"Sempre fomos livres nas profundezas de nosso coração, totalmente livres, homens e mulheres.
Fomos escravos no mundo externo, mas homens e mulheres livres em nossa alma e espírito."
Maharal de Praga (1525-1609)

domingo, 15 de março de 2015

A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA E O JOGO DE XADREZ



A Constituição Federal é a Carta Magna, que rege o tudo no País, pelo menos deveria. Mas, nesses dias de manifestação popular – que se espalham pelo Brasil – em especial a de quinta-feira, feita por amigos e familiares do infante Gabriel Levy, que faleceu de forma “desconhecida” depois de ter sido atendido no Hospital Geral José Mendes, aqui em Itacoatiara; depois no fim da tarde de ontem, um grupo de pessoas se manifestou (...); e agora nessa manhã no dia 15 de março, grande parte das pessoas, Brasil à dentro, se manifestam contra o governo petista, contra a corrupção (...). Mas todas essas manifestações estão garantidas na Constituição Federal Brasileira.

A primeira manifestação de autoridade dos Brasileiros está determinada no texto do parágrafo único do artigo 1º desta Lei Principal: “Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”. Essa garantia constitucional do Poder do Povo, se acentua nos Incisos do Artigo 5º. Em destaque o “IV” que diz:

“IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”

e os seguintes:

“VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

(...)

VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;”

Então, fica claro que todos – inclusive eu – podem se manifestar, contra ou em favor de algo ou alguém, e esse direito está assegurado na Constituição Brasileira. Porém, com base na mesma Lei, podemos – inclusive eu – não nos manifestarmos publicamente, como muitos fizeram e estão fazendo, ontem, hoje e “amanhã”; mas isso de forma alguma quer dizer que não esteja aqui no meu íntimo sendo totalmente favorável às manifestações populares.

Mas no jogo da política – e manifestação pública é ato político – outro componente se faz claro a séculos: o jogo de xadrez.

Esse jogo milenar foi proibido pela igreja católica – mesmo sendo jogado por seus integrantes – teve no Papa Inocêncio III, que exerceu seu pontificado entre os anos de 1198 e 1216, seu principal contribuinte e regulador, com as conhecidas “regras da moralidade”. Diria até que Inocêncio profetizou que o jogo de xadrez seria o jogo do poder – se é que já não era.

Naquela época, alguns membros da Cúria Romana passara a usar o xadrez em alegorias conhecidas como “moralidades”, prática homilética comum na literatura europeia da Idade Média, que tentava dar uma explicação simbólica ou alegórica ao jogo, tentando encontrar paralelos entre a organização da vida e atividades humanas e o xadrez. Essas alegorias geralmente consideravam o jogo como emblemático da condição social da época. Um dos mais belos textos das “moralidades”, passo a transcrever:

“A RAINHA move-se e toma [isto é, captura peças adversárias] na diagonal [essa é uma regra antiga], de modo torto, pois a mulher é tão cobiçosa que só toma tortamente, por obra da rapina e da injustiça. A TORRE é o justiceiro que percorre toda a terra em linha reta como sinal da justiça com que tudo julga e de que por nada deve seu ofício corromper-se. [...] O movimento do CAVALEIRO é composição de reto e torto. O reto, representando o direito que tem, em justiça, como senhor da propriedade, de cobrar impostos e de impor justas penas conforme o exija o delito; representando as injustas extorsões a que submete os súditos. [...] Os BISPOS movem-se oblíqua e tortuosamente duas casas [outra regra de movimento antiga] porque muitos prelados se pervertem pelo ódio, pelos presentes, ou favores para não corrigir os delinquentes nem ladrar contra os vícios, tratando os pecados como um terreno arrendado por uma taxa anual. E assim enriquecem o diabo, fomentando os vícios ao invés de extirpá-los e se tornam procuradores do diabo. [Observar o anticlericalismo do texto!] Os PEÕES são os pobres que andam uma casa em linha reta, pois enquanto o pobre permanece na sua simplicidade vive honestamente, mas, para tomar, se corrompe e o faz tortamente, pois pela cobiça se bens ou honras, sai do reto caminho com falsos juramentos, adulações ou mentiras. [...] O diabo diz: ‘xeque!’ incitando ao mal e ferindo com o dardo do pecado. E se o atingido não sai rapidamente dizendo: ‘livre!’, pela penitência e compunção do coração, o diabo lhe diz: ‘mate!’, levando sua alma ao inferno de onde não se poderá livrar de modo algum.”

O texto sobre o “REI” não foi encontrado na pesquisa para a construção deste texto, mas ele é o objeto da proteção de todas as outras peças. Quando ele, o “REI” é conquistado ou ameaçado sem possibilidade de defesa ou fuga, o jogo acaba.

Na política, esse jogo dita as regras do “jogo”. As manifestações feitas pelo Brasil no dia de hoje – iniciadas em junho de 1013 – são constitucionais, mas a movimentação das “peças” é jogo de xadrez. Mas quem são essas peças, no tabuleiro político brasileiro?

Seguindo o “roteiro” do Papa Inocêncio, posso supor que:

A “RAINHA” pode ser a CORRUPÇÃO, que corre para todos os lados capturando todos que encontra pela frente;

A “TORRE” pode ser a JUSTIÇA que só corre nas linhas retas da Justiça, mas não tem conseguido pegar a “rainha”, por ela ter “outras casas” para se esconder;

Os Cavalos ou “CAVALEIROS” podem ser os POLÍTICOS, que correm em “linha reta” e em “linha torta”, num mesmo movimento, mostrando o quanto estão suscetíveis às influências da Corrupção – que se tornou o principal movimento dos “cavaleiros” do Brasil;

Os “BISPOS” podem ser os clérigos, que cedem aos encantos da corrupção, e tal qual os Cavaleiros do Congresso, seguem os caminhos da obliquidade moral, vendendo seus rebanhos aos mesmos cavaleiros profanos;

Os “PEÕES”, os pobres coitados – como diz Inocêncio – podem ser todos que buscam de forma ignorante, defender o “REI” déspota e corrupto.

Termino este texto dizendo que qualquer pessoa tem o direito de se manifestar sobre o que desejaram e em defesa ou em crítica contra quem e contra o que desejar. Nós, povo, temos esse direito assegurado na Lei Magna e os políticos também, da mesma forma podem defender quem e o que desejarem.

No jogo do xadrez político, considero todos os que defendem de forma ignorante aos líderes políticos, sem sequem pensarem no que seus defendidos – normalmente ocupantes do Poder Executivo – estão fazendo de danoso para o País, para os Estados e para os Municípios.

É Constitucional a defesa dos interesses pessoais; É jogo de xadrez defender os interesses políticos de forma ignorante.

Dizer – como disse o presidente nacional do PT – que os brasileiros que se manifestaram contra o atual governo, contra a corrupção e contra tudo que foi colocado, não representa o País é discurso de peão; de gente que não respeita a Constituição e que tenta desqualificar tudo e todos que são contrários. Por outro lado, tal comportamento, antes de ser democrático, é ditatorialista.

Pense: quem é você nesse tabuleiro?


Boa semana.

domingo, 1 de março de 2015

POLÍTICOS E PASTORES: SÚDITOS DO POVO.



“Porque não trouxemos nada a este mundo e não podemos levar nada dele; por isso, se tivermos comida e roupa, estaremos satisfeitos com isso. Além do mais, os que pretendem ficar ricos caem em tentação; são pegos pela ambição tola e dolorosa que os lança na ruína e destruição. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; algumas pessoas se desviaram da fé e se atormentaram com muitas dores por causa dele.” I Timóteo 6:7 a 10 – Bíblia Judaica Completa, pgs.: 1470, 1471.

É assustador o que estamos assistindo na política e na “igreja” brasileira. Aterrorizante, vergonhoso, assustador mesmo. Tenho conversado com muitas pessoas sobre a questão e ouvido as mais variadas respostas. O que trata o texto da Carta do Apóstolo Paulo ao seu aluno e colaborador Timóteo, não tem a ver com política – se assim você entender – mas tem a ver com a necessidade humana de querer as coisas fáceis, de buscar as coisas menos trabalhosas, de desejar ser rico sem esforço. Paulo fala de Ministério.
Ele está alertando ao aluno que a prática da religião não pode ser – de forma alguma – fonte de lucro. Aí você me pergunta: “o que religião tem a ver com política?” Eu lhe respondo: tudo!
Podemos encontrar no livro bíblico de Tiago – possível irmão de Jesus – a definição mais clara e contundente sobre o que é religião:

“A observância religiosa que Deus, o Pai, considera pura e irrepreensível é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo.” Tiago: 1:27 – BJC, pg.: 1496.

Se você conversar com um “político profissional” irá ouvir dele que: “ser político é meu ministério”. Observem que a maioria deles acredita nisso: SER POLÍTICO É UM MINISTÉRIO. E acreditam porque “SER POLÍTICO” é no entendimento deles, “SERVIR AO POVO”. Nesse aspecto estão corretíssimos. ISSO OS FAZ RELIGIOSOS DO PONTO DE VISTA BÍBLICO, JÁ QUE A VERDADEIRA RELIGIÃO É SERVIR AO POVO.

Em sendo assim, aqueles que se corrompem querendo “ganhar dinheiro” com o ministério de servir ao povo, são os religiosos que “se desviaram da fé e se atormentaram com muitas dores”, como diz Paulo em sua carta a Timóteo.

Nessa guerra para achar os culpados pelos roubos TRILHIONÁRIOS feitos aos cofres públicos, ouço e leio que a culpa é desse ou daquele partido – especificamente do Partido dos Trabalhadores, PT, que está no poder a quase 16 anos; e do Partido Social Democrata Brasileiro, PSDB, que o precedeu por oito anos ou ainda do PMDB – que já governaram o País. Outros mais estudiosos – mas não menos tendenciosos – dizem que esse saque ao erário público vem da época da ditadura militar; outros ainda, dizem que somos roubados desde os tempos de Pedro Álvares Cabral, o “descobridor” do Brasil. Vou mais além: ROUBAMOS UNS AOS OUTROS, DESDE QUE O MUNDO É MUNDO. Somos naturalmente maus, por não conseguirmos ver nosso próximo “melhor” que nós.
(...)
A frase preferida dos ladrões do dinheiro público é: “se não é de ninguém, é meu”. Por isso roubam, pois em sua ignorância incompetente, acham que “dinheiro público” não tem dono, ou em pior estado moral, pregam que: “isso aqui também é meu...”. Uns incompetentes!

Não consigo ver nenhuma possibilidade de sistemas políticos corromperem alguém que não é corrompível – posso até estar sendo ingênuo –, não vejo mesmo.

Sempre fui contra desocupados e incompetentes se professarem pastores de igreja. Nunca concordei com pastores sem profissão. Esses pra mim são os lobos, os ladrões, os aproveitadores, os corruptos que destroem toda e qualquer religião com seus modismos e manias – em nada bíblicos – somente para ganhar o dinheiro fácil – dos dízimos – dos fiéis. Da mesma forma, não acredito em políticos que não tem uma profissão e/ou não são estudados (...). Perdoem-me, mas essa tal liberdade sem critério, sem normas, sem formalidades, sem exigências, de todos poderem ser políticos e/ou pastores, foi o que nos trouxe a esse estado de vergonha mundial: POLÍTICOS E PASTORES BILIONÁRIOS E A SAÚDE PÚBLICA UMA MERDA, A EDUCAÇÃO PÚBLICA OUTRA BOSTA, SERES HUMANOS VIVENDO E SENDO TRATADOS FEITO ANIMAIS!

(...)

Não existem partidos políticos corruptos, existem pessoas corruptas; pessoas que se deixaram corromper pela paixão insana de possuir aquilo que não lhes pertence; pessoas que querem ostentar bens e poder que não são seus; embriagados pela luxúria que o dinheiro provoca e não satisfeitos com o que já possuem, roubam o que é “mais fácil roubar”: o dinheiro público; o dinheiro que é de todos. Acusar esse ou aquele partido de ser o corruptor é leseira – ENTIDADES NÃO CORROMPEM PESSOAS HONESTAS – ; não possuem esse poder. Simples assim.

Não existe entidade espiritual que possa corromper ninguém sem que se permita, sem que se queira ser corrompido. Tirem o Diabo dessa, a culpa não é dele.

As centenas de partidos políticos no Brasil, e os trilhões de Reais que nossa Nação gera, pelos mais diversos meios, NÃO SÃO CAPAZES DE CORROMPER UMA PESSOA REALMENTE HONESTA.

O político e o pastor corrupto são votados, empossados, escolhidos por outros corruptos que se deixam comprar por um saco de farinha, um prato de sopa, um rancho, um presentinho, um bingo, uma rifa, uma bola, uma passagem, uma promessa, uma bênção. Por ubma migalha qualquer. POLÍTICOS E PASTORES CORRUPTOS ALIMENTAM A ALIENAÇÃO E A DEPENDÊNCIA DO POVO PARA PODEREM CONTINUAR SEM TRABALHAR.

Muitos dizem – ouço isso há muitos anos – que trabalham visitando suas ovelhas/eleitores para não perder o elo com eles. Mas esse trabalho é o trabalho de alimentar a ovelha para continuar tosquiando-a, alimentar a galinha dos ovos de ouro para enriquecerem. CONHEÇO ALGUNS POLITICOS E/OU PASTORES HONESTOS, QUE TRABALHAM LIVRANDO SEUS ELEITORES/OVELHAS DE SI MESMOS; DESEJANDO, ENSINANDO A ELES QUE OLHEM E VEJAM PARA ALÉM DELES. Tenho orgulho de ser um desses.

Quando um pastor/político não liberta seu eleitor/ovelha, ele entrava o desenvolvimento da congregação, ele entrava o desenvolvimento do Estado – porque a referência do lugar e das pessoas é ele próprio e sua limitante ignorância – ele estagna tudo.

(...)

Reflitam comigo: Os governos patrocinam todo e qualquer tipo de evento alienante travestido de “cultura”, mas são incapazes de promover um movimento contra a corrupção. Milhões nas ruas “pulando o carnaval”, outros milhões nas ruas “marchando pra Jesus”, outros milhões em “marchas gay”; Mas nem um milhão de pessoas pulando, marchando contra a corrupção na política e na “igreja” brasileira. Claro que seria muita idiotice minha achar que algum político – corrupto – estimularia o povo contra a corrupção (...), quem deveria fazer isso era a Igreja de Jesus. NÓS DEVERÍAMOS MOVIMENTAR O POVO CONTRA A CORRUPÇÃO. Mas não fazem porque pedem dinheiro público para seus eventos babilônicos (...). Então, como diz a música: “...tá dominado, tá tudo dominado...”.

Aos que me leem:

Fujam desses políticos e desses pastores que não possuem profissão e/ou que não tem coragem de trabalhar de verdade para conseguir o pão que alimenta com o próprio suor. Fujam desses pastores e desses políticos que lhes oferecem presentinhos para continuarem no poder.

POLÍTICA É SIM UM MINISTÉRIO. Da mesma forma que ser um pastor é ministério, que ser religioso é ministério. SER VIR AO POVO POBRE E CARENTE DE TUDO – PRINCIPALMENTE DE EDUCAÇÃO – É O MINISTÉRIO DE TODOS.

Pense nisso.
NELE, que É o supremo PASTOR e o PRIMEIRO MINISTRO do Reino de DEUS.


Que venha o mês de março.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

VIVER A VIDA EM PAZ É MELHOR.



“Por isso, tenham sal em si mesmos — isto é, fiquem em paz uns com os outros...
Jesus, O Messias.

Depois de muitos meses sem publicar nada aqui no blog da Comunidade Casa de Ensino – apesar de ter feito algumas publicações pertinentes à espiritualidade, em meu blog pessoal – retorno às atividades dos estudos do Livro de Marcos. Curiosamente pelo final do capítulo nove. A última publicação – estudo – foi sobre “morrer e nascer novamente”, tema exaustivamente tratado nos estudos pessoais, aos domingos, quando ainda nos reuníamos, que se encontra no final do capítulo oito do livro de Marcos. Mas, na sexta-feira, 6 de fevereiro, estudando para retomar os estudos pessoais da Comunidade Beit-Alef, o texto que ora trago, chamou-me a tenção.

“Yochanan (João) lhe disse: ‘Rabbi, vimos um homem expulsando demônios em teu nome e, pelo fato de ele não ser um de nós, dissemos-lhe que parasse’. Yeshua (Jesus), porém, respondeu: ‘Não o impeçam, pois ninguém que realize um milagre em meu nome pode falar mal de mim em seguida. Quem não é contrário a nós está em nosso favor. Com efeito, quem lhes der até mesmo um copo de água para beber porque vocês vêm em nome do Messias, com toda a certeza não perderá sua recompensa.

Seria melhor, para quem armar uma cilada contra um destes pequeninos que confiam em mim, ter uma pedra de moinho presa ao pescoço e se lançar no mar.

Se a mão fizer você pecar, corte-a! É melhor ser mutilado, e alcançar a vida eterna, que manter as duas mãos e ir para o Gei-Hinnom, para o fogo inextinguível! E se o pé fizer você pecar, corte-o! É melhor ficar aleijado, mas alcançar a vida eterna, que manter os dois pés e ser lançado no Gei-Hinnom! E se o olho fizer você pecar, arranque-o! É melhor ter apenas um olho, e entrar no Reino de Deus, que manter os dois olhos e ser lançado no Gei-Hinnom: onde o verme não morre, e o fogo não é apagado.

Na verdade, todos serão salgados com fogo. O sal é excelente, mas, se perder sua característica, como poderá ser utilizado? Por isso, tenham sal em si mesmos — isto é, fiquem em paz uns com os outros’”. Marcos 9:38 a 50 – Bíblia Judaica Completa.

O texto inicia com a fala sectária e bairrista – e por que não dizer xenófoba – de um dos alunos de Jesus que afirma ter sido o líder de um buling espiritual, contra alguém que não fazia parte do grupo de alunos – até certo ponto relapsos e incrédulos –, mas que cria absolutamente nos ensinos de Jesus, e por causa disso, expulsava os espíritos impuros das pessoas usando a autoridade do nome de Jesus. Nesse ponto é clara a intenção do aluno João – que viria ser conhecido como o apóstolo do amor – de reter consigo e com os seus chegados o patrimônio Divino, das atividades do Reino de Deus. Crentes, religiosos secos de Deus sempre fazem isso. NÃO PERMITEM QUE NINGUÉM, ALÉM DELES, PRATIQUE A SALVAÇÃO – seja sendo salvo ou salvando de forma diferente da que eles pregam.

A resposta de Jesus é clássica, só faltou – se é que não houve – aquele jargãozinho básico: “seus burros...”: “não impeçam ninguém de salvar em meu nome, porque quem realiza milagres em meu nome, me conhece e não pode falar contra mim ao mesmo tempo, entendam que, quem não age contrário ao Reino age em favor do Reino... (interpretação livre do texto)”. Mas o ralho de Jesus no grupo de xenófobos “celestes”, não ficou por ai, na mesma linha de livre interpretação, posso entender que Jesus teria dito: “e digo mais, seus tolos: qualquer pessoa que der, nem que seja um simples copo de água para esses que agem em meu nome, também receberão sua recompensa...”

O contrário dessa atitude misericordiosa de oferecer nem que seja um simples copo de água para quem bate em nossa porta ou nos para na rua, ou silenciosamente vive o Reino de Deus, a prática do bulling espiritual é severamente condenada pelo Messias: “...mas para todos que gostam de criar regras mentirosas de religiosidade e crença humana, para que esses ‘pequeninos’ cumpram, para somente depois fazerem parte do Reino de Deus, seria melhor pularem na parte mais profunda do mar, tendo uma pedra de moinho – daquelas bem grandes – amarrada ao pescoço.”.

Jesus defende todas as pessoas que têm atitudes Divinas, sejam elas quais forem – de ofertar um copo de água, até expulsar demônios. Quem impede o “fazer o bem”, será punido severamente pelo Rei do Reino.

Essa mensagem bíblica me fez lembra o dito de um artista de rua que disse: “... se precisamos pedir autorização para fazer o bem, algo está muito errado...”.

No texto seguinte, Jesus lembra que a propagação do Reino, a instalação dos Valores reais divinos é o caminho a ser seguido por todos. Errar esse caminho é o pecado. E contra “esse” pecado, Jesus alerta:

Se a mão fizer você pecar, corte-a! É melhor ser mutilado, e alcançar a vida eterna, que manter as duas mãos e ir para o Gei-Hinnom, para o fogo inextinguível! E se o pé fizer você pecar, corte-o! É melhor ficar aleijado, mas alcançar a vida eterna, que manter os dois pés e ser lançado no Gei-Hinnom! E se o olho fizer você pecar, arranque-o! É melhor ter apenas um olho, e entrar no Reino de Deus, que manter os dois olhos e ser lançado no Gei-Hinnom: onde o verme não morre, e o fogo não é apagado.

Mas o texto acima, tem sofrido uma interpretação errada durante séculos – eu acredito. Se não dissociarmos a passagem das “mãos”, “pés” e “olhos” arrancados para não “pecarmos”, do texto que mostra claramente o bulling xenófobo dos alunos de Jesus, e ainda entendermos que o pecado é errar o caminho – que é a disseminação dos valores Divinos – amar ao outro –, ele parecerá um apêndice. Mas não é, o texto de Marcos 9:43 a 48, está intimamente ligado ao verso 38 do mesmo capítulo. Vou mostrar como entendo o texto acima.

MÃO – tem a ver com o trabalho, com as atividades, com a atitude de realizar. O que Jesus parece dizer é que: SE NOSSAS ATIVIDADES, NOSSO TRABALHO, NOSSAS CRENÇAS, NOSSAS PRÁTICAS RELIGIOSAS nos impedirem de agir na implantação do Reino de Deus, ou nos fazerem impedir que o Reino seja implantado por outros que não pertençam ao nosso grupo de crença; seria melhor “cortar a mão”, ou seja, largar aquela crença ou religião, abandonar aquele hábito ou comportamento, que ser lançado no “fogo eterno”.

PÉS – Os pés nos levam para onde desejamos ir, sem pés fica complicado trabalhar com “as mãos”. São nossos pés que fazem de nós o que somos. Existem diversas referências na Bíblia sobre o “pé”, mas vou me deter em uma mais pertinente a possível intenção de Jesus, nesse episódio. É em Isaías que entende estar a mais forte de todas as simbologias para o “pé”: “Quão formosos são, sobre os montes, os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz, do que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, do que diz a Sião: O teu Deus reina!” (Isaías 52:7). Tomando tal afirmação bíblica como base, posso afirmar que – entre outras coisas – TODO O PÉ QUE NÃO CAMINHAR EM PAZ E PARA A PAZ, DEVE SER CORTADO E LANÇADO para longe. O caminho da Paz é o caminho do Reino de Deus, se não caminhamos nessa direção – PAZ – estamos “andando” em pecado.

OLHO – Novamente, a referência ao olho é a simbologia judaica. Em Mateus, encontramos uma clara referência de Jesus ao “uso” do olho: “A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz;  se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!” (Mateus 6:22 e 23). TER UM OLHO MAU É OLHAR COM INVEJA, COM DESCONFIANÇA E PRINCIPALMENTE COM O “OLHAR” DE JULGAMENTO. É contra esse “olho” que Jesus diz que devemos agir radicalmente, arrancando-o de nós. Esse “mau olhar” é que nos faz caminhar – pecar – contra o Reino de Deus e nos mostra o “inferno” que nos espera.

Mas o fogo não é o problema, o próprio Jesus diz isso. Fogo purifica: “...todos serão salgados pelo fogo...”. Purificar é “passar pelo fogo”. Qual “fogo”? O “fogo” da tentação de usarmos regras e crendices humanas como forma de adesão ou qualificação para “ser” filho de Deus; O “fogo” da tentação de caminharmos em guerra contra tudo e contra todos, achando que somente nós temos as respostas da vida e da existência. Muitos não sabem viver em paz e morrem em guerra consigo, com os próximos e com Deus; O “fogo” da tentação de olharmos os outros com a intenção de sempre julgá-los. Todos nós passamos por esses “fogos”. Mas só seremos puros se PASSARMOS, ATRAVESSARMOS, por eles. Ao final da caminhada, seremos “salgados” pelo fogo.

Termino esta reflexão com a frase final de Jesus no texto de Marcos:

“O SAL É EXCELENTE, MAS, SE PERDER SUA CARACTERÍSTICA, COMO PODERÁ SER UTILIZADO? POR ISSO, TENHAM SAL EM SI MESMOS — ISTO É, FIQUEM EM PAZ UNS COM OS OUTROS”.

Talvez falte um pouco de profundidade nesse mergulho estudando o texto de Marcos, mas deixo a presente reflexão, desejando a todos uma excelente semana.

                        “Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz.” (Efésios 4:3)
“E calçados os pés na preparação do evangelho da paz;” (Efésios 6:15)
“Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor;” (Hebreus 12:14)
“Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz.” (Tiago 3:18)
“Aparte-se do mal, e faça o bem; busque a paz, e siga-a.” (I Pedro 3:11)

No Messias, que tem Paz para quem tem fome e sede dela.


Alexandre Rocha.

sábado, 10 de janeiro de 2015

PENSANDO MELHOR... ERA TERRORISMO TAMBÉM.



A Pouco comentei um post do amigo pastor Luiz Sayão, que mostrava a verdadeira razão da “intolerância” religiosa que motivou os ataques na França, nesta semana. Quase todas as ilustrações do jornal aterrorizado e dos cartunistas assassinados, são infames. Uma delas mostra um coito anal entre Maomé e Jesus e entre uma ilustração do Todo Poderoso. INFAME O DESENHO. Desrespeitoso ao extremo, horrenda ilustração, sem qualificação (...). Se eu fosse um fanático também mataria (...). Mas não sou e não mato por religião, por política, por futebol. Posso cometer um crime de lesa para defender a quem amo, minha família, meus amigos chegados, para defender minha própria vida. QUE FIQUE CLARO: NÃO APOIO ATOS TERRORISTAS OCORRIDOS NA FRANÇA OU EM QUALQUER OUTRO LUGAR.

MAS TAMBÉM NÃO APOIO DESENHAR “JESUS” COMENDO O RABO DE “MAOMÉ”. Isso é um desrespeito sem igual.

Identificar o que é LIBERDADE é tarefa de todo ser humano que deseja viver em paz aqui nesse plano terrestre; identificar os elementos da LIBERDADE é da mesma forma primordial. Dois dos ingredientes da LIBERDADE são o LIMITE e a TOLERÂNCIA.

Daqui por diante, sempre que se defrontar com qualquer ato de terrorismo contra a LIBERDADE, gostaria que você se perguntasse:

1) HAVIA LIMITE NO EXERCÍCIO DA LIBERDADE?
2) HAVIA TOLERÂNCIA NO EXERCÍCIO DA LIBERDADE?

Se não existir LIMITE e TOLERÂNCIA no exercício de qualquer LIBERDADE, seja de imprensa ou de expressão, não é liberdade; é outra coisa, menos liberdade.

Liberdade é fruto de SABEDORIA e esta sabedoria só é conquistada quando se tem MEDO DE DEUS. Sem TEMOR a DEUS, não há SABEDORIA. Não há, porque entramos no caminho do “TUDO POSSO...”. Pode não!

NINGUÉM PODE USAR SUA LIBERDADE PARA INVADIR A VIDA DO OUTRO;
NINGUÉM PODE USAR SUA LIBERDADE PARA DESRESPEITAR O OUTRO;
NINGUÉM PODE USAR SUA LIBERDADE PARA ATACAR HONRA, CREDO E PREFERÊNCIAS INDIVIDUAIS DO OUTRO.

Sem LIMITE e TOLERÂNCIA – RESPEITO – NÃO HÁ LIBERDADE. HÁ TERRORISMO!

Pensem nisso.

Eu estou pensando e não é pouco.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

LIÇÕES QUE MAMÃE RUTH DEIXOU.
“NÃO PERGUNTE: POR QUE?;
PERGUNTE: PARA QUE”.

Palestra ministrada por Mama Ruth em 27 de novembro de 2010. A última.

Hoje, 1º de janeiro, faz quatro anos que Mama Ruth partiu. Acredito que só quem realmente vive a ausência de um ser tão importante como o SER MÃE, pode saber do que falo, e quiçá, do que sinto. De forma alguma gosto de viver na sofreguidão de uma saudade, mesmo que seja a saudade de mamãe, mas é impossível, dela não lembrar com saudade e com um profundo desejo de que estivesse por perto – em vida – para me ajudar a entender algumas facetas da existência. Não sei se me engano – por vontade própria ou por falta de observação apurada – mas muitos dos que conviveram com mamãe, mesmo os parentes mais próximos, introgetaram certas características de mamãe em seus modus vivendi. Porém minha percepção sobre aquela grande mulher de pequena estatura, de gestos leves porém fortes e enérgicos, de semblante angelical mas estupidamente vibrante, é outra. Nos últimos anos de vida de mamãe passei percebê-la como um córrego de água, que contorna com muita facilidade qualquer obstáculo, para chegar ao seu objetivo. Ela já não perdia tempo com o que julgava ser “perda de tempo”. Certas coisas já não lhe prendiam a atenção. Ela estava livre de tudo e de todos. Tão livre que partiu na hora que não queria partir, mas na hora que o ETERNO nosso DEUS a chamou (...) e ela foi. Foi mas deixou muitos ensinos.

Um dos mais interessantes se resume na frase-título deste artigo. Quando alguns de nós chegávamos para pedir conselhos, Mama Ruth nos dizia: “... não pergunte: por que?; pergunte: para que?”. A sabedoria desse conselho da Dona Ruth, ficou – para mim – no campo da admiração catatônica. Isso porque é difícil saber perguntar “para que”. Mas acredito ter encontrado em uma historieta de origem chinesa a explicação para essa máxima tão sábia que Mama Ruth alardeava por onde quer que fosse, para quem quer que lhe perguntasse: “... por que isso me acontece?”. Conta essa parábola que:

“Um homem possuía um belo cavalo cobiçado pelo vilarejo onde morava. Ofereceram-lhe uma boa soma para comprá-lo. Ele não aceitou. Passados alguns dias, o cavalo fugiu de seu cercado e desapareceu. Os vizinhos comentaram com o homem: ‘Teria sido melhor vendê-lo!’ O homem reagiu dizendo: ‘Pode ser que sim, pode ser que não.’

Certa noite, o cavalo retornou e, como havia se tornado líder de uma manada selvagem, com ele vieram também duas dezenas de outros cavalos. Os vizinhos comentaram: ‘Você fez bem em não vendê-lo!’ Ao que homem respondeu: ‘Pode ser que sim, pode ser que não.’

Certo dia, o filho deste homem foi montar o dito cavalo. Caiu, fraturou a bacia e ficou por mais de seis meses em repouso absoluto. Os vizinhos comentaram: ‘Teria sido melhor vender o cavalo!’ O homem retrucou: ‘Pode ser que sim, pode ser que não!’

Nas semanas seguintes ao acidente do filho, eclodiu uma guerra na região e todos os jovens foram convocados com exceção do filho daquele homem, que estava se restabelecendo de suas fraturas. Dessa guerra sangrenta, poucos retornaram com vida e raros foram os que não tiveram alguma sequela física dos ferimentos. Os vizinhos comentaram: ‘Você fez bem em não vender o cavalo!’ Ao que o homem respondeu: ‘Pode ser que sim, pode ser que não!’”

O perguntar: “para que isso me acontece?”, é dirigido não a DEUS, ou ao agente causador do desconforto sofrido, mas a nós mesmos. “Para que?” possui a mesma sabedoria do “pode ser que sim, pode ser que não” que a afirmação do homem da parábola chinesa. Ter a coragem de perguntar “para que?” nos coloca como agentes do acontecido, e não como meros espectadores sôfregos (...). Perguntar “para que?” é saber que temos nossa parcela de participação na tragédia que sofremos. Perguntar “para que?” é saber que “toda moeda tem dois lados”, e se tem, uma hora entenderemos os “por quês” dos acontecimentos que nos causam uma aparente desolação.

Pergunte-se. O que teria acontecido com o filho do fazendeiro chinês, se ele tivesse vendido aquele cavalo na primeira oportunidade que apareceu? Eliminando as tragédias, logo diríamos que o rapaz não teria sofrido aquele acidente que o imobilizou por meses, alojando-o sobre um leito, e com certeza com dores terríveis – para si e para seus pais. Porém, foi exatamente aquela tragédia que evitou que aquele rapaz fosse alistado para a guerra, onde muitos de seus amigos fatalmente perderam a vida. Todo acontecimento em nossa vida precisa ser visto como: “pode ser que sim, pode ser que não”.

Em seu livro “Fronteiras da Inteligência” o rabino Nilton Bonder, comenta da parábola chinesa que:

“Tudo que ele fez com o cavalo foi tomar a decisão de não vendê-lo. A ideia de que existe uma decisão correta que vai, no final da história, mostrar-se a mais vantajosa é parte da ilusão e do desejo de controle.” [1]

Quando assumimos com coragem a pergunta “para que ‘isso’ me acontece?”, estamos na verdade dizendo a nós mesmos: “por que essa tragédia não pode acontecer comigo?”; “por que isso só pode acontecer com os outros?”; “o que me faz tão especial para que eu mesmo não seja capaz de ter provocado esse acontecimento para mim mesmo?”. Quando com honestidade, perguntamos “para que?”, quando com sinceridade, dizemos “pode ser que sim, pode ser que não”, diante dos acontecimentos naturais da existência, assumimos que não somos o centro do universo, reconhecemos que fazemos parte de um grande evento chamado vida.

O rabino Bonder finaliza:

“‘Por que não?’ nos libera do destino traçado por acertos e erros do passado e abre a possibilidade de ser o presente o determinador da experiência. ‘Por que não?’ não é a ausência de propósito, mas é o propósito espiritual – o propósito da penumbra e não o da claridade. Sua vantagem está em nos liberar para lutar pelo presente e pelo futuro, em vez de fazer com que nos percamos no imobilismo de ‘entender’ o passado.”

Acredito que era essa a lição que Mama Ruth queria passar quando nos dizia:
“Não pergunte: por que?; pergunte: para que?”.
“Por que?”
“Para que você entenda que a única pessoa responsável pelo que lhe acontece de bom ou de ruim é você mesmo. Seja livre para aprender, meu irmão, seja livre...”

Pelo menos foi isso que – agora – entendi.


Feliz ano de 2015.

No MESSIAS que nunca pergunta o “por que?” de nenhum dos meus pecados – ELE os sabe; mas simplesmente diz, todos os dias: “teus pecados estão perdoados...”.

Mas, “Para que” o ETERNO nos permite cometer – muitas vezes os mesmos – pecados?
PARA QUE tenhamos a certeza – muitas vezes dolorida – de que nada somos sem o SEU perdão.



LOUVADO SEJA ELE.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

ADEUS 2014. BEM-VINDO 2015 – parte final.



Aos AMIGOS.

“Algumas amizades são puro fingimento, mas um verdadeiro amigo é mais apegado que o irmão”. Provérbios 18:24 – Bíblia Judaica Completa.

Muita gente acha que a amizade é sentimento relacional que rege somente o convívio entre pessoas estranhas, mas não rege a relação entre parentes. Eu nunca havia parado para pensar neste fato até recentemente. Muitos de nós não possuímos amigos aparentados. Nossos amigos verdadeiros estão – quase sempre – fora do relacionamento familiar. Por que?

Creio que a resposta é simples de entender, mas difícil de aceitar. Esse fato dá-se porque as pessoas estranhas ao rol familiar, não nos cobram um código de conduta que o grupo familiar nos exige.

A sociedade celular chamada família tem seu próprio código de conduta, que na maioria das vezes impede que possamos compartilhar nossas intimidades com seus membros. Isso porque, invariavelmente, quando abrimos nosso coração e falamos de nós, há cobranças, reclamações, decepções, julgamentos, (...). Fora do convívio familiar esses comportamentos acusatórios não ocorrem então nos sentimos mais confiantes em contar nossos “segredos” a uma pessoa que – quase sempre – nos ouve sem nada julgar. São esses a quem chamamos de amigos.

Durante o ano de 2014 aprendi muitas coisas. Umas por observação, outras por prática. As lições observadas não marcaram tanto quanto as lições praticadas. Com o rabino Nilton Bonder aprendi que: “conversa é o ato de alguém falar e outro invariavelmente ouvir”. Com o mestre Augusto Cury aprendi que diálogo é o alicerce para uma amizade verdadeira. Mas qual a diferença entre conversar e dialogar?

A conversa se prende ao externo, ao fortuito, as igualdades; já o diálogo só acontece quando um confia no outro e conta-lhe segredos, intimidades por saber que não será julgado pelo que contar. Simples assim. A primeira prática tem a ver com a superficialidade das relações; A segunda tem a ver com o reconhecimento do valor do outro, e do reconhecimento de que não se é diferente daquele que segreda – normalmente coisas “cabeludas”, estranhas ao dito comportamento normal da sociedade.

Essa falta de competência em ser família, tem afastado as pessoas. Familiares têm medo de contar seus segredos, suas falhas, seus dramas, seus traumas, seus erros, seus desassossegos, seus desgostos, suas decepções, suas frustrações, seus desejos (...), a outros familiares, pois sabem que esses irão julgá-los como seres fracassados, pessoas idiotas, (...). E esse “achar isso” vem da observação. Pare e pense. QUANTAS VEZES VOCÊ JULGOU SEM PIEDADE ALGUÉM POR ALGUM ATO FALHO NA FRENTE DE SEUS FAMILIARES? Só que você – como acontece com todo julgador – não imagina que seu parente – seja filho, irmão, pais ou outro aparentado – possa vir a cometer IGUAL ato falho. Esse familiar que presenciou sua reação, registrou e identificou esse comportamento como sendo O SEU COMPORTAMENTO PARA ATOS DAQUELE TIPO; então, quando esse coitado se vê em situação igual, sabe qual será sua reação. AÍ “FICAMOS” CALADOS... POIS SE CONTARMOS O QUE NOS ACONTECE SEREMOS ALVO DAS SUAS REAÇÕES MAIS ESTÚPIDAS (...).

Por que nossos parentes procuram ajuda – confessional – de outras pessoas? Porque somos incapazes de entendê-los e aceitá-los. Somos muito bons em julgar nossos parentes (...). É POR ISSO QUE RARAMENTE EXISTE AMIZADE ENTRE PARENTES.

Aprendi com a literatura judaica, que um dos comportamentos que mais vale lutar para obter é ser um bom amigo. Para ser um bom amigo, necessariamente é preciso ter um bom olhar para com quem está conosco – seja esse “estar”, perto ou distante – ; para ser um bom amigo, há necessidade de ser um bom vizinho – não viver arengando com quem está “ao nosso lado”; para ser um bom amigo é indispensável ter um bom coração. O bom coração nunca julga ou pré-julga, nunca tem pré-condições, pré-conceitos, pré-suposições, nunca pensa que (...).

É MUITO FÁCIL SER AMIGO. BASTA DEIXAR O OUTRO SER QUEM ELE REALMENTE É; BASTA ACEITARMOS NOSSO AMIGO COMO ELE QUER SER.

Um amigo de verdade, pode até viver no céu, mas nunca transforma a vida do outro em um inferno; Um amigo de verdade, pode até ser juiz, mas nunca irá condenar seu amigo por viver diferente da “sua” justiça; Um amigo de verdade, nunca vai deixar seu amigo sozinho só porque ele pensa, age ou fala diferente; Um amigo de verdade nunca vai prender ninguém consigo, mesmo que sinta uma grande falta dele; Um amigo de verdade nunca vai culpar seu amigo pela dor – seja ela oriunda do que for – que sente.

Termino esse último post, parafraseando o apóstolo Paulo:

Mesmo que eu fosse um poliglota, mas não tivesse amigos; tudo que eu falasse, seria como um barulho qualquer, produzido por um pedaço de metal.

Mesmo que eu fosse reconhecido como a mente mais brilhante da ciência, ou o religioso mais piedoso do mundo, a ponto de ganhar o prêmio Nobel; sem amigos não seria ninguém.

Mesmo que eu fosse muito rico, e dividisse minha fortuna com as pessoas necessitadas; ou movido por grande remorso ou compaixão, entregasse meu corpo para experiências científicas a fim de achar a cura para as doenças; sem amigos, nada disso se aproveitaria.

Ser amigo é sofrer com o amigo, é ser bondoso com ele – mesmo que não mereça, é não querer o que ele tem, nem ser desonesto com as intenções para com ele. Ser amigo é nunca se achar melhor, ou “mais” que nosso amigo.

Um amigo de verdade nunca deixa que humilhem, nem humilha. Um amigo de verdade sempre sabe que tudo tem uma razão de ser. Um amigo de verdade nunca duvida da palavra de seu amigo, mesmo que haja suspeita dos fatos não serem tão verossímeis (...).

A amizade verdadeira gosta das coisas simples e claras, mas não fica escarafunchando a vida do amigo, só para saber as “verdades” dele....

Amigo de verdade, sofre com as decepções, mas não abandona o amigo. Não abandona porque sabe que ninguém é perfeito (...), e sabe que tudo passa, até a decepção passa. Isso é ser amigo de verdade.

As pessoas podem falhar conosco, podem até falar mal de nós (...); mas se formos amigos de verdade, tudo vai passar, tudo será jogado fora.

Quando somos amigos de verdade, nem traição, nem brigas, nem decepção, nem união ou separação, nem política, nem religião, nem céu, nem terra, nem inferno, nada nos separa. No fim, tudo passa; só a amizade fica.

Feliz 2015. Obrigado por sua amizade.


No MESSIAS que É O MELHOR AMIGO.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

MINHA VERDADE SOBRE O DÍZIMO



Agora você pode ler o livro Minha Verdade Sobre o Dízimo, que foi lançado em maio de 2014. Basta entrar na página em que os capítulos estão identificados e clicar no capítulo que desejar ler.

Para adquirir o livro: em Manaus, entre em contato com o pastor ALEX MENDES pelo fone (92) 98250-5852. E também disponível na Livraria Cristã.

Em Itacoatiara, você pode encontrar na Livraria Vida e comigo, através dos fones: (92) 99202-4186 (WhatsApp) e 98255-1463.

Boa Leitura.

Feliz Natal.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

ADEUS 2014. BEM-VINDO 2015 – Parte I


Para não escrever um “post gigante”, no dia 31 de dezembro de 2014, resolvi fragmentar o tema em alguns posts “menores” (risos). O primeiro dia de cada ano, a partir de 2011, nunca mais será um dia de expectativas, mas de reflexões. Isso por que foi nesta data, dia 1º., que Mama Ruth partiu. Então fica difícil para mim não refletir no “para que?” ela morreu no primeiro dia do ano – para o resto da minha vida. A resposta mais óbvia é: “para que eu reflita sobre o que há de vir após o dia 1º...”.

Então vamos lá.

Mesmo sabendo com certeza que o ano de 2014 inda não acabou – mesmo que passássemos o restante dos dias dormindo – pois faltam seis dias para seu fim. E que nesses dias que restam milhares pessoas irão nascer ainda em 2014 até as 23h59m do dia 31 de dezembro e outros milhares irão deixar esse plano existencial (...), resolvi escrever sobre essa transição.

O ano de 2014 foi um ano surpreendente para mim. Em todos os aspectos. Iniciei de fato o ministério da “Beit-Alef – Casa de Ensino”; lancei um livro que tenta desmitificar a questão do dizimo; voltei ao mercado de trabalho depois de anos sem atuar na área da comunicação e da propaganda; retomei as atividades políticas como agente político; tive as emoções abaladas por diversos acontecimentos. Reencontrei amigos que a tempos não via e fui reencontrado por outros. Emoções antigas afloraram (...). Foi um ano cheio de questionamentos, cheio de aprendizados, cheio de dúvidas e poucas certezas – GRAÇAS A DEUS. As dúvidas pedem respostas e não certezas; as respostas certas devem gerar outras dúvidas (...) e assim é, e assim é estou terminando o ano de 2014. COM PERGUNTAS, COM DÚVIDAS, SEGURO DE QUEM SOU.

Nesse caminhar – pelo menos até agora – causei muitas dores a pessoas que se preocupam comigo, a pessoas que me amam, que se envolvem com a minha vida, mesmo que eu diga: “não”. Não tem jeito (...). Tenho apenas que administrar o ímpeto de “correr” e a realidade de que nem todos têm “pernas para me acompanhar” como eu gostaria.

Nesse caminhar – pelo menos até agora – fiz uma releitura do valor familiar, de como os filhos são importantes na vida da gente. Pude perceber a diferença de cada um e o lugar que cada um deles ocupa eternamente dentro de mim. Pude ver o quanto sou falho como pai, e o quanto preciso melhorar, aprender (...), mas a presente/constante impossibilidade de exercer tais predicados não me “neura” mais. Pude ver a importância de se ter um cônjuge que não lhe julgue, que não lhe imponha regras, nem lhe cobre comportamentos. Pude perceber a importância de ser cônjuge assim. Nesse processo de percepções das presenças também houve a presença da ausência (...); Nesses emaranhados de sentimentos e percepções íntimas e intimistas não saber o que é amar, me arrasa, põe por terra os conceitos pré-definidos pelas convenções sócio-cultural-religiosas. NÃO SEI NADA SOBRE O AMOR.

Nesse caminhar – pelo menos até agora – fui acusado, atacado, chamado de doido, esquizofrênico, irresponsável, mentiroso, tolo e sonhador (...). Mas também fui reconhecido como gente; como ser humano que deixou de ser “super-herói”, que largou a fantasia de “deus-gente”, de “inerrável”, de exemplo de sucesso, de “o cara”. Passei a ser visto como um simples e reles mortal; sujeito a todos os tipos de tropeços, quedas, devaneios, sandices, tolices, traições – as mais tolas; uma pessoa sujeita a momentos de depressão, de vontade de morrer, de vontade de sumir; passei a ser entendido como um homem que tem limites, um sonhador inveterado sim. E ISSO É MUITO BOM! Deixar os estereótipos que maximizam o ser é abençoante.

Esse turbilhão de coisas que me aconteceram quebraram os meus “gessos”, que definitivamente a PAZ vem da obediência aos comandos do ETERNO: aos “sim”, aos “não”, aos “espere”. Aprendi que DEUS não é “preto” ou “branco”, ele é Infinitos tons de cinza. Entendi que o SENHOR prefere a sombra que a luz ou a escuridão. Percebi que muitas vezes o “correto” está errado e o “errado” pode estar certo. Pude ver que não sou um “cocô” boiando nas águas da vida, estou mais para um aprendiz de marinheiro que passa por tempestades e acorda o MESTRE dos mares para que socorra devido a minha falta de confiança. Tenho visto que muitas vezes os “caminhos curtos” podem ser os mais longos, desgastantes e cansativos, e que os “caminhos longos” podem ser os mais curtos e menos turbulentos.

2014, - pelo menos até agora –, tem me ensinado a “contar meus dias”. Estou envelhecendo e isso é bom. Só preciso achar na velhice a sabedoria que preciso para terminar meus dias em paz, comigo e com os que estão no caminho comigo – os de perto e os de longe, como diz o Carlos Bregatin. Mas não pense que por saber-me chegando ao “velhismo”, que me acho um inútil, um inerte, um velho. Não sou e nunca serei um velho. Como diz meu amigo Sanlai Trindade, sempre serei um adolescente. Minha alma é jovial – sem ser hilário ou gargalhante –, meu ímpeto é rompante, não me dou por vencido – só demoro um pouco mais para desatar os nós –, nunca me dou por vencido. SOU UM SONHADOR INVETERADO.

OBRIGADO A TODOS que: duvidaram de mim, que questionaram minha sanidade, minha integridade, meus compromissos com DEUS, meu ministério, minha capacidade profissional, meus valores, meus temores, meus medos (...). OBRIGADO aos que fizeram o contrário de tudo isso: crendo, aceitando, observando, deixando o tempo trabalhar, apostando em minha capacidade profissional e ministerial (...). OBRIGADO POR ME FAZEREM QUEM SOU HOJE.

Quem sou? SOU GENTE, FILHO DO ETERNO.

Feliz 2015.

NELE, que É para sempre.


(...)

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

POR ORA, É FELIZ NATAL.



Amanhã será 24 de dezembro, véspera de Natal. Muitos de nós – da comunidade Facebook – iremos comemorar e “bebemorar” com muita alegria; na companhia de amigos e/ou parentes. Outros farão sozinhos, em suas moradias, ou na “companhia” de muitos outros solitários (...). Outros porém, menos afortunados, não terão muito à comemorar, talvez por estarem de luto ou em luta (...). Mas não importando o participante, AMANHÃ E DEPOIS DE AMANHÃ SERÁ NATAL.

No NATAL comemora-se tradicionalmente o nascimento de Jesus, aquele que veio ao mundo – ocidental – como o filho de DEUS, como o SALVADOR, como o RESTAURADOR do equilíbrio cósmico entre CÉUS e TERRA. E quase todos, desejamos “... que  Jesus nasça em cada coração...” trazendo paz, amor, prosperidade, etc., etc., etc. (...). Porém, Jesus não pode mais nascer; Ele já nasceu e ainda continua vivo. É o ser humano de mais idade, possui mais de dois mil anos.

Estranho pensar assim, mas é a verdade – pelo menos para mim.

Creio que deveríamos desejar é que O MESSIAS, ou o Espírito Dele, nasça, brote, aflore dentro de cada um de nós. Mas pouco sabemos sobre o Messias. Lembrando das palavras do rabi Nilton Bonder no livro “A Alma Imoral”:

“O Messias é o símbolo, na dimensão da consciência, da determinação evolucionária animal, contida em seu próprio código genético. É preciso errar, infringir, violar e transgredir o status quo para que possa haver uma transcendência desejada pela própria tradição traída. Da mesma forma que a tradição precisa da traição, que a preservação precisa da evolução, que o acerto de hoje dependeu do erro de ontem, o contrário também é verdadeiro. Porque a evolução só é possível quando existe uma manifestação para ser contestada, aviltada.
(...)
O Messias que anuncia sua chegada será sempre mártir, mesmo nas mãos dos transgressores. Isso porque, ao chegar, este se transformará de rei dos transgressores em rei dos tradicionalistas. Os transgressores não querem um senhor tradicional, nem os tradicionalistas um senhor transgressor. O Messias é o sonho, somente representado por todo aquele que é o transgressor adorado, imediatamente devorado, para que este mundo não seja nem apenas da ordem do de temos que fazer nem do que não devemos fazer. Não haverá tradição sem traição, nem traição sem tradição, como não pode haver integridade do animal sem evolução, nem evolução sem integridade do animal.”

Esse é o ESPÍRITO de MESSIAS que deve nascer em nós. Se existe um momento para esse nascimento, o Natal, o “dia do seu nascimento”, é esse dia. Que todos nós possamos transgredir as Leis humanas – inertes, satânicas – impedidoras e diabólicas – acusadoras, que nos afastam do verdadeiro alvo, da verdadeira missão humana, da verdadeira vontade de DEUS para nós, seres humanos: CUIDARMOS UNS DOS OUTROS.

Para mim, o ano de 2014 ainda não acabou, está longe de acabar. Faltam sete dias – uma vida. Tudo de bom e de mal pode acontecer em sete dias, antes desse ano aperriado acabar de vez para nunca mais voltar. Mas dele – de 2014 – falarei no post de fim de ano.

Por ora, FELIZ NATAL. Que o ESPÍRITO de MESSIAS nasça dentro de você, dentro de mim. Para não sermos mais estranhos a nós mesmos; que tenhamos a coragem de ser quem somos para podermos dialogar sem neuras, sem traumas, sem frescuras, sem falsos pudores, sem culpa, sem acusação, sem nada que impeça viver em PAZ.


FELIZ NATAL.


No MESSIAS, que teima em nascer em mim, que insiste em acreditar em mim.

domingo, 21 de dezembro de 2014

ESTÁ CLARO OU VOU TER DE DESENHAR?



Das duas uma, ou não ficou clara a última declaração que fiz quanto à minha liberdade de escolher meus amigos e defender seres humanos, ou quem ainda insiste em tentar me tolher esse direito não leu o dito. Então tornarei a repetir – didaticamente – para que todos que estão em minha lista de amigos, e os que vez por outra entram para dar uma espiadinha nas coisas que posto na minha linha do tempo, entendam.

Primeiro: Sou completamente livre para escolher quem eu desejar ter/fazer como amigo, não importando opção sexual, gênero, credo religioso, etnia, cor de pele, biótipo físico, status social, militância política;

Segundo: Da mesma forma não incrimino, dis-crimino ou re-crimino ninguém, que tenha coragem de ter/fazer amigos, não importando opção sexual, gênero, credo religioso, etnia, cor de pele, biótipo físico, status social, militância política;

Terceiro: Sou totalmente responsável por meus atos, falas – incluam-se meus escritos – e por meu silêncio;

Quarto: Não admito qualquer retaliação por minhas escolhas pessoais.

Quinto: Exijo respeito pelas escolhas que faço principalmente as políticas e religiosas. Cabe a mim, tão somente, concordar ou discordar – respeitosamente – de qualquer comportamento e/ou discurso de ENTE político/público, seja PARTIDO, GOVERNO ou AUTORIDADE;

Sexto: Reconheço claramente a diferença entre uma “PESSOA” e um “ENTE”. Reporto-me às PESSOAS com respeito, aceitando suas escolhas e posições, porque assim desejo que sejam comigo; Quanto aos ENTES, reservo-me o direito constitucional de criticá-los, reprova-los ou aprova-los se assim resolver;

Sétimo: TODO ENTE PÚBLICO MERECE SER JULGADO POR SEUS ATOS, SEJAM ESSES ATOS IGNÓBEIS OU LOUVÁVEIS. SE IGNÓBEIS DEVEM SER CONDENADOS, SE LOUVAVEIS DEVEM SER CONTEMPLADOS.

Oitavo: PESSOAS, para mim – e para Lei, são inocentes até que se prove o contrário; ENTES – públicos – sempre serão avaliados por mim; CRITICADOS quando necessário – ESSE DIREITO É MEU E NÃO ADMITO AMEAÇAS POR CRITICAR ATOS DE GESTÃO DE QUALQUER ENTIDADE.

Nono: SOU LIVRE PARA: PENSAR E FAZER. Arco com as CONSEQUÊNCIAS LEGAIS disso.

Finalizo, por hora essa prosa:

Dez: Se um amigo meu, coberto pelo manto de ENTE público, cometer ato de corrupção, improbidade administrativa, peculato, ou outro ato contra o bem público, quero e exijo que seja PUNIDO enquanto ENTE público, com todas as penas cabíveis. Mas, enquanto PESSOA, sempre será meu amigo, e trabalharei para ajudar na recuperação de sua autoestima e falha de caráter, pois é meu amigo.

***

P.S. (pós-escrito): SER AMIGO NÃO É CEGAR-SE AOS ATOS CRIMINOSOS DAQUELE QUE ESCOLHEMOS COMO AMIGOS; SER AMIGO É RECONHECER AS FALHAS DESSES AMIGOS E INCONDICIONALMENTE ALERTÁ-LOS QUE SEUS ATOS SÃO FALHOS. MAS NUNCA ABANDONÁ-LOS, NEM TAMPOUCO “PAGAR O PATO” POR ELES.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

O “OUTRO LADO” DO TEMPO DAS COISAS.

Em 18 de agosto de 2014, postei uma reflexão sobre o “tempo das coisas”, com base no texto de Eclesiastes, atribuído ao rei Salomão. Ao reler, resolvi acrescentar o “outro lado do tempo”. Afinal, toda moeda tem dois lados, todo caminho tem duas direções (...). Aproveito o momento festivo – Natal, Ano Novo – que já respiramos, quando as emoções tendem a se equilibrar e o “espírito festivo”, nos faz refletir com mais facilidade, para tratar da importância do “tempo de cada coisa” em nossa vida.

O texto de Salomão diz:

“Há tempo para tudo, o momento certo para toda intenção debaixo do céu – Tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar, tempo de ferir e tempo de curar, tempo de derrubar e tempo de construir, tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear o luto e tempo de dançar, tempo de jogar pedras e tempo de recolher pedras, tempo de abraçar e tempo de afastar, tempo de procurar e tempo de desistir, tempo de guardar e tempo de descartar, tempo de rasgar e tempo de costurar, tempo de silenciar e tempo de falar, tempo de amar e tempo de odiar, tempo de guerra e tempo de paz.” Eclesiastes 3:1 a 8.

Minhas reflexões:

“O tempo de nascer não pode invadir o tempo de morrer, porque senão ficaremos velhos insuportáveis;” Mas o tempo de morrer também não pode invadir o tempo de nascer, para não nos tornarmos suicidas crônicos;

“O tempo de plantar não pode ser mais que o tempo de arrancar, porque senão ficaremos sem alimento – ele se estragará agarrado ao chão;” E o tempo de arrancar não pode ser maior que o tempo de plantar, para não nos tornarmos destrutivos;

“O tempo de ferir não pode ser maior que o tempo de curar, porque senão ficaremos insensíveis à dor – nossa e dos outros;” E o tempo de curar não pode ser mais que o tempo de ferir, para não nos sentirmos obesos da ilusão de tudo poder;

“O tempo de derrubar não pode tolher o tempo de construir, para não ficarmos morando em ruínas o tempo todo;” Mas o tempo de construir também não pode nunca ser mais importante que tempo de desconstruir para que sempre possamos ver onde temos de melhorar, construindo moradias melhores;

“O tempo de chorar nunca pode ser maior que o tempo de rir, para não nos tornarmos melancólicos compulsivos – viciados em tristeza;” Mas o tempo de rir precisa dar vez ao tempo de chorar, para não nos tornarmos insensíveis, cínicos e desalmados;

“O tempo de prantear o luto, jamais pode ser maior que o tempo de dançar, para não perdermos a alegria de ver o sol nascer de novo nos dizendo: estás vivo. Dance!” Mas o tempo de dançar não pode invadir o tempo de prantear o luto, a perda, para não nos tornarmos inconvenientes e insensatos, brincantes estúpidos;

“O tempo de jogar pedras não pode ser maior que o tempo de recolher pedras, para não nos tornarmos hipócritas observando somente os erros alheios, esquecendo-nos dos nossos;” E o tempo de recolher as pedras também não pode ser maior que o tempo de jogar pedras, para não nos tornarmos conformistas, “cegos” aos “adultérios”;

“O tempo de abraçar precisa respeitar o tempo de afastar – de abraçar, para que a vida se estabeleça livre de qualquer laço, mesmo que seja um abraço;” O tempo de afastar de abraçar não pode ser maior que o tempo de abraçar, para não ficarmos sem sentimento, sem afeto, sem carinho, frios de alma;

“O tempo de procurar, acaba quando o tempo de desistir diz: chega! Não há nada aqui.” Mas o tempo de desistir não pode vencer o tempo de procurar, para não perdermos nossos sonhos;

“O tempo de guardar não pode ser mais que o tempo de descartar, para que nossa vida não se encha de lembranças dolorosas;” Porém, o tempo de descartar tem de estar equilibrado com o tempo de guardar, sob a pena de nos tornarmos acumuladores compulsivos de sentimentos e comportamentos nocivos;

“O tempo de rasgar a carne para nascer de novo, precisa respeitar o tempo de costurar a carne ferida pelo parto;” E o tempo para costurar a carne precisa ser respeitado, para que o tempo de rasgar de novo seja vivido com a intensidade devida. Caso contrário, morreremos sangrando;

“O tempo de silenciar é tão importante quanto o tempo de falar. Sem esse equilíbrio nunca poderemos ouvir;” E o tempo de falar tem de respeitar o tempo de silenciar para que a conversa se transforme em diálogo e a comunicação se estabeleça em paz;

“O tempo de amar precisa ser vivido mais intensamente que o tempo de odiar, para que quando o ódio chegar, passe rápido, numa noite;” Mas o tempo de odiar precisa ser tão intenso quanto o tempo de amar, para que possamos lapidar o desejo e a necessidade do outro em nós, caso contrário, não teremos coragem de nos livrar do que nos maltrata;

“O tempo de guerra precisa ser vivido com coragem, para que o tempo de paz seja reverenciado.” O tempo de paz não pode invadir o tempo de guerra. Sem guerra não haveria a necessidade da paz. Um tempo precisa saber que existe em função do outro tempo;

***
Que possamos estabelecer o tempo certo para cada sentimento em nós; para cada amor e cada desamor, para cada alegria e cada tristeza, para cada perda e cada vitória (...). Que sejamos sábios em ser misericordiosos e firmes conosco mesmos, antes de ser com os outros. Que possamos descobrir o equilíbrio entre o tempo do “preto” e o tempo do “branco”: o tempo do “cinza”.

No Messias, o Senhor de todos os tempos, que sabe o tempo de todas as coisas, e que nos abençoa com tudo ao seu tempo, no tempo certo.


Bom dia.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O LONGO CAMINHO CURTO X O CURTO CAMINHO LONGO



O RABI IOSHUA, FILHO DO rabi Hanina, disse:

“Certa vez uma criança arrebatou o melhor de mim. Eu viajava e me encontrava diante de uma encruzilhada. Vi então um menino e lhe perguntei qual seria o caminho para a cidade. Ele respondeu: ‘Este é o caminho curto e longo e este, o longo e curto.’ Tomei o curto e longo e logo deparei com obstáculos intransponíveis de jardins e pomares. Ao retornar, reclamei: ‘Meu filho, você não me disse que era o caminho curto?’ O menino então respondeu: ‘Porém lhe disse que era longo!’”

Na trilha da sobrevivência, a “mesmice” muitas vezes é o caminho curto, o mais simples, e que tem os custos mais elevados (longo). Ir pelo caminho mais simples e mais curto é uma lei evolucionista. Certamente os corpos se movem na direção mais imediata e curta. Os galhos buscam a luz e o animal, a água, mas sua inteligência interna, sua alma, está atenta a longas modificações. A tentativa de sobrevivência acontece nos campos de batalha do mundo curto e do mundo longo. As chances de extinção dos que percorrem caminhos curtos que são longos é muito grande. As espécies sobreviventes são aquelas que souberam fazer opções pelo longo caminho curto.

Em nosso dia a dia sabemos muito bem quais são os processos curtos e quais são os longos. Fazemos também nossas opções por padrões que optam pelo curto. Mas nossos mecanismos de detectar se são “curtos longos” ou “longos curtos” existem e sempre estão aí para apontar novos inícios, por exemplo, de relações de trabalho, amor ou amizade.

A coragem está em ouvir o menino das encruzilhadas.

Ele, com certeza, alerta para ambas as possibilidades de caminho. Este menino das encruzilhadas é a alma. Não se assuste com as parábolas que falam de demônios dissimulados nas encruzilhadas. Os demônios das encruzilhadas querem sempre apontar os caminhos mais “curtos”. Ninguém que alerte para o fato de que os “curtos podem ser longos” e os “longos podem ser curtos” é de ordem demoníaca.

Afinal, as encruzilhadas são de grande importância. Não são meras opções de acesso, mas de sobrevivência, e o curto caminho longo pode não levar a lugar algum. Se você estiver diante de uma encruzilhada, lembre-se do menino e preste atenção para não ser seduzido, pelo corpo, por um caminho curto. Lembre-se de que a paz está primeiro com quem vem de longe.

(Texto extraído na íntegra do livro “A Alma Imoral” do Rabino Nilton Bonder.)
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Quantos dos nossos “caminhos curtos” são tão longos que ainda não chegamos ao nosso destino? E quantos dos nossos “caminhos longos” se tornaram tão curtos que nem percebemos que chegaram ao seu fim? A escolha corajosa, como diz o texto do Rabino é não ter medo dos alertas emitidos pelos “meninos das encruzilhadas”.

No Messias, que nunca impede de seguirmos os caminhos que escolhemos, sejam “curtos-longos” ou “longos-curtos” e que sempre estará conosco no caminho, seja ele qual for. Disso eu tenho certeza, porque “...ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum porque TU estás comigo...”.

Boa semana a todos.