio da sua iniquidade? Ó Deus, derruba os povos na tua ira!Tu contas as minhas vagueações; põe as minhas lágrimas no teu odre. Não estão elas no teu livro?Quando eu a ti clamar, então voltarão para trás os meus inimigos: isto sei eu, porque Deus é por mim.Em Deus louvarei a sua palavra; no SENHOR louvarei a sua palavra.Em Deus tenho posto a minha confiança; não temerei o que me possa fazer o homem.Os teus votos estão sobre mim, ó Deus; eu te renderei ações de graças;Pois tu livraste a minha alma da morte; não livrarás os meus pés da queda, para andar diante de Deus na luz dos viventes?”Salmo 56; Tradução Almeida Corrigida e Fiel – versão digital 6.7

A mente humana está longe de ser decifrada e entendida. Por mais que tentemos, por mais que nos esforcemos, temos nos distanciado desse entendimento. Os textos de Augusto Cury – em suas teorias sobre a “origem do pensamento” me tem feito refletir “pra dentro”, buscar em mim algumas explicações (...), não é fácil olhar para o espelho e ver quem se é realmente (...), é mais fácil por nos outros a culpa por nossas mazelas, por nossas escolhas, por nossos infortúnios. Culpar aos outros é sempre mais fácil, mas a culpa não é das estrelas.

Sendo parte da verdade – אמת (Emet em hebraico) – o livro dos Salmos mostra em muitos casos, o ser humano natural em confronto com o homo-sapiens; ou seja, o ser instintivo em confronto com o ser pensante; e o Salmo 56 parece ser um desses. Independente, de historicamente David ter declamado tal poesia enquanto estava capturado pelos filisteus, é possível perceber a luta do “homem”, o ser instintivo, em luta contra o “eu”, o homo-sapiens.

Em nossas crises internas, no nosso “Armagedon” íntimo e pessoal, somos atacados não por quem está fora de nós, mas por quem está dentro de nós; por nós mesmos. O grito de David contra si mesmo, “o homem” que tenta devora-lo por dentro, que peleja contra ele o dia todo e o oprime é sentimento e até fato conhecido por muitos de nós. Somos uma “multidão de nós” lutando contra um “eu” solitário e aflito diante de tantos reflexos distorcidos.

Nossas sandices estão todas descritas no Salmo 56 de forma muito clara – pelo menos para mim – que até assustam. As diversas faces da personalidade do “ser humano”, do “homem natural”, são expostas de forma crua nos versos desse Salmo.

O desespero de sentir-se devorado por si mesmo, pelas múltiplas facetas de personalidade de si próprio, desemboca num ato de confiar apavorado, como se disséssemos: “...não posso confiar nem em mim mesmo; então só posso confiar em TI e no que de TI há em mim...”; sempre clamando por misericórdia.

A angústia de não poder produzir um “louvor próprio” para a glorificação deste DEUS íntimo, produz um também desesperado apego às PALAVRAS DELE para louvar a ELE. A consciência que as palavras estão desconexas é indescritível – sentir-se fragmentado em si mesmo é horrível. Mas é nesse momento que o fio de lucidez que mostra que não se pode confiar no próprio juízo, dita a regra da sobrevivência: “...em Deus pus a minha confiança...”.

O estarrecimento de reconhecer as próprias neuroses também se mostra no poema deste David enlouquecido: “Ajuntam-se, escondem-se, marcam os meus passos, como aguardando a minha alma.”. Mania de perseguição; o grito da alma que se enxerga perseguida por si mesma – eu perseguindo a mim mesmo. Mas o fio de lucidez que garante a sanidade dos que procuram o ETERNO e MISERICORDIOSO DEUS, brota gritando imediatamente, como se o “EU” defendesse a si mesmo: “Porventura escaparão eles por meio da sua iniquidade? Ó Deus, derruba os povos na tua ira!” Talvez seja esse comportamento, que Augusto Cury chama de “o eu como gestor...”. É preciso se saber perseguido por si mesmo, por fantasmas criados dentro de um self adoecido, de um self cheio de medo de sair pra vida e vive-la sem medo do que se está passando.

Para chegar ao “fim do túnel” é fundamental entender que nossos pensamentos vagueiam perdidos, disformes, sem rumo, sem sentido; e nesse estado esquizofrênico, David declara: “Tu contas as minhas vagueações; põe as minhas lágrimas no teu odre. Não estão elas no teu livro?” O clamor íntimo para o PAI que vive dentro dos filhos, para o DEUS que vive dentro de sua mais brilhante criatura, o ser humano sapiens. Diante de tal verdade – O PODER ABSOLUTO DE DEUS EM NOS SALVAR DE NÓS MESMOS – declaramos que ninguém, nem mesmo nós, será capaz de nos tirar a confiança que acalma e nos traz paz. Essa confiança origina-se na certeza de que, em retornando a sanidade, todos os votos serão cumpridos e nos apresentaremos diante do SENHOR com ação de graças.

Apresentar-se ao SENHOR com “ações de graças” é entre outras coisas, agir consigo mesmo com o mesmo grau de misericórdia que ELE denota para nós. O primeiro mandamento é AMAR A SI MESMO. Amar a si mesmo, é perdoar a si mesmo, é entender a si mesmo, é aceitar os próprios deslizes como algo natural – afinal, ninguém é maior ou menor do que realmente é; amar a si mesmo é tolerar-se, é admirar-se, é fazer-se mimos íntimos, é ser cuidadoso com as próprias emoções, é se colocar em primeiro lugar sem ser egoísta, é deixar-se envolver pelos sentimentos que alimentam, é amar do lado de dentro, quem não pode ser amado pelo “lado de fora”. Amar a si mesmo é amar a DEUS. Quando agimos com atos de graça – favor imerecido – para conosco mesmo, podemos chegar na presença do SENHOR cantando vitória no tempo certo, dizendo: “Pois tu livraste a minha alma da morte; não livrarás os meus pés da queda, para andar diante de Deus na luz dos viventes?” Certamente que sim.


Boa semana a todos.