"Sempre fomos livres nas profundezas de nosso coração, totalmente livres, homens e mulheres.
Fomos escravos no mundo externo, mas homens e mulheres livres em nossa alma e espírito."
Maharal de Praga (1525-1609)

segunda-feira, 21 de abril de 2014

OUVIDO PRENHE DE SALVAÇÃO, LÍNGUA LIVRE PRA SALVAR.



Esse espaço tem sido nosso meio de encontro. Você no seu lugar e eu no meu.

As semanas anteriores foram muito proveitosas e singulares. Com a graça de Deus, terminei o livro Minha verdade sobre o dízimo”. Agora e seguir a programação de fazer a paginação, diagramação e impressão. Nesse primeiro momento de forma artesanal, pois os recursos para bancar uma impressão gráfica industrial, inexistem. Mas tudo corre dentro do caminho traçado pelo Senhor de toda a terra. Quando tudo estiver pronto, anunciarei a data de lançamento.

O artigo sobre a “Mãe impura, filha possessa”, foi postado com muita dificuldade, devido ao péssimo serviço de internet aqui na Região Norte do País, principalmente na cidade de Itacoatiara. Mas, hoje quero tratar de um assunto não menos interessante que os anteriores, e que carrega a mesma carga de pessoalidade. Vamos ao texto:

“Depois disso, ele deixou o distrito de Tzor (Tiro) e, atravessando Tzidon (Sidon) e o lago Kinneret (Genezaré), chegou à região das Dez Cidades. Trouxeram-lhe um homem surdo e que não conseguia falar, e pediram a Jesus que lhe impusesse as mãos. Levando-o consigo para longe da multidão, Jesus pôs os dedos nos ouvidos do homem, cuspiu e tocou em sua língua; então, olhando em direção ao céu, suspirou fortemente e lhe disse: ‘Hippatach!’ (isto é, ‘abra-se’). Os ouvidos do homem foram abertos, sua língua se moveu livremente, e ele começou a falar com clareza. Jesus ordenou às pessoas que não dissessem nada a ninguém; quanto mais ele insistia, mais zelosamente elas espalhavam as notícias. As pessoas foram tomadas de espanto e diziam: ‘Tudo o que ele executa, faz muito bem’. ‘Faz até mesmo o surdo ouvir e o mudo falar!’. Marcos 7:31 a 37

Resolvida, a questão da impureza da grega, siro-fenícia e de sua filha, Jesus retorna ao outro lado do lago de Genezaré, desta vez para encontrar os frutos do trabalho de “Legião”. Como já estudamos anteriormente, o homem possesso pela loucura das múltiplas vozes, doutrinas e costumes, foi liberto por Jesus de seus demônios e ordenado pelo Mestre a voltar para casa, enfrentar quem o demonizava. Ele fez o que Jesus ordenara e ainda passou a espalhar as boas notícias de salvação pelas Dez Cidades – Decápolis. É para esse lugar que Jesus vai com seus alunos.

Ao chegar, trazem-lhe um homem surdo-mudo. O interessante, é que no texto não é atribuída ao homem surdo, nenhuma mazela espiritual, ele não está possuído por nenhum espírito impuro. É somente um doente comum, um surdo com dificuldades de falar. O desejo das pessoas era assistir um ritual religioso de cura, notem que no texto se destaca: “...e pediram a Jesus que lhe impusesse as mãos...”. Todos queriam ver o milagre, não como um Milagre, mas sim, como técnica humana para “realizar” milagres.

Percebendo isso, Jesus leva o surdo para longe dos olhares de todos e realiza um ritual ímpar. Estranho e extravagante. Um choque para todos que leem com a atenção devida.

A imaginação coletiva é que Jesus teria posto seus dedos – temporariamente – em cada um dos ouvidos, cuspido e com o dedo tocado a língua do enfermo. Mas não creio que tenha sido assim, acho que foi algo mais escandaloso. Porquê então, teria sido necessário retirar o enfermo do meio do povo?

Seja como for, a questão é que Jesus provoca naquele homem um verdadeiro choque emocional. Ao “tapar” seus ouvidos com os dedos, Jesus deu ao surdo a sensação física da surdez, já que a emocional ele já possuía. Ele não ouvia e sabia disso, ele tinha toda a sensação do que era ser surdo. Mas não possuía uma sensação física que o impedisse de ouvir. No momento em que Jesus “tapou-lhe” os ouvidos, as sensações se unirão e a surdez parecia ser completa.

No momento seguinte, Jesus “cuspiu e tocou em sua língua”. Tocar na língua com o que? COM A LÍNGUA! Língua tocando em língua. Uma língua Santa, desprovida de preconceitos, objetivada em somente anunciar as Boas Notícias do Reino do Céu e uma língua enferma, travada, calada, in-falante, impedida de falar pelo que não podia ouvir.

Falar é resultado do esforço emocional do intelecto. Esse esforço conjunto produz a fala, que é a ação – física – de falar. Em minha opinião, o que Jesus fez foi provocar naquele homem um choque emocional-intelectual, quando lhe invadiu a boca com Sua língua sagrada.

ABRE-TE!

Não há como não abrir a boca e destampar os ouvidos diante da ordem do Messias, que nos escolhe para ouvi-Lo e falar n’Ele, por onde quer que andemos. Não existe nenhuma possibilidade de impedir que essa língua que nos contamina com santidade invada nossa boca e nos abençoe com esse toque mágico e inimaginável.

Não podemos sair por ai falando “de” Jesus, temos de falar “em” Jesus. Devemos estar Nele, fomos possuídos por Ele com seu beijo santo, seus dedos em nossos ouvidos nos fazem entender que só podemos dar os ouvidos para Ele. Nossos ouvidos só podem ser “emprenhados” pelo que for Sagrado, pelo que vem do Santo, por meio de Jesus, o Messias. O Salvador.

Com os ouvidos prenhes de salvação, precisamos fecundar, semear, emprenhar outros ouvidos com a mesma mensagem salvadora, agora com nossa língua santa. Língua que foi santificada pelo toque sobrenatural da língua de Jesus.


Reflita. Deus lhe abençoe.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

MÃE IMPURA, FILHA POSSESSA.

Oxana Malaya foi encontrada na Ucrânia em 1991.


Continuando o estudo no livro de Marcos ...

“A seguir, Jesus saiu daquele distrito e se dirigiu à circunvizinhança de Tzor (Tiro) e Tzidon (Sidon). Lá ele encontrou uma casa para ficar e desejava permanecer no anonimato, mas isso foi impossível. Aproximou-se dele uma mulher cuja filhinha tinha um espírito impuro, e ela se prostrou a seus pés. A mulher era grega, siro-fenícia de nascimento, e lhe implorou que expulsasse o demônio de sua filha. Jesus disse: ‘Em primeiro lugar, alimentam-se os filhos; não é certo tirar a comida das crianças e lançá-la aos cachorrinhos de estimação’. Ela respondeu: ‘Isso é verdade, senhor; contudo, mesmo os cachorrinhos debaixo da mesa comem as sobras das crianças’. Então Jesus lhe disse: ‘Por causa dessa resposta, você pode ir para casa; o demônio já deixou sua filha’. Ela voltou para casa e encontrou a filha deitada na cama, livre do demônio.” Marcos 7:24 a 30

Depois de ter mostrado de forma prática e insofismável aos alunos, aos religiosos e ao povo que o que nos torna pessoas impuras é o que falamos, e que nossas palavras são nascidas envoltas pelos sentimentos do coração, Jesus tentou descansar em lugar distante da multidão. Porém, uma mulher que possivelmente o seguia e havia entendido o que ele dissera sobre comida e palavras, disse-lhe em tom de questão, que sua filha estava com um espírito impuro. Notem que o ensino de Jesus estava em sentido contrário ao questionamento daquela mãe. Jesus afirmara que o que nos torna impuros é o que falamos, mas também o que ouvimos.

Se ouvirmos palavras provenientes de um coração impuro, podemos também nos tornar impuros, se essas palavras forem se acomodando em nossas emoções – no coração. Falar e ouvir estão intimamente ligados no ensino de Jesus. Aquela mãe, que no texto original em hebraico é identificada como uma mulher envergonhada pelo que havia ouvido de Jesus apresentou ao mestre uma questão, que ela já havia resolvido em seu coração. Sua filha estava impura, por qual motivo?

O texto de Marcos mostra uma estranha identificação da mulher. Ela não tem nome, mas tem endereço, ela é grega, porém siro-fenícia de nascimento. Ou seja, há importância nessa revelação da identidade da mulher. E isso tem haver com a resposta aparentemente estapafúrdia que Jesus deu a ela. Ele sabia com quem estava falando e ela sabia o que ele estava dizendo. A conversa entre eles está em um nível fora do alcance do simples leitor. Em sendo uma mulher de cultura grega, ela deveria ser idólatra, deveria servir a algum deus; sendo siro-fenícia pode ter sido educada a cultivar deuses domésticos, entidades que são cultuadas em altares dentro das casas ou em uma dependência dela.

Ao me deparar com essa possibilidade pesquisei sobre o tema e encontrei um dado interessante. Havia na cultura grega, uma deusa familiar, que era venerada com muita devoção por todos os gregos prosélitos. Na mitologia grega, Héstia era essa deusa familiar que protegia as famílias. Sua história mitológica é interessante. Ela era irmã de Zeus, que a proibira de casar, mas permitiu que ela fosse adorada como deusa familiar, uma espécie de deusa menor. Tal fato é interessante e pouco se encontra sobre tal divindade nos dicionários de mitologia grega. O sincretismo grego-siro-fenício, deu a essa deusa uma característica interessante. Seu culto era realizado, oferecendo o melhor dos alimentos, principalmente leite, bolos e biscoitos para ela, na figura de animais de estimação, principalmente cachorrinhos.

Não é difícil imaginar que aquela mulher, cheia de impureza, deve ter falado muitas coisas desagradáveis para a filha, que por ser uma criança, deve ter crido nas besteiras faladas pela mãe e se “transformado” em uma cachorrinha, comendo a comida dos cachorrinhos de estimação, que era depositada religiosamente por ela. Isso não é difícil de crer, tendo em vista os diversos casos – mostrados em documentários – de crianças que viveram com animais, e debilitadas mentalmente acreditavam ser da família desses animais. O caso mais famoso é de uma menina ucraniana que fora criada pelos cachorros da família, pois seus pais a alimentavam junto com eles; segundo o documentário, ela se “transformou” em um cachorro. Outro caso famoso é o de um garoto africano criado com galinhas, na medida em que cresceu acreditou que era uma galinha. Tudo por causa do espírito impuro que saiu da boca dos pais.

Tudo indica que o caso daquela mulher siro-fenícia, poderia ser um desses. Ela acreditara – por ser idólatra – que sua filha estava com um demônio, ou um “espírito de cachorro”. Isso não consta no texto, mas é identificado por Jesus logo de primeira. A resposta do mestre mostra essa identificação: ‘Em primeiro lugar, alimentam-se os filhos; não é certo tirar a comida das crianças e lançá-la aos cachorrinhos de estimação’, disse ele. A mãe já sabia que era dela, a culpa pelo estado “demoníaco” da filha. Quando Jesus identificou a questão, ela imediatamente retomou o controle de sua vida, afirmando que a deusa Héstia nãos seria mais importante que seus filhos: ‘Isso é verdade, senhor; contudo, mesmo os cachorrinhos debaixo da mesa comem as sobras das crianças’. Tudo resolvido. A mãe sabia que se ela tratasse os filhos como filhos e os animais como animais tudo se reequilibraria.

Mas a menina pensava ser um cachorro. Ela comia com eles e dormia com eles. O milagre da transformação da cachorrinha em gente dependia de Jesus. Milagres só dependem dele.

Porém a transformação de animal em filha já havia acontecido no coração daquela mãe. Filhos comem à mesa, animais comem das sobras que os filhos eventualmente deixam cair. Isso ela disse ao Senhor e ele apaixonou-se pela confiança da mulher: ‘Por causa dessa resposta, você pode ir para casa; o demônio já deixou sua filha’. Não havia o que duvidar, a confiança daquela mãe contagiara ao mestre Jesus, aquela aluna havia aprendido tudo direitinho. Sem titubear ela voltou pra casa “...e encontrou a filha deitada na cama, livre do demônio” cachorro. A prova disso é que ela estava deitada na cama, feita gente e não entre os animais feita bicho.

O que podemos aprender com essa lição um tanto estranha? Creio que essas histórias nos alerta para a importância que há naquilo que falamos para os nossos filhos. Muitos chamam seus filhos de “tudo que não presta”, e quando eles se transformam no que lhes foi profetizado, culpam o demônio pelo estado animal dos filhos. Porém esquecem que eles mesmos fizeram dos filhos os “demônios” que são hoje. Esses pais de espíritos impuros, vomitam sua impureza em forma de palavras como se fossem alimento, aos filhos, que por não terem outra referência de vida se transformam nos animais preditos por seus pais.


Pense nisso. Como você alimenta as emoções dos seus, sejam eles quem forem.

domingo, 30 de março de 2014

VOCÊ É O QUE VOCÊ FALA, E NÃO O QUE VOCÊ FAZ.


Continuando o estudo do livro de Marcos. No episódio relatado no texto em questão, encontramos Jesus sendo confrontado com uma prática ritual religiosa, possivelmente, criada pelo clero judaico. Tal prática, “o ritual de lavar as mãos”, ainda é praticado.

Mas o confronto não se deu por esse motivo. As questões eram mais viscerais, eram profundas e intestinais. A revolta daqueles líderes religiosos que se diziam detentores dos segredos da sacralidade, exalava por seus poros. A superioridade intelectual de Jesus os deixava irritados e como – aparentemente – não possuíam competência para confrontá-lo nesse campo, a força era sua única “arma”. Diz o texto de Marcos, no capítulo sete, dos versos um a vinte e três.

Os fariseus – comentaristas – e alguns escribas – escritores – da Torah provenientes de Jerusalém se reuniram com Jesus e viram que alguns de seus alunos – discípulos – comiam tendo as mãos ritualmente impuras, isto é, sem realizar o ritual de lavagem das mãos. (Porque os fariseus – comentaristas –, de fato, todos os habitantes de Judá mantinham a tradição dos anciãos: não comer, a menos que tivessem realizado a lavagem ritual das mãos. Também ao virem do mercado não comiam até terem lavado as mãos à altura do pulso; e eles mantêm muitas outras tradições, como a lavagem de copos, potes e recipientes de bronze.)

Os fariseus – comentaristas – e escribas – escritores – da Torah lhe perguntaram:

“Por que seus alunos – discípulos – não vivem de acordo com a tradição dos anciãos, mas, em vez disso, comem com as mãos ritualmente impuras?”.

Jesus lhes respondeu:

“Isaías – yesha-yahu – [o anunciante da] salvação de Deus – estava certo ao profetizar a respeito de vocês, hipócritas, como está escrito:”

'Estas pessoas me honram com os lábios, mas o coração está muito longe de mim. Sua tentativa de me adorar é inútil, porque ensinam regras inventadas por homens como se fossem doutrinas’.

“Na verdade, vocês se afastam do mandamento divino e se apegam à tradição humana”.

Jesus continuou a dizer-lhes:

“Vocês, se tornaram especialistas em fugir do mandamento de Deus, a fim de manterem suas tradições! Moisés disse:”

‘Honre seu pai e sua mãe' e,
'todo o que amaldiçoar seu pai ou sua mãe deverá ser executado'.

Entretanto, vocês dizem que se alguém disser ao pai ou à mãe:

‘Prometi como korban (isto é, uma oferta para Deus) o que poderia ter usado para lhe ajudar’,

essa pessoa fica desobrigada de realizar qualquer coisa em prol do pai ou da mãe. Portanto, mediante a tradição perpetuada por vocês, anula-se a Palavra de Deus! E vocês ainda fazem outras coisas semelhantes.”

Então Jesus chamou novamente as pessoas e lhes disse:

“Prestem atenção, todos vocês, e entendam isto! Não existe nada no exterior de uma pessoa que, entrando nela, a torna impura. Ao contrário, as coisas que procedem da pessoa é que a tornam impura!”

Ao deixar as pessoas e entrar na casa, os alunos – discípulos – lhe fizeram perguntas acerca da parábola (mashal). Ele respondeu:

“Então vocês também não entendem? Não percebem que nada que entra na pessoa pode torná-la impura? Porque isso não atinge o coração, apenas o estômago, e de lá vai para a latrina”.

(Dessa forma, ele declarou todos os alimentos ritualmente puros.)
“O que sai da pessoa",

ele continuou,

“é o que a torna impura. Porque de dentro do coração da pessoa, procedem: maus pensamentos, imoralidade sexual, roubo, assassinato, adultério, cobiça, rancor, engano, indecência, inveja, calúnia, arrogância e insensatez. Todas essas coisas perversas procedem de dentro da pessoa e a tornam impura.”
Marcos: 7:1 a 23

Depois, de ter feito tudo que fez, Jesus agora era confrontado por um grupo de estudiosos das leis religiosas; talvez, equivalentes aos teólogos e doutores em teologia dos nossos dias. Com eles, estavam seus amanuenses, os escritores dos textos sagrados. Essas duas classes de líderes religiosos dominavam os dias de Jesus. Suas interpretações dos textos bíblicos e seus comentários sobre os mesmos, em alguns casos, perduram até hoje. Mas, o fato de serem intérpretes, comentaristas e escritores da lei religiosa não os fazia melhores que Jesus. Pelo contrário, a inteligência de Jesus era superior à deles e isso os deixava desconcertados e enraivecidos.

Nesse confronto com o mestre, eles o questionaram sobre o ritual de lavagem cerimonial das mãos. A questão levantada pelos religiosos não se focava na não observância dele, por parte dos discípulos, seu foco era a resposta. Como aquele mestre libertário iria responder aos questionamentos teológicos daqueles doutores da lei religiosa? Ao lermos o texto com atenção, perceberemos que a pergunta não se dirigia ao que Jesus fazia, mas sim ao que “alguns dos seus alunos” faziam. Não eram todos, eram “alguns”. Esses – alguns – não haviam lavado suas mãos ritualisticamente, por isso seu mestre estava sendo questionado. Mas o texto não diz que Jesus havia realizado o ritual de lavagem das mãos. Parece que a intenção dos religiosos era desqualificar o ensino de Jesus por causa do comportamento impróprio, de alguns de seus alunos. É sempre assim que a religião faz, tenta nos desqualificar por nossas atitudes, ou pela atitude de alguém que está conosco.

Imagino que muitas vezes o ministério de meus pais foi questionado, foi posto em dúvida, devido ao comportamento dos filhos. Acredito que nossos pais sofreram muitos ataques por causa das nossas escolhas. Todos nós, filhos de Geraldo e Ruth Rocha, continuamos sendo quem somos – ou quem pensamos ser. Quando saio acompanhando papai Geraldo em suas compras, ele do seu jeitinho tradicional, com seu bigodão branco, e eu, um tanto extravagante com minha barba grisalha e cabelos grandes e desalinhados, não nos constrangemos pelo que somos. Nem ele, nem eu. E ele é assim com todos os outros filhos. Hoje me vejo em situação igual à de meu velho e amado pai, meus filhos, têm seus caminhos, fazem suas escolhas e nem por isso o que ensino aos meus alunos – que não são meus filhos – é menos verdade ou menos importante, do que eu ensino e ensinarei aos meus filhos – enquanto viver e for necessário ensiná-los. Não importa como nos vestimos, nem o que fazemos, somos todos filhos de Geraldo e Ruth Rocha, assim como meus filhos são meus filhos e filhos de suas mães. Temos orgulho de ser filhos de quem somos e ser pais de quem somos.

Como um pai zeloso, Jesus partiu em defesa de seus alunos, contra a falta de respeito dos religiosos. A pouca inteligência da religião constrói casas sobre a areia, perto da água, no meio do caminho da chuva. O dito dos religiosos os destruiu. Aquela cultura era a prática dos anciãos, dos velhos, dos pais. Ao usarem essa justificativa para dar força ao argumento de que os alunos de Jesus estavam desrespeitando a memória dos pais, Jesus contra-atacou usando a mesma figura de linguagem. O ensino dos pais era cuidar da família, mas aqueles religiosos estavam ensinando que DAR DINHEIRO PARA A RELIGIÃO era mais importante que cuidar da família. A palavra de Deus, proveniente da boca dos pais da nação judaica, estava sendo torcida pelos líderes religiosos que entendiam-se detentores das verdades divinas. Mas a verdade era outra. Jesus os confronta consigo mesmos. Ele os divide em duas partes, e as põe uma contra a outra.
A questão proposta foi:

Se fazer – cuidar da família – o que a lei dos pais dizia era o correto, porque eles faziam o contrário – não cuidavam dos pais – dizendo ser o correto?

Entenderam?

O que Jesus perguntou foi o seguinte: SE O “FAZER” COM BASE NO DITO DOS PAIS ERA O CORRETO, PORQUE ENTÃO, ELES DIZIAM QUE ERA POSSIVEL FAZER O CONTRÁRIO?
A resposta pode estar na forma correta de entender o mandamento: “Não tomarás o nome do SENHOR teu Deus em vão; porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.” Êxodo 20:7. Tomar o nome de Deus em vão, é transformar em Divino – Deus –, tudo aquilo que é humano; e transformar em humano, tudo aquilo que é Divino – Deus.

Aqueles religiosos estavam cometendo antes de tudo, o pecado de tomar o nome de Deus em vão, transformando as palavras deles em palavras e atos Divinos. Fica claro no texto, que a palavra de Deus é CUIDAR DA FAMÍLIA e não dar dinheiro para deus.

Após esse desmascaramento da religião humana, animal e diabólica, Jesus alertou aos seus alunos que “... não existe nada no exterior de uma pessoa que, entrando nela, a torna impura. Ao contrário, as coisas que procedem da pessoa é que a tornam impura!”. Jesus afirmou categoricamente que tudo que nos serve de alimento é puro, pois passará pelo fogo da digestão, pelo vale da decomposição para virar emoção, inteligência e ação. Isso é espiritualidade.

Finda a discussão. Não havia competência na religião para confrontar Jesus.

Dentro de casa, em particular, os alunos perguntaram ao mestre a explicação da mashal. O termo foi traduzido, pelos atuais religiosos, como se fosse “parábola”, mas não é. Parábola, segundo James Strong é chuwd, propor um enigma, ou chiydah, que é propriamente parábola ou enigma. No texto de Marcos, o termo hebraico usado é mashal, que tem o sentido de “sentença proferida por alguém de inteligência superior”. E foi exatamente isso que aconteceu, a inteligência de Jesus era proporcional a sua espiritualidade, da mesma forma que suas emoções também eram superiores, bem como suas ações. A inteligência de Jesus vinha do alto, sua mente estava presa no reino de Deus. Suas emoções plantadas na terra, no cuidado com a família, com os necessitados. Suas ações eram intermediárias, mistas, confusas: terrenamente divinas e divinamente terrenas. Esse é Jesus. O Filho de Deus. Bendito seja o ETERNO, que nos mostrou seu imenso amor, em Jesus, o salvador.

A explicação que Jesus dá aos alunos – a todos nós, seus alunos – chega até ser hilária, ou tragicômica. Sua afirmação é simples e direta: TUDO QUE, NA PALAVRA DE DEUS, NÃO É DIVINO, VIRA BOSTA. Ponto.

E é isso mesmo, tudo que pretende nos alimentar e não o faz, sai em forma de fezes, vai para a latrina. Foi isso que ele disse. Nada mais. O ensino religioso humano e bosta, para Jesus são a mesma coisa.
Mas nem isso contamina. Nem esse monte de fezes contamina, pois quem age nos filhos da salvação é o espírito Santo que nos convence de tudo.

O que nos contamina é o que sai da nossa boca. O que nos contamina é o que somos, e somos o que falamos não o que fazemos. Somos o que falamos, porque a fala vem da mistura da emoção e da inteligência. A fala é a ação dessa mistura intelecto-emocional. Diante do que falamos – seja o que for e para quem for – nossas atitudes não falam nada, nossa fala, diz tudo. SOMOS O QUE FALAMOS. “Porque de dentro do coração da pessoa, procedem: maus pensamentos, imoralidade sexual, roubo, assassinato, adultério, cobiça, rancor, engano, indecência, inveja, calúnia, arrogância e insensatez. Todas essas coisas perversas procedem de dentro da pessoa e a tornam impura.”

Termino esse texto sem amarrá-lo, sem defini-lo, sem empregá-lo à vida. Deixo essa responsabilidade com você. Saiba.

SOMOS O QUE FALAMOS, E NÃO O QUE FAZEMOS.
Deus lhe abençoe.


domingo, 23 de março de 2014

A CASA DA PROVISÃO FICA NO LADO DE CIMA, ONDE O VENTO É CONTRÁRIO.



Continuando o estudo do livro de Marcos...

“Jesus fez os alunos – discípulos – entrarem imediatamente no barco e irem adiante dele para a outra margem do lago, em direção a Beit-Tzaidah, enquanto ele despedia as multidões. Depois disso, ele subiu às montanhas para orar. Quando caiu a noite, o barco estava bem distante, e ele estava sozinho na margem. Viu que estavam com dificuldade para remar, porque o vento era contrário. Então, por volta das quatro horas da manhã, Jesus foi na direção deles andando sobre o lago. Queria chegar até eles; mas, quando o viram andando sobre o lago, pensaram tratar-se de um fantasma e começaram a gritar; pois todos eles o haviam visto e ficaram aterrorizados. Entretanto, ele lhes disse: ‘Coragem, sou eu. Parem de ter medo!’. Ele entrou no barco, e o vento cessou. Eles estavam completamente pasmos, porque não haviam entendido o que acontecera em relação aos pães; ao contrário, o coração deles foi endurecido.
Depois da travessia do lago, pararam em Ginosar – Genezaré – e ancoraram. Tão logo saíram do barco, as pessoas reconheceram Jesus e começaram a percorrer toda a região levando pessoas doentes em macas a qualquer lugar onde dissessem que ele estava. Aonde quer que ele fosse, em aldeias, cidades ou no campo, levavam os doentes ao mercado. Imploravam-lhe que deixassem-nos tocar mesmo que na sua roupa, e todos os que tocavam nelas eram curados.” Marcos 6:45 a 56.

Depois de terem aprendido da maneira mais desconcertante, que o verdadeiro milagre não está em consubstanciar nada em pão e nada em peixe, mas sim dividir seus “pães” e seus “peixes” com quem nada tem, os alunos de Jesus, foram por ele, despedidos, mandados embora. O texto mostra a pressa do mestre em se ver livre dos alunos – ainda – famintos da confiança que vem do alto; são quase que empurrados para dentro de um barco. Enquanto eles partiam talvez sem entender nada, Jesus ficava para “despedir as multidões...”.

A direção que Jesus deu aos alunos, foi a cidade de Beit-Tzaidah (Betsaida), do outro lado do lago. Mais uma vez a figura do “outro lado”, se mostra no ensino do Filho de Deus. Betsaida, é a junção das palavras Beitcasa e Tzaidahprovisão, alimento. Jesus mandara seus alunos para a “Casa da Provisão”; agora não para o “lado de dentro”, mas para o “lado de cima”. Enquanto eles navegavam para esse “lado de cima”, Jesus caminhava para o “seu lado de cima”. O lugar “de cima” para onde Jesus foi, é uma montanha.

A figura da montanha, tem no imaginário religioso, lugar especial e místico. A montanha representa nesse imaginário o lugar onde “Deus está”. Mas Jesus não compartilha da mística religiosa, para ele a montanha é lugar para ser transposto, escalado, conquistado, vencido. E é nessa perspectiva que ele escala e vence a montanha. Depois de vencer, ele vai orar. Mas a oração não é para os vencedores, é para os lutadores, para os que estão subindo suas montanhas particulares. A montanha que Jesus subiu para orar, era somente um estágio da verdadeira “montanha” que ele estava para subir. O madeiro.

Enquanto Jesus falava com seu Deus, no seu “lado de cima”, os alunos remavam contra o vento. Sem saber que haviam chegado no “lado de cima” para o qual Jesus os mandara, não perceberam que a “casa da provisão” lhes aprovisionaria de fôlego, de ar, de entusiasmo, de vivacidade, de vigor, de coragem, de paciência, de disposição, de espírito profético, de desejo pelo sagrado, de caráter moral, de capacidade. Bastava orar. O “vento contrário”, era o contrário a tudo que o Espírito – vento – aprovisiona aos consolados por Ele. Aqueles alunos estavam remando contra o vento, não se deixando levar pelo Espírito que os queria possuir e ensinar.

O texto diz que “ao ver” que seus alunos remavam contra a “maré de vida” que os queria possuir, resolver ajudar-lhes. Todo socorro acontece quando a pessoa que é socorrida não conseguiria pelas próprias forças “se salvar”, então a “salvação” precisa ser externa. E foi isso que Jesus fez, teve de salvar seus alunos, porque mais uma vez não haviam entendido a parábola da “casa da provisão” que o Mestre lhes estava ensinando. O socorro de Jesus chega com assombro e com medo. Jesus caminhava sobre as águas.

A salvação de Jesus sempre será “assombrante”, sempre será amedrontadora. Sempre será porque ele nunca deixa seu “lado de cima”, ele nunca larga as mãos de quem O carrega. Seu Pai, o Eterno. Naquele episódio, Jesus “saiu” do seu “lado de cima”, para o “lado de baixo” dos alunos. Ele “saiu” de sua “casa de provisão”, para a “casa da desprovisão” dos alunos. Em outro evangelho, Pedro pede para ir ao encontro de Jesus, ainda sobre as águas, mas sua falta de segurança no “lado de cima”, lhe deixou afundar.

Depois que o assombro e o vento passaram, Jesus e seus alunos chegam ao lugar geográfico, do outro lado do lago. O lugar é a cidade de Genezaré, no hebraico Ginesar ou Ginosar que significa “harpa”. As harpas são instrumentos musicais, e sempre que as ouço ou lembro delas, me vem a mente o Salmo 150. Penso que naquele momento, o “lugar das harpas”, o “lugar do louvor” é o lugar óbvio para quem está subindo seus montes, enfrentando seus medos, mas sempre seguro no “lado de cima”, o lugar da salvação. Diz o texto que todos da “cidade das harpas” e das cidades vizinhas, em coro, foram até o salvador, levantaram de suas macas, deixaram seus comodismos, enfrentaram seus caminhos, suas estradas, seus temores, suas dores, para pelo menos, tocarem num pedacinho de roupa daquele que salva. E foram salvos. Eles, os salvos, seguraram com as duas mãos, no “lado de cima”, na “provisão” de vida que lhe foi ofertada por Deus.

É por isso que: A CASA DA PROVISÃO FICA NO LADO DE CIMA, ONDE O VENTO É CONTRÁRIO.


Deus lhe abençoe.
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domingo, 16 de março de 2014

DIVIDIR PARA MULTIPLICAR



Em minha opinião o que mais atrapalha o entendimento do que está ESCRITO na Bíblia, são os “jeitinhos” dados pelos “estudiosos”. Um desses “jeitinhos”, é a introdução no corpo do texto, dos “intertítulos”; aqueles textinhos que titulam o assunto possivelmente contido no texto consequente. Essas divisões foram introduzidas no corpo do texto bíblico por Eusébio de Cesareia, um bispo de Cesareia, reconhecido como o “pai da história da Igreja”. Foi possivelmente esse bispo que dividiu os textos bíblicos em assuntos ou temas, dando-lhes um título. E é nesse momento que o leitor bíblico que desconhece tal fato, acha que, “tudo que está impresso é original”. O estudo de hoje, propõe uma leitura do que está escrito no texto, sem a influência da divisão eusebiana.

Vamos ao estudo...

"Os que haviam sido enviados se reuniram com Jesus e lhe contaram tudo o que tinham feito e ensinado. Havia muitas pessoas indo e vindo, a ponto de eles não terem tempo para comer. Então Jesus lhes disse: ‘Venham comigo para um lugar onde poderemos ficar sozinhos. Lá vocês descansarão um pouco’. Então eles se afastaram para um lugar à parte. Entretanto, muitas das pessoas que os viram sair, reconheceram-nos, correram a pé de todas as cidades e chegaram ao lugar antes deles. Quando Jesus saiu do barco e viu a grande multidão, começou a lhes ensinar muitas coisas, cheio de compaixão por eles, porque eram como ovelhas sem pastor.

Já era tarde. Os alunos – discípulos – se aproximaram dele e disseram: ‘Este é um lugar afastado, e está ficando tarde. Mande o povo embora para irem aos campos e povoados da vizinhança comprar algo para comer’. Mas ele lhes respondeu: ‘Vocês mesmos devem dar a eles algo para comer!’. Eles disseram: ‘Devemos ir e gastar muito dinheiro com pão e dá-lo para ser comido?’. Jesus lhes perguntou: ‘Quantos pães vocês têm? Vão e verifiquem’. Quando descobriram, disseram: ‘Cinco pães e dois peixes’. Ele ordenou a todos que se sentassem em grupos sobre a grama verde. Eles se sentaram em grupos de cinquenta e de cem. Jesus pegou os cinco pães e os dois peixes e, olhando em direção ao céu, disse um agradecimento ao Pai. A seguir, partiu-os pães e começou a dá-los aos alunos – discípulos – para serem distribuídos. Ele também dividiu os dois peixes entre todos. Todos comeram tanto quanto quiseram, e os alunos – discípulos – recolheram doze cestos cheios com pedaços de pães e peixes. O número de homens que comeram os pães era de cinco mil.” Marco 6:30 a 44.

Para mim está clara a falta de compreensão do texto acima. Não encontramos o termo “multiplicar”, nem alusão a algum tipo de prática multiplicadora. Encontramos o termo “repartir”chalaq – , que por sua vez tem sua raiz – segundo o dicionário Strong – no termo “Efraim”, que significa: “ser duplamente frutífero” ou “ser frutífero uma segunda vez”. Isso é revelador e muda toda a percepção do “milagre”.

Mas tudo se inicia, no alegre e empolgante retorno dos alunos, que procuram seu mestre, para lhes contar como foram bem-sucedidos em sua missão. Aparentemente alheios aos acontecimentos da morte de João Batista, eles queriam falar ao mestre, de seus sucessos, de suas vitórias, de seus milagres. O texto revela que muita gente estava com eles “a ponto de eles não terem tempo para comer”. Essa menção pode nos levar a entender que ELES ESTAVAM COM FOME. E Jesus os chama para longe da multidão, para que eles pudessem conversar e comer algo. Se isso for verdade, como creio que é, havia comida para eles comerem e Jesus queria que eles se alimentassem com tranquilidade.

Mas essa tranquilidade não foi “encontrada”, esse “lugar tranquilo”, não existiu. Ao contrário, as pessoas famintas do novo, com fome das palavras de Jesus, nunca os deixavam sossegados. O texto diz que o Mestre se compadeceu deles, mas os alunos – seguindo o que está no texto de Marcos – estão com fome e dizem ao Senhor que aquela multidão também estava com fome e que deveria ser mandada de volta para casa, para procurarem o que comer pelo caminho. Mas Jesus sente tanta compaixão daquelas pessoas, que os compara a “ovelhas sem pastor”.

Uma “ovelha sem pastor”, é um animal completamente desprotegido, sem ninguém para lhe providenciar comida. Basta lermos o Salmo 23, onde David compara-se a uma “ovelha com pastor”, e por isso, é cuidada, alimentada e protegida. Mas as relações entre esse episódio de fome e o Salmo 23, não ficam por aqui, elas seguem até o fim, até o “... preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários...”. Adversário é aquele que tenta impedir que “eu” chegue ao “meu” objetivo. O objetivo dos alunos de Jesus era COMER, era achar um lugar onde comer com seu mestre, encontrar um lugar tranquilo, distante de tanta gente, distante de tantos pedidos, longe da multidão. Então, “mandar embora”, “despachar”, “mandar pra longe”, “afugentar”, “despedir”, (...) era tudo que eles queriam que Jesus fizesse. Afinal de contas, aquelas pessoas – tão famintas quanto eles – estavam impedindo que eles comessem tranquilos.

Mas não é assim que Jesus faz. Ele diz aos famintos alunos “... dai-lhes vós de comer...”. Que ordem louca, que ordem mais insana. A resposta vem no tom: “... nós devemos gastar nosso dinheiro para comprar pão para dar para eles?”. Mas a ordem continua: “dai-lhes vós de comer!”. Jesus não pediu que eles “dessem” o que não possuíam, Ele disse para que seus alunos REPARTISSEMchalaq – uns com os outros, um pouco do que tinham para comer.

Esse episódio – pão como comida – me faz lembrar do episódio da “tentação de Jesus”, onde o adversário pede que Jesus transforme pedra em pão. Pão – lechem – , é alimento para ser dividido, comida para ser repartida. A resposta de Jesus é fantástica: “... não é só pão que alimenta o homem, ele – alimento – também provém da palavra – ordem – de Deus.”. E qual seria essa “palavra”? Com certeza não é a Bíblia, mas o que está contido nela. A ordem que ela contém, sua máxima instrução para o “alimento” do ser humano, é: “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.” Marcos 12:30 e 31.

Amar ao próximo, cuidar do próximo, isso é amar a Deus. Naquele momento, “alimentar a multidão” era a maior expressão de amor que Jesus ordenava que seus alunos praticassem. Mesmo com fome, eles deveriam dividir o pouco de comida que possuíam uns com os outros e ensinar – na prática – a multidão. Mas eles não entenderam. Estavam com tanta fome que não puderam pensar em ninguém, só neles mesmos.

Mas Jesus intervém e continua o ensino perguntando: “... o que vocês têm para comer?”, e eles respondem sem titubear: “... cinco pães e dois peixes ...”. Estava de bom tamanho. Era só isso que Jesus precisava para ensinar CHALAQ – para todos eles. Agradecendo ao PAI, ao Todo Poderoso, que faz com que a chuva regue a plantação do justo e do ímpio, e o sol brilhe sobre os homens de coração bom tanto quanto brilha sobre os homens de coração mau, Jesus REPARTE a comida com seus alunos, eles uns com os outros, e todos da multidão uns com os outros.

É difícil aceitar o desmonte do “milagre da multiplicação”. Somos todos alunos de Eusébio de Cesaréia, não sabemos ler, fomos influenciados pela titulação errada de um homem bem intencionado que trocou “DIVIDIR” por “MULTIPLICAR”.

Crer na “multiplicação” dos pães é ser egoísta. A “multiplicação” é a tentativa humana de continuar de barriga cheia, pedindo a Deus que nos dê mais para podermos dar. Coisa que nunca acontece, porque quanto mais temos, mais queremos. Acreditar no “milagre da multiplicação” é viver a teologia da prosperidade, onde “o que é meu é meu e o que é teu é teu”. Viver o “milagre da multiplicação” é negar o amor ao próximo.

Esse amor, tão decantado e pregado por todos, como a máxima da vida com Deus, manifesta-se na verdade do MILAGRE DA DIVISÃO. Dividir é tirar do meu, é dar do que tenho, é partilhar o que possuo, é ajudar a quem não tem. ISSO É MILAGRE. Esse milagre não é externo, esse milagre é INTERNO, é ÍNTIMO, é MEU. Quando “você” se divide, é “você” quem vai como doação, quando “você” se divide, é “você” que se torna dádiva. Viver o MILAGRE DA DIVISÃO é praticar “o que é teu é teu, e o que é meu é teu”.

Defendo que Jesus não “multiplicou” mas, “dividiu”. Ensinou a dividir, dividindo. Ensinou a amar, amando. Ensinou, fazendo.

Depois que todos – que a multidão – dividiram o que tinham uns com os outros, sobram 12 cestos cheios de comida – pão e peixe. Se nos alimentamos uns aos outros, se cuidamos uns dos outros, se amamos uns aos outros, nos tornamos filhos de Deus.

Quando David recebe do seu Pastor a mesa farta – cheia de comida – , não é para o castigo “dos que não tem o que comer”, é para que ele – David, eu e você – reparta essa comida com os adversários. Só assim, “nosso cálice” de bondade transborda e o olhar misericordioso do ETERNO, nos seguirá, nos socorrerá, TODOS OS DIAS DA NOSSA VIDA. Só mora na Casa de DEUS, quem é capaz de alimentar, ajudar, cuidar, a todos que batem na porta da CASA DO SONHOR!

Essa é a verdade no texto, essa é a verdade dos fatos.

Pense nisso. Divida seu pão, seja ele qual for.

Deus lhe abençoe.

______
Observação: No texto de Marcos, o primeiro evangelho a ser escrito, não existe a figura do menino com seus “cinco pães e dois peixinhos”; essa descrição é encontrada no evangelho de João (João 6:1 a 14). Em Marcos Jesus pergunta aos seus alunos o que ELES teriam para comer.

sábado, 8 de março de 2014

O DESEJO, A VINGANÇA E OS HOMENS SEM CABEÇA.



O artigo de hoje, trata de assunto aparentemente irrelevante para a crença hodierna. Poderíamos nos perguntar: o que tem haver um profeta decapitado, com o ensino de Jesus? A resposta primitiva seria: Nada! Porém nada que está nos textos sagrados é “nada”, tudo tem sua importância e essa “porta” precisa ser encontrada e aberta para que possamos aprender com esse ensino. Portanto deixarei minhas impressões sobre o texto.

Continuando o Estudo do Livro de Marcos...

“Enquanto isso, o rei Herodes ouviu falar dessas coisas, porque a reputação de Jesus havia se tornado bem conhecida. Algumas pessoas diziam: ‘João, o Imersor, ressuscitou dos mortos; por isso, operam nele poderes miraculosos’. Outros diziam: ‘Ele é Elias’. E ainda outros afirmavam: ‘Ele é um profeta, como os antigos profetas’. Mas quando Herodes ouviu essas coisas, disse: ‘João, a quem decapitei, ressuscitou!’.

O próprio Herodes ordenou a prisão de João, que o amarrassem e colocassem na prisão, por causa de Herodias, mulher de Filipe, seu irmão. Herodes havia se casado com ela, mas João lhe dissera: ‘É uma violação da Torah você se casar com a mulher de seu irmão’. Por isso, Herodias o odiava e queria matá-lo. Mas não podia fazê-lo, porque Herodes tinha medo de João e o protegia, por saber que ele era um justo, um homem santo. Sempre que o ouvia, ficava profundamente abalado; mesmo assim, gostava de ouvi-lo.

Finalmente a oportunidade chegou. Herodes ofereceu um banquete aos nobres, oficiais e homens importantes da Galileia, no seu aniversário. Quando a filha de Herodias entrou e dançou, agradou a Herodes e aos convidados. O rei disse à jovem: ‘Peça o que quiser, e lhe darei’. E prometeu a ela: ‘Seja o que for que me pedir, eu lhe darei: até a metade do meu reino’. Ela saiu e perguntou à mãe: ‘Que pedirei?’. Ela respondeu: ‘A cabeça de João, o Imersor’. A jovem voltou imediatamente ao rei com o pedido: ‘Desejo receber neste mesmo instante, em uma bandeja, a cabeça de João, o Imersor’. O rei ficou estarrecido, mas, por causa da promessa feita perante os convidados, não quis descumprir a palavra dada à jovem. O rei enviou imediatamente um soldado de sua guarda pessoal com ordens para trazer a cabeça de João. O soldado foi, decapitou João na prisão, trouxe sua cabeça em uma bandeja e entregou à jovem, e esta a deu à sua mãe. Quando os alunos – discípulos – de João ouviram isso, vieram, levaram o corpo e o colocaram em um túmulo.” Marcos 6:14-29

Esse é um relato macabro. A história contada acima, mostra como podemos ser maus. O relato encontrado no evangelho de Marcos revela quanta maldade podemos fazer, quando colocamos nossos desejos ou nossa vingança acima da razão. Continuando na linha proposta para esse estudo, observo de forma não literal os relatos dessa história macabra.

O texto se inicia com um “Enquanto isso...”. Esse “enquanto isso” é exatamente o ensino da vida pacificada pelo retorno ao cuidado mútuo. O ensino que estava sendo espalhado por todos os lados, na boca e na vida dos alunos de Jesus, segundo o texto, teria chegado ao conhecimento de um rei Herodes. Possivelmente Herodes Antipas, filho do rei Herodes, o Grande, construtor do grande templo. Esse Herodes, estava vivendo com a mulher de outro Herodes, seu meio-irmão Felipe. Essa relação ilícita havia sido denunciada pelo profeta João, primo de Jesus.

Quando as notícias chegaram ao conhecimento daquele Herodes, ele se inquietou e afirmou que Jesus seria a encarnação de João, ou como propõe o texto em português, o próprio João ressuscitado. É possível perceber o temor alegre de Antipas que viu nuanças semelhantes entre João e Jesus. Temor porque ele, Antipas, havia mandado decapitar João, e na mente doentia de um rei sem cabeça, o profeta poderia vir para “lhe buscar”; alegria pois mesmo tendo assassinado João, ele iria ouvir novamente as admoestações do – quem sabe – amigo profeta.

Creio que Herodes mantinha João preso para poder ouvir em particular o que Deus falava por meio do dele, e não somente porque suas palavras fossem ditas em “praça pública”. Herodes tinha ao seu alcance a voz do profeta. Esse parece o comportamento de muitas pessoas que frequentam os templos hoje em dia. Vão lá somente para “apanhar”; frequentam anos a fio, se “arrependendo” dos mesmos “pecados”; passam a vida toda pedindo perdão pelos mesmos erros. Se parecem em muito com esse Herodes. Talvez essa seja a lição que podemos tirar do episódio de Herodes estar mantendo João preso. Essa relação adoecida onde o homem de Deus cutuca a ferida do pecador, vem desde o tempo de João e Herodes.

Se observarmos com atenção, a enfermidade sexual de Herodes vai além da mera relação libidinosa e extraconjugal com a mulher de seu irmão Felipe. Ela passa pelo masoquismo, e isso se reflete na relação adoecida com João. Mesmo sabendo-se um degenerado, o rei gosta de sofrer ao ouvir o vociferar Divino, proveniente da boca do profeta, e por mais estranho que pareça, João participa dessa relação ativamente por não deixar de falar contra os atos libidinosos do rei.

Para podermos entender o que estava acontecendo e porque o profeta João estava se intrometendo na vida do rei, é preciso dar uma rápida olhada na história. Não é meu interesse fazer um estudo histórico sobre os herodianos, quero apenas fazer algumas ligações históricas, para que possamos entender o grau de loucura da família dos Herodes.

Após a Morte de Herodes o Grande, o imperador César Augusto, dividiu o reino entre três de seus filhos: Herodes Arquelau governou Judéia, Samaria e Iduméia; Herodes Antipas, governou Galiléia e Perea; Herodes Filipe II governou Betânia, Gaulanítide, Traconites e Auranítide. Com uma de suas esposas, Mariane, Herodes o Grande teve duas filhas, Salimpsios e Cipros, e dois filhos, Alexandre e Aristóbulo IV. Esses quatro filhos ficaram órfãos logo cedo, após seu pai enlouquecido, ter matado sua mãe sob a acusação de adultério. Posteriormente, os dois irmãos também foram mortos pelo próprio pai sob a acusação de rebelião. Porém antes da morte, Aristóbulo IV, casou-se com uma mulher chamada Berenice com quem teve cinco filhos: Herodias, Herodes de Calcis, Herodes Agripa I, Aristóbulo V, e Mariana. Herodes Antipas, o assassino de João, também filho de Herodes o Grande, havia nascido aproximadamente em 20 a.C., e estima-se que ele poderia ter entre 48 e 52 anos, quando João foi morto. Já Herodias, sua meia-sobrinha, e pivô da morte do profeta, possivelmente tenha nascido em 15 a.C., e teria, na época, entre 39 e 45 anos. Salomé, sua filha com Herodes Felipe, meio irmão de Antipas, poderia ter entre 18 e 24 anos quando foi desejada pelo tio-avô.

O que salta aos olhos de quem lê a história narrada nas linhas do evangelho de Marcos, é o ódio que Herodias sente pelo profeta. Sem conhecer a história fica difícil entender o motivo de tamanho ódio, mas depois de saber minimamente quem era Herodias e como pode ter sido sua vida, parece menos difícil perceber os motivos que deixaram aquela mulher enlouquecida com a intromissão de João em seu relacionamento com Antipas. Ela era filha de Arquelau IV, filho revoltado com o pai e por esse motivo, fora morto junto com o irmão. A menina Herodias deve ter assistido o estrangulamento do pai, por ordem do próprio avô. Não é difícil imaginar que ela pode ter ido até o avô pedir pela vida do pai, pedido que não fora atendido. Da mesma forma que seu pai, Herodias deve ter crescido nutrindo ódio contra toda e qualquer autoridade herodiana. Seu pai cresceu nutrindo o mesmo ódio contra o pai Herodes, por ter assassinado sua mãe. A filha parece crescer com o mesmo ódio.

Para mim é fácil presumir que o trabalho da vida de Herodias era destruir a família dos Herodes, acredito que seu “divórcio” de Herodes Felipe, se deu por ela ter conseguido fazer fracassar a vida política do marido, que segundo a história, tornou-se uma pessoa indesejada pelo império Romano. Ainda segundo essa linha de pensamento, aproximar-se de outro filho do grande Herodes para destruí-lo era um plano obvio para quem respira a vingança. Não é difícil ver na história essas situações de vingança, onde os “vingadores” usam os próprios filhos como instrumento para a vingança. Parece que não foi diferente nesse episódio. Diz o texto que “... finalmente a oportunidade chegou.” Porque “Herodes ofereceu um banquete aos nobres, oficiais e homens importantes da Galileia no seu aniversário”. Que melhor oportunidade?

Mas qual o motivo de tanto ódio direcionado ao profeta João? Quem sabe, as admoestações do profeta não estivessem tirando Antipas das mãos de Herodias? Quem sabe as admoestações de João não viessem a salvar a vida daquele Herodes, da vingança planejada por Herodias? São conjecturas plausíveis.

Seja como for, o que importa, é que naquele momento, a enfermidade sexual da família herodiana foi o instrumento usado por aquela mulher com sede de vingança. Sua filha, Salomé, dançou e encantou ao tio-avô. A tradução do texto é purista; o original está carregado de libido; o desejo do tio-avô Antipas, era possuir sexualmente a sobrinha-neta, e em troca desse prazer ele ofereceu até a metade de seu reino. Tudo certo, tudo como o combinado; depois de se embebedar com o vinho e com o desejo pela filha de sua mulher o rei descabeçado abre a guarda e promete até o que não tem, promete o que não lhe pertence e a promessa foi aceita. Depois de ouvir o conselho da mãe sobre o que deveria pedir, ela exige e a cabeça pensante do profeta João, o imersor. Aquele que batizava, aquele que identificava as pessoas com o rumo que elas deveriam tomar, aquele que marcava com água a nova direção de vida, aquele que ungia a cabeça dos redimidos pelo arrependimento. Com a cabeça de João, viriam seus olhos que tudo viam, sua boca que tudo falava.

“Tudo, menos a vida de meu profeta de estimação”, pode ter pensado ou cochichado consigo mesmo o rei descabeçado. Mas não havia o que fazer, não havia como dizer “não”. Imagino que todo o desejo, toda a virilidade do rei deve ter se esvaído como o sangue do profeta. Não havia mais virilidade, não havia mais desejo, só havia a consumação do plano destrutivo de uma mulher adoecida pelo sexo, que adoece quando não é mantido sob controle. A vingança muitas vezes vem nos braços dos amantes sexuais, que envenenam com beijos e carícias. Foi assim com Herodes Antipas, é assim com qualquer um que não põe em Deus e nas suas Leis o seu prazer.

A história conta que depois de Jesus ter sido condenado a morte, Herodias fez com que Antipas fosse até Roma, requerer o reinado sobre a Judeia. Esse fato teria desgostado ao Imperador, causando a destruição política e posterior morte de Antipas. Mais uma vitória para o plano de vingança de Herodias.

E hoje, como aplicar os ensinos contidos nesse texto aparentemente estranho a nossa religiosidade? Por enquanto, vejo algumas:

1) Todas as vezes que os desejos prevalecerem sobre a razão, alguém perderá a cabeça;
Não é difícil entender isso, basta olharmos o noticiário, onde famílias são destruídas por pessoas descabeçadas, que não conseguiram controlar sua libido e buscaram o prazer com outra pessoa que não seus respectivos cônjuges.

2) Todas as vezes que um profeta de Deus mantiver um relacionamento com alguém sexualmente enfermo, ele irá perder a cabeça;
Nem precisa ser um relacionamento físico, basta ser qualquer relacionamento que não tenho diretrizes definidas pelo sacerdote. Todos nós sacerdotes, somos tentados a servir de salva-vidas para pessoas com problemas sexuais, mas esquecemos que muitas vezes podemos passar de “salvadores” à “náufragos”. Não há como brincar com fogo sem ser queimado por ele. Todas as vezes que um sacerdote não tiver seu foco no objetivo de Deus ele irá perder a cabeça, a família, o ministério, a moral. Só não a salvação, mas recomeçar sempre é mais difícil que resistir. Nesses momentos, é melhor dizer o que Jesus disse: “...vai, larga tudo e me segue...”. Se não for assim, “cabeças vão rolar”.

3) Sempre que nosso sentimento de justiça for maior que o senso de justiça Divina, iremos pedir a cabeça de alguém e nesse momento, a nossa irá junto para a bandeja;
Nos dias de hoje, nosso justicismo está à flor da pele. Não aceitamos mais tanta injustiça, tanto comportamento injusto, tanto comportamento leviano, bandido, desrespeitoso. Estamos cheios de tanta roubalheira e isso tende a nos fazer justiceiros. Seja agindo, seja influenciando por palavras ou textos. Mas a atitude correta, está no caminho do meio. Nem “sangue de barata” nem “sangue nos olhos”. Precisamos agir de forma divina, entregando a Deus nossas ansiedades porque ele tem cuidado de nós. Sem isso, nossa cabeça vai para a bandeja (...) .

4) Sempre que nos acharmos os “donos da verdade”, estaremos sendo sepultados, mesmo que sejamos reconhecidos por muitos como boas pessoas.
Na mesma esteira do justicismo, estão os “donos da verdade”. Aqueles que acham que sabem de tudo, aqueles que se acham os melhores, aqueles que se julgam insubstituíveis. Esses são sepultados por seus seguidores, por seus admiradores, que por não saberem quem são, rapidamente trocarão de ídolo. Quem não sabe quem é, pensa ser algo maior do que realmente é. Esses são os sepultados sem cabeça e serão esquecidos.

5) Sempre que nosso desejo de vingança for maior que nossa razão, estaremos dançando para os mercadores de emoções, que nos oferecerão seus reinos, se nos ajoelharmos em adoração ao ódio e à vingança.
Aos vingadores fica somente o aviso: o tentador, o príncipe do século, o senhor da maldade estará sempre disposto a oferecer não só a metade, mas todo o seu reino, toda a sua riqueza, tudo que diz possuir para ver você bebendo do acre-doce vinho da vingança. Não é fácil, mas é melhor esperar a vingança de Deus. Se você acredita na palavra d’Ele, leia: “A VINGANÇA PERTENCE A DEUS ...” Romanos 12:19; Hebreus 10:30.

Enquanto os alunos de Jesus espalhavam a semente da vida que cuida, Herodes perdia a cabeça por desejar a sobrinha-neta e possuir a sobrinha. Enquanto a vida vinda por Jesus era plantada com autoridade dos que sabem quem são, Herodias arrancava a vida do profeta que mantinha viva a vida do rei. Enquanto Jesus curava, Herodes matava.

Concluindo, peço que você tenha a coragem de rever seus valores, seus comportamentos, seus pensamentos, seus desejos, seus ódios, suas vinganças, seus amores, seus prazeres, (...). Não se deixe enlouquecer nem pelo desejo, nem pela vingança. Caso contrário, todos perderão a cabeça.


Deus lhe abençoe.

domingo, 2 de março de 2014

UM POR TODOS. TODOS POR UM.



Continuando o estudo do evangelho de Marcos ...

“...Jesus passou a percorrer os povoados circunvizinhos, ensinando.
Chamando os Doze, começou a enviá-los de dois em dois, dando-lhes autoridade sobre os espíritos impuros.  E lhes disse: ‘Não levem nada para a viagem, a não ser um bordão. Nada de pão, saco de viagem, dinheiro no cinto; calcem sandálias, mas não levem uma camisa extra. Sempre que entrarem em uma casa, fiquem ali até partir; e se as pessoas de algum lugar não os receberem e se recusarem a ouvir vocês, então, quando saírem de lá, sacudam a poeira dos pés, como advertência contra elas’.Eles saíram e pregaram ao povo que abandonassem o pecado e voltassem para Deus, expulsaram muitos demônios, ungiram diversos doentes com óleo e os curaram.” Marcos 6:6 a 13

Depois de ter se admirado com a falta de confiança de seus familiares, em si mesmos. Jesus passou a ensinar nas cidades próximas a Cafarnaum, onde morava. O texto é claro ao afirmar que ele “... passou a percorrer os povoados circunvizinhos, ensinando”. Não foi pregando, não foi expulsando demônios, nem fazendo milagres. Foi ensinando.

O ensino, por si só, tem muitos poderes. Quando iniciou seu ministério de Ensino, Jesus, ao ensinar a verdade que liberta, causou uma tempestade interna em um de seus ouvintes religiosos. O texto de Marcos 1, dos versos 21 ao 27, mostra que esse ouvinte religioso, possivelmente um escriba cheio de inveja e ciúmes, manifestou toda sua impureza espiritual. Leia o texto:
“Foram a Cafarnaum, no sábado – shabbat – , Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar. Todos ficaram maravilhados com seu modo de ensinar, porque não lhes instruía como os mestres da Torah, mas como quem possui autoridade própria.
"Na sinagoga deles, naquele momento, estava um homem com um espírito impuro, que gritou: ‘O que você quer de nós, Jesus de Natzeret? Você veio para nos destruir? Sei quem você é o Santo de Deus!’. Mas Jesus repreendeu ò espírito impuro: ‘Cale-se e saia dele!’. O espírito impuro sacudiu o homem violentamente e saiu dando um grito bem alto. Todas as pessoas ficaram tão admiradas que começaram a perguntar umas às outras: ‘O que é isto? Um novo ensino apoiado com autoridade! E dá ordens até aos espíritos impuros, e eles lhe obedecem!’.” Marcos 1:21 a 27
Mesmo que no texto de Marcos não hajam relatos escritos de curas e livramentos, isso está implícito, pelo simples fato de encontrarmos em passagens anteriores – no livro de Marcos – que o ensino tem o poder de curar e libertar uma pessoa. O finalzinho do verso 6, mostra para todos que leem com honestidade, que o ministério de Jesus era ENSINAR. E é exatamente para isso, que ele distribui seus alunos – discípulos – aos pares, “...dando-lhes autoridade sobre os espíritos impuros...”.

Etimologicamente falando, a palavra autoridade significa “fazer crescer, aumentar”, pois é originada no termo latino “AUCTUS”. No hebraico o termo é “shalit”, “aquele que domina”. Jesus enviou seus alunos para provarem suas próprias qualidades, para saber se dominavam o conhecimento ensinado por ele. Era esse conhecimento que lhes daria “shalitan”como está no texto hebraico – domínio sobre as situações.

Mas esse domínio, essa autoridade, esse poder de “controlar” as coisas, era proveniente de si mesmos, do conhecimento que possuíam sobre si mesmos. Parece que Jesus estava aplicando a máxima do auto conhecimento “... seu eu sou eu porque eu sou eu, então eu sou eu; e posso conversar com qualquer pessoa.” A autoridade que Jesus estava dando aos seus alunos não era externa, mas interna, o auto conhecimento, saber quem realmente eram. Com base no texto, creio que o Mestre também tenha dado uma “mãozinha” externa para que seus alunos pudessem iniciar sua caminhada, sozinhos.

A “vara”, ou “bordão” de que fala o texto, possui, dois significados, o primeiro deles é para quem carrega o “bordão” ou a “vara”; ela representa “estar esvaziado de si mesmo” – sem dinheiro, sem comida, sem roupa extra, nada além da “vara”. No texto hebraico a “vara” é “maqqel”, e tem sua raiz em “baqaq”, que é "ser esvaziado". Por sua vez para quem recebia os alunos de Jesus com suas varas – esvaziados de si mesmos – via em suas mãos um “shebet”, um “bordão” que significava “aquele que tem autoridade em si mesmo”.

Quem sabe quem é, não precisa pedir para entrar, é recebido; e se não for recebido, não tem problema, deve seguir seu caminho, assim como Jesus seguia o dele mesmo tendo sido menosprezado por sua família. Bater a poeira dos pés é seguir em frente, deixar para trás todos que não sabem quem são. Essa afirmação parece estranha ao ensino da salvação, mas não é. Jesus não pode salvar quem não o recebe de bom grado, quem não o alimenta, não o veste, não o visita enfermo, não o visita prisioneiro. Naquele episódio, Jesus ERA seus alunos. Receber os alunos de Jesus era receber o próprio Jesus.

Mas quem “carrega” a autoridade de Jesus, precisa “carregar” Jesus em si mesmo. Não pode haver outra coisa além do “bordão”, do apoio, da muleta que é a autoridade DE Jesus em nós.

Quando isso acontece, quando essa conversão ocorre, quando deixamos o que nos sustenta fora de nosso caminho, e seguimos apoiados no ensino de Jesus, Sua autoridade passa ser a nossa autoridade. A qualidade dele passa ser a nossa qualidade. Assim, podemos expulsar todo e qualquer pensamento, sentimento, comportamento impuro; de nós e dos outros. Os espíritos impuros que nos atormentam são expulsos com autoridade que vem da nulidade – mas não da anulação. A autoridade que temos – ou devemos ter – vem de ensinar quem somos na companhia do Salvador. Nossa autoridade vem da salvação diária, do conhecimento de nós mesmos, de sabermos que não somos nada além de nós. Nosso bordão é Jesus, nossa autoridade, nosso apoio.

Mas não adianta andar de cajado, de vara, de bordão se o coração está cheio de orgulho, prepotência, vaidade, doutrina, religião, (...). Não levar nada na viagem é ser nada, é confiar em Deus somente, é saber que Ele alimenta o passarinho da mesma forma que nos alimenta. Se agirmos confiando que DEUS é o SUPREMO SENHOR, nossas mãos irão curar, nossas palavras irão acalmar aos que nos ouvem. Nossa presença irá abençoar – trará Shalon – para quem nos receber, nos ouvir e nos alimentar.

***

Ser enviado por Jesus para ensinar a Verdade não é tarefa fácil. Deixar tudo, emprego, renda, benefícios, (...), e viver confiando na misericórdia, proveniente confiança dos que nos ouvem – e leem – que realmente somos enviados de Salvador, viver esperando dia-a-dia, que esses que nos ouvem, que nos veem de muleta, apoiados na autoridade que nos foi dada pelo Senhor, nos ajudem com comida, roupa, recursos – não é fácil. Eu sei que não é.

Não ser um vendedor do evangelho é para os fortes.
Quem tem ouvidos para ouvir e olhos para ler. Que o faça.


Deus lhe abençoe.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

SE PENSO, EXISTO. SE NÃO PENSAS, NÃO EXISTES.

Algumas pessoas ainda insistem na intimidação. Tola tentativa. Não tenho medo de grupos políticos e nem de políticos. Posso até não falar o que penso por questões de conveniência – a segurança da família, da casa, do sossego. Mas isso não quer dizer que alguém me tenha calado. Nunca deixarei de pensar o que penso sobre temas relevantes do País, do Estado e do Município onde resido. Penso sim e vou vivendo, poderia parodiar.

Minhas inquietudes são antigas, convivo com elas há mais de 50 anos. Sou naturalmente um ser desassossegado. Porém meu maior desassossego vem de observar a incapacidade das pessoas em concatenar ideias. Parece que não sabem pensar, não conseguem ver o óbvio em sua frente, não enxergam além da própria venta – isso, quando a enxergam. Meu Deus.

Me estarrece ouvir políticos esbravejarem suas ignorâncias, do alto de seus palanques; me enoja ver seus correligionários babando feito tietes surdas, mudas e cegas. Me deixa puto da vida (desculpem os mais sensíveis) ver o que Governos e mais Governos têm feito com os sistemas básicos do País, com nosso dinheiro, com nosso voto. Saúde e educação, deveriam ser prioridade, mas não são. E quando o assunto vem à baila, aparece um correligionário babaca, de um partido idiota, defendendo o indefensável. Nenhum desses imbecis que me tenta intimidar tem capacidade de sequer argumentar decentemente porque é o que é, ou porque acredita no que diz acreditar. Um bando de “Maria-vai-com-as-outras”. Então vão – todas juntas (...).

***

O sistema educacional do País – Estados, Municípios e Distrito Federal – não possui professores mínimos que produzam seres pensantes – não produzem porque também não sabem pensar. Mas em toda “regra” há exceção. Justiça seja feita aos – poucos – que se descabelam para ensinar o pensamento. Nesse sistema educacional acossado pelo analfabetismo Estatal – que torna um ente em fêmea – o que é “construído” no ensino fundamental e médio, é desconstruído pelos “cursinhos” pré-vestibular. NOSSOS FILHOS PERDEM METADE DE SUAS VIDAS APRENDENDO O QUE SERÁ “DESAPRENDIDO” PARA ENTRAREM NA UNIVERSIDADE. Tão grave quanto essa perda de tempo, energia e vida, é o dinheiro – literalmente – jogado fora na compra de material didático e escolar para NOSSOS filhos. Na “escola” financiada com dinheiro público, tudo é pago pelo Estado. Na privada – que comparação – em muitos casos só falta alguém para puxar a descarga. Seja “lá” ou “cá”, nenhum aluno pode ingressar no ensino superior sem ser avaliado pelos sistemas de avaliação, que são criados a cada temporada eleitoral.

Nesse viés, é assustador o fato de que SABEMOS VOTAR, mas NÃO SABEMOS ELEGER. Elegemos qualquer um. Não temos o menor critério para transformar pessoas em políticos. Mais terrorista é punir quem não quer votar nessa gente que não presta.

Quando estudamos filosofia, damos de cara com sujeitos que são reconhecidos universalmente como PENSADORES. Eram pensadores porque sabiam pensar e estimulavam o pensamento das demais pessoas. Hoje, é proibido pensar – diz João Alexandre em sua música homônima – porque se pensarmos muito, descobriremos que estamos sendo enganados pelos “nossos representantes”. Se pensarmos muito na cagada que fazemos de dois em dois anos, é capaz de cometermos um assassinato contra nós mesmos, de tão burros que temos sido. Estamos sendo engados por todos os Governos, sejam eles vermelhos ou azuis – sem contar os “chapa branca”.

Contra essa pouca vergonha e pouca coragem, inspirado por meus filhos, deixo minha indignação ganhar voz na garganta pensante, controlada pela mente racional do “anjo” Gabriel.

“...muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente; a gente muda o mundo na mudança da mente e quando a mente muda a gente anda pra frente e quando a gente manda, ninguém manda na gente; na mudança de atitude, não há mal que não se mude, nem doença sem cura. Na mudança de postura a gente fica mais seguro, na mudança do presente a gente molda o futuro...”Gabriel o PENSADOR.

Nesse 2014, chame os políticos para a porrada. Nossa arma é o voto. NÃO VOTE, SE VOTAR ELEJA QUEM NÃO LHE PAGA PARA SER BURRO!

Pense nisso: O PODER EMANA DO POVO. Pensou?!


Transforme seu pensamento em ação!

ME SINTO ENVERGONHADO E DESILUDIDO.

Na sessão do STF, de hoje, dia 25 de fevereiro, o voto do ministro Luiz Fux nem foi ouvido. Os argumentos usados pelo ministro Fux nem fizeram cócegas nos ouvidos dos – até agora – cinco ministros que votaram pela absolvição do crime de quadrilha. Se esse bando de ladrões que roubou a Nação não é uma quadrilha, muitos dos quadrilheiros podem ser liberados de seus crimes – formação de quadrilha – Brasil a fora. Ridícula essa atitude.

Tenho insistido em alguns artigos, que o PT precisa parar de se debater para evitar que seus líderes sejam punidos. Esse esforço incomensurável para se livrar das punições devidas pelo que seus companheiros fizeram, abre a porteira para um sem número de ações revisionais. Não haverá – a meu ver – competência moral desses ministros, que devem absolver os condenados, para agirem de modo diferente, contra os mesmos crimes cometidos pelos quadrilheiros do PSDB. Mas como a moral brasileira é igual bola de futebol, chutada para todos os lados, creio que a (in) moralidade Petista condenará seus adversários psdbistas.

Depois de hoje, (25) estou desiludido com esse país chamado Brasil, que tem uma educação impensante e impensável, um sistema de saúde escravagista, uma economia maquiada, investimentos em países ditatorialistas, perdão de dívidas dos países com regime ditatorialistas. Como diz o “cabôco”, “é triste mais é verdade”.

Caminhamos para uma ditadura. O marco “limitador” da internet é o início desse processo. As leis que terrorificam atos de manifestação é outra peça desse quebra-cabeça político vermelho sangue. Me angustia saber que o que é percebido pela parte da população não seduzida, é apenas a “ponta do iceberg”. Fico imaginando o que já deve ter sido arranjado para o “dia D”.


Triste de nós brasileiros.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

MINHA FAMÍLIA, MEUS “DEMÔNIOS”.

Continuando o estudo do evangelho de Marcos...

A família está envolvida naquilo que somos, mas não é a responsável por quem somos. Nesse primeiro episódio do capítulo seis do evangelho de Marcos, essa questão é bem clara. Acompanhe o texto.

“Então Jesus partiu dali e foi para sua cidade, e os alunos (discípulos) o seguiram. No shabbat (sábado), ele começou a ensinar na sinagoga, e muitas pessoas que o ouviam ficaram admiradas. Elas perguntavam: ‘De onde ele tirou tudo isso?’. ‘Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E estes milagres que ele faz? Não é ele apenas o carpinteiro, filho de Miryam (Maria) e irmão de Jacó, José, Judá e Simão? Suas irmãs não estão aqui conosco?’. E elas se sentiram ofendidas por causa dele. Jesus, porém, lhes disse: ‘O único lugar em que as pessoas não respeitam um profeta é na cidade dele, entre seus parentes, na própria casa’. Por isso, ele não realizou ali milagres; apenas impôs as mãos sobre algumas pessoas doentes e as curou. E ficou admirado com a falta de confiança deles.” Marcos 6:1 a 6

Até o momento, Jesus cura, liberta, “expulsa” espíritos impuros, ensinando a todos que para verem-se livres em verdade, precisavam endorcisar seus “demônios”. Esse endorcismo se dava no momento em que todos os que foram libertos por Jesus retornaram ao convívio familiar. “Legião” e Ya’ir são os que se sobressaem nessas questões familiares. Porém, agora é o próprio Jesus que precisa endorcisar seus “demônios familiares”.

O texto diz, que depois das viagens para dentro e para fora, de um lado para o outro do “mar”, atravessando águas turbulentas e enfrentando ventos tempestuosos dos outros, ele volta para a cidade onde morava com a família. Nessa narrativa há uma profunda expressão de individualidade. Jesus volta para casa sem convidar ninguém, sem chamar ninguém. O texto relata que são os alunos que o seguem.

Não é revelado no texto, quanto tempo demorou para “chegar” o sábado – shabbat – mas o fato é que naquele dia, Jesus foi ensinar na sinagoga como era seu costume e seu prazer. Sua forma singular de ver e ouvir o Reino de Deus, deixava todos que o ouviam completamente admirados. Seu ensino era diferente, seu ensino não era religioso, não possuía teologia, não estava preso às doutrinas – fossem elas quais fossem. Seu ensino era escandalosamente livre. E esse ensino escandaloso, libertário, desprovido de teologia, ofendia a religiosidade de suas irmãs.

Historicamente falando, Jesus era o primeiro filho de Miryam – Maria – , mas possivelmente, não era o primeiro filho de José. Isso pode ser verdade porque não há nos evangelhos nenhum relato da cerimônia de resgate de Jesus. Se ele fosse primogênito de José, haveria um relato da sua cerimônia de resgate, conforme a lei cerimonial descrita no livro do Êxodo, capítulo 13, dos versos 11 a 16:

“Também acontecerá que, quando o SENHOR te houver introduzido na terra dos cananeus, como jurou a ti e a teus pais, quando te houver dado, separarás para o SENHOR tudo o que abrir a madre e todo o primogênito dos animais que tiveres; os machos serão do SENHOR. Porém, todo o primogênito da jumenta resgatarás com um cordeiro; e se o não resgatares, cortar-lhe-ás a cabeça; mas todo o primogênito do homem, entre teus filhos, resgatarás. E quando teu filho te perguntar no futuro, dizendo: Que é isto? Dir-lhe-ás: O SENHOR nos tirou com mão forte do Egito, da casa da servidão. Porque sucedeu que, endurecendo-se Faraó, para não nos deixar ir, o SENHOR matou todos os primogênitos na terra do Egito, desde o primogênito do homem até o primogênito dos animais; por isso eu sacrifico ao SENHOR todos os primogênitos, sendo machos; porém a todo o primogênito de meus filhos eu resgato. E será isso por sinal sobre tua mão, e por frontais entre os teus olhos; porque o SENHOR, com mão forte, nos tirou do Egito.”

Os versos acima são a fala do Eterno, quando da preparação para a saída do Egito. Mas foi no deserto que os valores para o resgate dos primogênitos foi estipulado:

“Tudo que abrir a madre, e toda a carne que trouxerem ao SENHOR, tanto de homens como de animais, será teu; porém os primogênitos dos homens resgatarás; também os primogênitos dos animais imundos resgatarás. Os que deles se houverem de resgatar, resgatarás, da idade de um mês, segundo a tua avaliação, por cinco siclos de dinheiro, segundo o siclo do santuário, que é de vinte geras.”

Honestamente não lembro de ler nos evangelhos, nenhum texto mostrando o momento em que José e Maria teriam pago o valor de “cinco siclos de dinheiro” pelo resgate de Jesus. O que encontramos no evangelho de Lucas, nos versos 21 a 24, e que é tratado pelo evangelista como sendo o ato cerimonial de pagamento pelo primogênito, é na verdade o ato cerimonial pela purificação dos pais de Jesus por eles terem “ficado impuros”. Ele, José pelo sêmem que fertilizou Maria, ela devido ao sangramento do parto. O relato desse ato cerimonial é encontrado no livro de Levítico, capítulo 12:

“FALOU mais o SENHOR a Moisés, dizendo: Fala aos filhos de Israel, dizendo: Se uma mulher conceber e der à luz um menino, será imunda sete dias, assim como nos dias da separação da sua enfermidade, será imunda.
E no dia oitavo se circuncidará ao menino a carne do seu prepúcio. Depois ficará ela trinta e três dias no sangue da sua purificação; nenhuma coisa santa tocará e não entrará no santuário até que se cumpram os dias da sua purificação.
Mas, se der à luz uma menina, será imunda duas semanas, como na sua separação; depois ficará sessenta e seis dias no sangue da sua purificação.
E, quando forem cumpridos os dias da sua purificação por filho ou por filha, trará um cordeiro de um ano por holocausto, e um pombinho ou uma rola para expiação do pecado, diante da porta da tenda da congregação, ao sacerdote. O qual o oferecerá perante o SENHOR, e por ela fará propiciação; e será limpa do fluxo do seu sangue; esta é a lei da que der à luz menino ou menina.
Mas, se em sua mão não houver recursos para um cordeiro, então tomará duas rolas, ou dois pombinhos, um para o holocausto e outro para a propiciação do pecado; assim o sacerdote por ela fará expiação, e será limpa.”

Defendo a tese de que não houve o “resgate” de Jesus com base na simples leitura do verso oito: “Mas se não houver em sua mão recursos para um cordeiro ...” Os pombinhos ou rolinhas – pássaros pequenos – eram entregues como oferta de purificação quando os ofertantes eram pobres e não possuíam nenhuma condição para ofertarem um cordeiro. Se o casal, José e Maria, não possuía condições de comprar um cordeiro para ofertar por sua “purificação”, como teriam condição de pagar “cinco siclos” por seu filho? Parece ser um contra senso.

Entendo que existe uma tentativa religiosa dos tradutores primitivos, ou do próprio Lucas, ou ainda que o trecho do texto no evangelho de Lucas, que relata a possível “cerimônia de resgate do primogênito”, seja um acréscimo, haja vista estar grafada na maioria das traduções, entre parênteses. Ou seja, o verso 23 de Lucas 2, pode não ter sido escrito originalmente por Lucas, pode se tratar de uma nota explicativa dos primeiros tradutores do evangelho, que ao longo do tempo, incorporou-se ao próprio texto. O texto que encontramos em Lucas 2, de 21 a 24 está assim:

“21 E, quando os oito dias foram cumpridos, para circuncidar o menino, foi-lhe dado o nome de Jesus, que pelo anjo lhe fora posto antes de ser concebido.
22 E, cumprindo-se os dias da purificação dela, segundo a lei de Moisés, o levaram a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor 23 (Segundo o que está escrito na lei do Senhor: Todo o macho primogênito será consagrado ao Senhor); 24 E para darem a oferta segundo o disposto na lei do SENHOR: Um par de rolas ou dois pombinhos.”

Se tivermos a coragem de confrontar os textos de Levítico e de Lucas, perceberemos uma certa discrepância, um certo desacordo. Retirando do verso 22, o artigo que liga Jesus ao ato, suprimirmos o verso 23 – que julgo ser originalmente uma nota “explicativa” – e a parte inicial do verso 24, teremos algo mais coadunante com o sentido original em Levítico:

“21 E, quando os oito dias foram cumpridos, para circuncidar o menino, foi-lhe dado o nome de Jesus, que pelo anjo lhe fora posto antes de ser concebido.
22 E, cumprindo-se os dias da purificação dela, segundo a lei de Moisés, levaram a Jerusalém, para apresentarem ao Senhor 24 a oferta segundo o disposto na lei do SENHOR, um par de rolas ou dois pombinhos.”

Ao lermos o texto com cuidado, Lucas relata dois acontecimentos. O primeiro está descrito no verso 21, que é a circuncisão de Jesus, que teria de ser feita aos oito dias de nascido. Nessa cerimônia, sua mãe não poderia estar com ele diante do sacerdote, pois estava proibida de se apresentar no templo, pois seu “estado de impureza” ainda era contado. Somente depois de 30 dias, é que ela poderia ir ao templo para cumprir seu ritual de purificação. E é esse ritual que é descrito nos versos 22 e 24 de Lucas. A nota explicativa que pode ter se transformado no verso 23 – e que está entre parênteses – parece tentar ligar uma possível primogenitura de Jesus com o ritual de purificação de seus pais.

Também não há nenhuma possibilidade de Jesus ter sido oferecido ao “Nazireado”, pois conforme o texto de Números 6, um Nazireu não poderia “beber vinho”, comportamento totalmente praticado por Jesus, conforme lemos em Lucas 7:34:

“Veio o Filho do homem, que come e bebe, e dizeis: Eis aí um homem comilão e bebedor de vinho, amigo dos publicanos e pecadores.”

Essa questão aparentemente teológica é necessária, para podermos entender o possível motivo das irmãs de Jesus terem se ofendido com as conversas daqueles que ouviam seus ensinos. Se ele fosse o mais velho de todos os irmãos, talvez não causasse esse incômodo, mas como pode ter sido o “filho do meio”, o primogênito de Maria e não de José, sua ousadia em “ensinar diferente” do tradicional, pode ter sido a causa desse escândalo.

O texto também deixa escapar que o incômodo sofrido por suas irmãs, é percebido por ele, ao ponto de também incomodá-lo. Isso parece ser possível, porque ele responde as reclamações das irmãs em tom de mágoa: “O único lugar em que as pessoas não respeitam um profeta é na cidade dele, entre seus parentes, na própria casa”. O tratamento diferenciado dos ouvintes pode ter ofendido suas irmãs ao ponto de elas negarem o ministério do irmão mais moço, retrucando, respondendo e até causando um desalojar de emoções em Jesus. Mas naquela tempestade íntima, ele acalma seu “mar inquieto” afirmando ser quem era: UM PROFETA. Mesmo que sem honra, sem reconhecimento, sem o respeito de seus familiares, ele É profeta de Deus.

Nesse novo confronto com seu “satã”, Jesus se reafirma filho de Deus, porta voz do Divino, fazedor da vontade do Pai. Nesse momento onde a serenidade se sobrepõe ao desgosto que a família lhe proporciona, somente os que confiam é que são curados. O desgosto não perdura, assim como os ventos que encrespam as ondas também não. Eles dão lugar à calmaria reflexiva, o externo que reflete o interno; o desgosto deu lugar à admiração. Uma admiração pelo estado de incredulidade dos outros de si. Era como se Jesus se olhasse no espelho e se enxergasse nos familiares que duvidavam de si mesmos. Apaziguado pelos poucos familiares e ouvintes a quem curara, Jesus partiu do meio da família, porém levando-a consigo para sempre. Ele estava em paz consigo e com seus familiares, mesmo que eles não acreditassem em sua mensagem, mesmo que eles não ouvissem seus ensinos, mesmo que eles tentassem ser diferentes.

Para seguirmos em frente temos de primeiro seguir adiante. E seguir adiante é seguir na frente, sabendo que nossa família em algum momento irá nos seguir. Mas ela só poderá nos seguir, se formos adiante dela, abrindo o caminho, desmontando as certezas que os aprisionam na zona de conforto da desconfiança, com as verdades Divinas. É isso que Jesus faz e é isso que devemos fazer: ANDAR POR ONDE ANDAMOS, ANDAR COM QUEM ANDAMOS PARA QUE ELES – UM DIA – VENHAM A NOS SEGUIR.

Por onde andamos? Andamos nos caminhos de Deus. Com quem andamos? Com ELE.

Siga seu caminho. Deus lhe abençoe.